A discussão sobre a presença de Neymar na Copa do Mundo de 2026 inevitavelmente passa pela questão da idade. Caso esteja presente no torneio, o atacante brasileiro chegará com 34 anos, um número que, para alguns, sugere declínio físico, principalmente considerando que o principal jogador do Santos enfrenta uma grande incostância neste momento considerando o baixo número de jogos disputados. No entanto, a história das Copas mostra que experiência e maturidade podem ser tão decisivas quanto juventude.
Diversos jogadores marcaram edições do torneio já na casa dos 30, alguns inclusive atingindo o auge justamente nesse período. Por isso mesmo, relembrar esses casos ajuda a contextualizar o debate sobre o futuro de Neymar na Seleção Brasileira, e este será o exercício que o Playmaker fará a partir de agora.
Jogadores que podem inspirar Neymar na Copa do Mundo
Nilton Santos (1962): Muito antes da discussão moderna sobre longevidade no futebol, o Brasil já tinha um exemplo emblemático. Nilton Santos disputou a Copa de 1962 com 37 anos. Lateral da Seleção Brasileira bicampeã mundial, o ídolo do Botafogo compensava a idade com leitura de jogo e posicionamento refinado. Conhecido como “Enciclopédia do Futebol”, Nilton Santos mostrou que inteligência tática pode prolongar carreiras em alto nível.
Dino Zoff (1982): A conquista da Copa do Mundo de 1982 pela Itália tem um protagonista pouco convencional para padrões de idade: o goleiro Dino Zoff. Com 40 anos, Zoff se tornou o capitão mais velho a levantar o troféu do Mundial. Sua campanha foi marcada por atuações decisivas, especialmente nas fases finais, e no caso de goleiros, a longevidade costuma ser maior, mas o desempenho de Zoff mostrou que liderança e posicionamento podem manter um atleta no topo mesmo após quatro décadas de vida.
Roger Milla (1990 e 1994): Um dos jogadores mais decisivos da história das Copas, Roger Milla tinha 38 anos quando protagonizou uma das histórias mais memoráveis do mundial de 1990. Entrando quase sempre como reserva pela seleção de Camarões, o atacante marcou quatro gols e conduziu o país africano às quartas de final, algo inédito para seleções do continente na época. Quatro anos depois, em 1994, Milla voltou a marcar em Copas já com 42 anos, tornando-se o jogador mais velho a fazer um gol no torneio, podendo servir de inspiração para Neymar.
Zinedine Zidane (2006): A Copa de 2006 marcou a despedida internacional de Zinedine Zidane, e também uma das performances mais marcantes de um veterano no torneio. Aos 34 anos, o meia liderou a França como um verdadeiro capitão até a final, com atuações memoráveis contra Espanha, Brasil e Portugal. Mesmo com menor mobilidade, Zidane compensava com visão de jogo e controle de ritmo. Foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo.
Miroslav Klose (2014): A Copa de 2014 consolidou Miroslav Klose como o maior artilheiro da história dos Mundiais. Aos 36 anos, o atacante marcou dois gols pela Alemanha e chegou a 16 no total em Copas, superando o recorde anterior que pertencia à Ronaldo, brasileiro que assistiu presencialmente à quebra de sua marca no fatídico 7 a 1, em jogo que Neymar não disputou por estar lesionado.
Lionel Messi (2022): A consagração de Lionel Messi na Copa de 2022, com 35 anos, representa talvez o exemplo mais recente de impacto tardio em um Mundial. Capitão da Argentina, a “Pulga” foi o motor criativo da campanha que terminou com o título. Mais do que números (sete gols e três assistências) sua influência tática foi determinante para o terceiro título dos hermanos, em uma Copa na qual Neymar ficou devendo.
Imagem: AFP