Michael Olise não é mais apenas um talento interessante que chamou atenção na Premier League, simplesmente estamos falando de uma realidade, um craque, um destaque. Hoje, o francês já aparece com naturalidade nas conversas sobre os melhores jogadores do mundo e, sim, isso obviamente inclui a disputa pela Ballon d’Or.
Desde que chegou ao Bayern de Munique, vindo do Crystal Palace em 2024, Olise deu um salto que poucos jogadores conseguem. Aquela jogada clássica de ponta pela direita que corta para o meio e finaliza de esquerda, eternizada por Arjen Robben, ganhou uma versão moderna, mais criativa e, principalmente, mais completa.
Olise conta com números de elite e impacto imediato
E o que sustenta toda essa empolgação não é hype. São números.
Na última temporada, Olise já havia entregado 17 gols e 21 assistências. Era um ótimo início. Mas 2025/26 elevou tudo de nível: são 15 gols e 23 assistências até aqui, liderando a Europa em passes para gol. Nenhum ponta participa diretamente de mais gols do que ele. Desde que chegou ao Bayern, já soma 44 assistências, sete a mais que qualquer outro jogador nas cinco grandes ligas no mesmo período. Em criação de chances, só Bruno Fernandes supera o francês.
Ou seja, Michael Olise não é apenas decisivo. Ele é o motor criativo de um dos maiores clubes do mundo. E quando o palco cresce, ele não deixa de responder.
Contra a Atalanta, nas oitavas da Champions League, Olise simplesmente destruiu: dois gols, uma assistência e participação direta na goleada por 6 a 1. Teve drible, teve finalização colocada e teve aquela jogada clássica cortando da direita, que imediatamente trouxe lembranças de Robben. Foi o tipo de atuação que muda o status de um jogador.
Mas não é só talento. Existe algo por trás disso tudo.
Mentalidade, encaixe e o caminho até a Bola de Ouro
O técnico Vincent Kompany destacou recentemente a mentalidade de Olise, comparando sua obsessão por evolução com a de Kevin De Bruyne. E isso ajuda a explicar por que ele saiu de promessa para protagonista em tão pouco tempo.
Além disso, o encaixe no Bayern é praticamente perfeito. O modelo de jogo, com muita movimentação e liberdade ofensiva, potencializa exatamente as características do francês. Ele não é um ponta preso à linha: circula, cria, infiltra e finaliza com naturalidade. Segundo o jornalista Julien Laurens, a mudança de ambiente também foi crucial para o amadurecimento do jogador, que evoluiu não só tecnicamente, mas também mentalmente.
Com nomes como Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Bradley Barcola, a concorrência é pesada. Mesmo assim, a fase atual de Michael Olise o coloca em uma posição difícil de ignorar. Existe até a possibilidade de Didier Deschamps utilizá-lo como camisa 10, função que ficou vaga após a saída de Antoine Griezmann, embora ainda exista debate sobre mexer em uma posição onde ele já rende tanto.
No fim das contas, a discussão sobre a Bola de Ouro passa por um fator inevitável: títulos.
O Bayern segue vivo em todas as competições e sonha com a tríplice coroa. Se confirmar esse cenário, Michael Olise entra de vez na briga. A história recente mostra que números impressionantes precisam vir acompanhados de conquistas, como aconteceu com Lionel Messi em diferentes momentos da carreira.
Michael Olise ainda não tem esse “combo completo”. Mas está muito perto.
E talvez esse seja o ponto mais interessante da história: ele não surgiu como um fenômeno inevitável. Foi um crescimento progressivo, quase silencioso, até explodir de vez no Bayern.
Agora, não dá mais para tratar como surpresa. Michael Olise já é realidade e, mantendo esse nível, a pergunta deixa de ser se ele pode ganhar a Bola de Ouro. Passa a ser quando.
Foto: IMAGO/Revierfoto