O Everton oficializou a conclusão de sua venda para o grupo norte-americano Friedkin Group, encerrando um período turbulento sob a gestão do empresário Farhad Moshiri. A operação deve representar um ponto de virada para o clube, que busca estabilidade financeira e reconstrução esportiva após anos de instabilidade, marcando também o fim de qualquer possibilidade do empresário John Textor (dono da SAF do Botafogo) em assumir um novo clube na elite da Inglaterra.
A nova administração, liderada por Dan Friedkin, assume o controle com o compromisso de reorganizar as finanças e recolocar a equipe em um patamar mais competitivo dentro da Premier League. A aquisição inclui a maior parte das ações do clube e envolve também a reestruturação de dívidas acumuladas ao longo dos últimos anos.
Durante a era Moshiri, iniciada em 2016, o Everton investiu quantias expressivas no mercado de transferências, mas sem retorno esportivo consistente, incluindo diversas trocas de treinadores e chegou a enfrentar risco de rebaixamento, além de sofrer punições por descumprimento de regras financeiras da liga. A chegada do Friedkin Group surge, portanto, como uma tentativa de reorganização estrutural, pois entre as prioridades estão o fortalecimento do elenco principal, melhorias na base e o aproveitamento comercial do novo estádio do clube, um projeto considerado essencial para o crescimento a médio prazo.
A mudança de controle no Everton não é um caso isolado: ela reflete uma tendência crescente de investidores estrangeiros adquirindo clubes da Premier League. Com isso, metade dos times da liga já possui participação majoritária dos Estados Unidos.
No caso específico do Everton, a venda também simboliza o fim de um ciclo marcado por gestão instável e decisões esportivas inconsistentes. Apesar do histórico relevante, o clube é um dos mais tradicionais da Inglaterra, com nove títulos nacionais, a equipe não conquista um troféu importante desde 1995 e vinha perdendo protagonismo no cenário inglês.
Outro ponto importante é o impacto financeiro: a nova gestão pretende reduzir ou converter dívidas em capital, o que pode aliviar a pressão sobre o clube e evitar novas sanções. Isso é crucial em um cenário em que as regras de sustentabilidade financeira da Premier League estão cada vez mais rigorosas.
O que deve mudar no estilo de jogo do Everton?
A aquisição do Everton pelo Friedkin Group não se limita ao campo administrativo, pois tende a provocar uma transformação direta na forma como o time se comporta dentro das quatro linhas. Em clubes que passam por reestruturação financeira, as mudanças táticas costumam ser consequência de dois fatores: perfil de investimento e ideia de jogo da nova gestão.
Nos últimos anos, o Everton se caracterizou por um futebol reativo e de sobrevivência, muito condicionado pela instabilidade. Técnicos diferentes adotaram abordagens pragmáticas, com blocos médios/baixos, transições rápidas e pouca consistência na construção ofensiva.
Com a chegada do grupo que também controla a Roma, há indícios sobre preferências com estruturas mais organizadas com bola, maior controle de posse em fases do jogo e pressão mais coordenada. Ou seja, a tendência é migrar de um Everton reativo para um time que consiga ditar mais o ritmo das partidas, ao menos contra adversários de nível semelhante.
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