A Fórmula 2 anunciou, na manhã desta quinta-feira (9), que os circuitos de rua de Montreal, no Canadá, e de Miami, nos Estados Unidos, receberão pela primeira vez uma rodada da categoria. As provas substituem os GPs cancelados da Arábia Saudita e do Bahrein como segunda e terceira etapas do calendário, respectivamente, e prometem corridas caóticas.
A combinação do comportamento instável dos carros da Fórmula 2 com pilotos jovens, inexperientes e arrojados, além de circuitos rápidos com muros próximos ao traçado, forma um cenário que pode apimentar a disputa, mas também representar um risco aos competidores.
Características de Montreal e Miami favorecem o imprevisível

Os circuitos de rua de Montreal e Miami têm características que, por si só, já são propícias ao caos. Trechos de alta velocidade combinados com curvas técnicas e estreitas, além da presença constante de muros próximos ao traçado são o tipo de configuração que reduz praticamente para zero a margem para erros.
O traçado semipermanente do Circuito Gilles Villeneuve é conhecido por longas retas interligadas por chicanes agressivas. As disputas roda a roda sempre são no limite e a pista foi palco de momentos históricos e polêmicos do esporte a motor, como a batida de três campeões mundiais no GP do Canadá de 1999 no mesmo trecho, que motivou o nome de “Muro dos Campeões”. Neste século, Montreal viu Jenson Button vencer aquela que foi a corrida mais longa da história da Fórmula 1, em 2012, após cair para último, ser punido com um drive-through realizar seis pit stops.
Já no caso de Miami, apesar de ser um circuito mais moderno, o desenho urbano e as sequências de curvas de média e alta velocidade criam pontos cegos e situações imprevisíveis. Ao longo dos quatro anos em que recebeu a Fórmula 1, diversos incidentes em diferentes pontos do circuito foram vistos.
A combinação dessas pistas com os carros da Fórmula 2, que são mais difíceis de controlar e menos estáveis que os da Fórmula 1, tende ao imprevisível e ao caótico. O incidente na primeira curva da corrida principal de Mônaco em 2025, que envolveu praticamente todo o grid e causou bandeira vermelha, mostrou um pouco do que a categoria pode oferecer em circuitos de rua.
Outro ponto importante é a probabilidade elevada de intervenções do Safety Car. Em pistas com muros próximos, qualquer incidente tende a gerar detritos na pista ou bloquear parcialmente a passagem dos carros. Paradas nos boxes, escolha de pneus e gerenciamento de ritmo passam a depender menos do planejamento inicial e mais da capacidade de reação das equipes.
Esse cenário abre espaço para resultados inesperados. Pilotos que largam mais atrás podem se beneficiar de mudanças na dinâmica de corrida, enquanto favoritos podem ser prejudicados por incidentes ou estratégias comprometidas..
Enquanto a Fórmula 2 optou por incluir duas etapas extra após o cancelamento das corridas de Jeddah e Sakhir, a Fórmula 3, que também perdeu a etapa bareinita, ainda não anunciou uma reposição.
Nenhum piloto da Fórmula 2 conhece as novas pistas

A estreia da Fórmula 2 em Montreal e Miami traz um elemento adicional de dificuldade, nenhum dos pilotos do grid atual possui experiência prévia nessas pistas. Isso significa que todos terão de lidar com um processo praticamente igual de aprendizado, com apenas uma sessão de treino para se adaptar antes da classificação.
Sem referências anteriores, os pilotos dependerão mais dos simuladores e do trabalho das equipes na coleta de dados. Mesmo assim, a transição do ambiente virtual para o real costuma trazer surpresas, especialmente em circuitos de rua, onde as condições de aderência podem variar bastante.
Por outro lado, correr no Canadá e nos Estados Unidos pode ajudar na familiarização das pistas por parte dos pilotos, o que pode ser valioso para o futuro, caso venham a ser promovidos à Fórmula 1. Entre os nomes que enfrentam esse desafio duplo estão os brasileiros Rafael Câmara, da Invicta Racing, e Emmo Fittipaldi Jr., da AIX Racing.
A mudança no calendário também trouxe consequências para um outro competidor, já que a etapa de Montreal, marcada entre os dias 22 e 24 de maio, coincide com a programação das 500 Milhas de Indianápolis. Com isso, o americano Colton Herta, que disputa a Fórmula 2 pela Hitech, terá que decidir entre uma das duas categorias, o que gerou insatisfação entre fãs nos Estados Unidos.
(Foto principal: Reprodução/Motorsport Week)

