O Leeds United está em declínio na Premier League e encara muito mais que falta de resultados: a ineficiência ofensiva. São 64 finalizações sem marcar e com bolas nas redes em escassez, as boas performances recaem sobre o trabalho sem a bola.
Os números indicam que o Leeds United tem qualidade suficiente para evitar o rebaixamento na Premier League — mas a recente crise ofensiva levanta dúvidas sobre a capacidade do time de confirmar essa permanência.
Historicamente, o clube carrega um trunfo importante: nunca foi rebaixado na temporada imediatamente após subir para a elite. Em sete ocasiões anteriores, conseguiu se manter — com campanhas marcantes sob Don Revie e Howard Wilkinson.
Com sete jogos restantes, quatro pontos de vantagem para a zona de rebaixamento e confrontos diretos contra Wolverhampton e Burnley, o cenário ainda é favorável. O momento, porém, preocupa: são quatro jogos sem marcar gols e apenas duas vitórias nos últimos 14.
Calvert-Lewin é o retrato da crise ofensiva e pressão crescente
O Leeds vive sua pior sequência na temporada: não vence há seis jogos e não balança as redes há quatro partidas — algo que não acontecia desde 2022, ainda na transição entre Marcelo Bielsa e Jesse Marsch. A má fase recente diminuiu a folga na tabela, especialmente com a reação do West Ham, que voltou à briga contra o rebaixamento.
Ainda sim, os Whites estão receosos sobre esta luta e o fim da temporada se aproxima — com gosto cada vez maior de descenso. A inconstância é o maior inimigo nesta campanha que contempla ainda o sexto pior ataque da Premier League e o terceiro pior desempenho como visitante.
O retrato desta declínio pode ser bem descrito por Dominic Calvert-Lewin. Após a saída de Patrick Bamford, o camisa 9 assumiu protagonismo, mas teve um início irregular: apenas um gol nos primeiros 10 jogos e baixa eficiência nas finalizações.
Na sequência, viveu grande fase, marcando em seis partidas consecutivas — a melhor série de um jogador do Leeds desde 1960. Porém, mais recentemente, voltou a oscilar: são apenas dois gols nas últimas 24 finalizações, com desempenho abaixo do esperado em xG, figurando entre os piores da liga em 2026 nesse quesito.
Daniel Farke muda a cara do Leeds e mostra intensidade como marca registrada
Se falta eficiência no ataque, sobra intensidade. O Leeds é o time que mais pressiona adversários na Premier League, com mais de 12 mil ações de alta intensidade. O próprio Calvert-Lewin se destaca nesse aspecto, sendo um dos líderes da competição em pressões no campo ofensivo.
Além disso, a equipe é a que mais percorreu distância na temporada — cerca de 3.560 km, o equivalente a 84 maratonas. Essas corridas podem ser justificadas pela reconfiguração feita por Daniel Farke no fim de 2025. O técnico ajustou seu estilo após uma sequência negativa e adotou uma linha com três zagueiros e alas, dando mais equilíbrio ao time:
O resultado foi claro: menor posse de bola, maior uso de passes longos e mais duelos aéreos. A mudança gerou resposta imediata, com resultados importantes, como a vitória sobre o Chelsea e o empate diante do Liverpool.
Além disso, outro recurso explorado é o uso frequente de laterais longos, com protagonismo de Ethan Ampadu. Desde dezembro, o Leeds lidera a liga em laterais lançados na área, finalizações originadas em arremessos laterais e gol esperados gerado a partir destas jogadas. Só que há o que melhorar: apesar do volume, a conversão ainda é baixa: apenas 1,6% dessas ações resultaram em gol.
Solidez defensiva como esperança
Se o ataque falha, a defesa começa a dar respostas. Nos últimos jogos, o Leeds somou dois empates sem gols consecutivos — algo raro na temporada. Além disso, desde a 28ª rodada, é a equipe que menos permite finalizações no alvo por jogo.
Os dados apontam para partidas mais controladas, com baixo xG total e maior equilíbrio defensivo. Isso mostra que mesmo com a má fase, os indicadores seguem favoráveis: apenas 6,5% de chance de rebaixamento nas simulações
xPoints indicam uma pontuação 11 pontos superior à atual
Na prática, o desempenho do Leeds tem sido melhor do que os resultados sugerem.
Créditos da foto de capa: Divulgação/Leeds United