O empate por 0 a 0 entre Corinthians e Palmeiras reacendeu um incômodo que acompanha o torcedor alviverde há anos sob o comando de Abel Ferreira: a dificuldade crônica do time em produzir um ataque realmente perigoso em jogos de alta exigência. Desperdiçar a chance de vencer o seu maior rival com dois jogadores a mais na 11ª rodada do Brasileirão colocou ainda dúvidas sobre a capacidade do atual elenco de disputar o título à longo prazo.
O clássico na Neo Química Arena escancarou mais uma vez esse fantasma. O Palmeiras até conseguiu, em alguns momentos, controlar o ritmo defensivo e anular boa parte da pressão corintiana, mas voltou a demonstrar enorme limitação para transformar posse em profundidade e profundidade em finalizações de qualidade.
Palmeiras não conseguiu ser criativo mesmo com vantagem numérica
Nos primeiros 20 minutos, o Palmeiras adotou uma postura cautelosa, recuando a marcação e esperando o Corinthians cometer erros. O plano defensivo funcionou com boa compactação, linhas próximas e cobertura eficiente pelos lados, mas quando recuperava a bola, o time não conseguia dar sequência às transições. Faltava apoio, faltava aproximação, faltava até mesmo agressividade para atacar o espaço.
A circulação de bola no campo ofensivo foi lenta e previsível. Sem movimentos coordenados de ruptura e com pouca participação produtiva dos pontas, o Palmeiras caiu em um padrão já conhecido: dependeu demasiadamente de jogadas individuais e de bolas longas para tentar surpreender.
O problema do ataque se explica também pela estrutura. O centroavante Flaco López, em vários momentos, apareceu completamente desconectado do resto da equipe, recebendo pouquíssimas bolas em condições de finalizar. Já o meia responsável por articular o jogo (Marlon Freitas) ficou sobrecarregado, precisando recuar demais para participar da construção, e isso criou buracos no setor criativo e facilitou o trabalho dos marcadores corintianos.
Sem coordenação entre setores, o Palmeiras não conseguiu ocupar o último terço com número suficiente de jogadores, algo que se repete nos clássicos e nos confrontos mais duros da temporada. Com isso, os melhores minutos ofensivos do alviverde surgiram nos instantes finais, mais pela queda física do Corinthians do que por organização própria, mesmo com a vantagem numérica Ainda assim, o time esbarrou novamente em más escolhas: cruzamentos precipitados, finalizações travadas e pouca frieza para construir uma jogada clara de gol.
Essa dificuldade em transformar momentos de superioridade em chances reais tem sido um traço recorrente do trabalho de Abel. Mesmo com um sistema defensivo consolidado e uma equipe mentalmente forte, o Palmeiras segue devendo em criatividade, velocidade de circulação e mecanismos ofensivos mais automatizados.
Abel Ferreira precisa estudar muito desempenho no clássico
O desempenho no dérbi serve como um espelho incômodo: o Palmeiras continua competitivo, sólido atrás e emocionalmente estável, mas carece de um ataque que corresponda ao nível do restante do time. A incapacidade de ameaçar o adversário com constância torna a equipe previsível e limita seu teto em jogos decisivos.
Abel, que já viveu versões agressivas e letais de seu ataque, ainda busca reencontrar esse caminho. Sem soluções estruturais que devolvam imprevisibilidade e profundidade ao setor, o fantasma do ataque inofensivo seguirá rondando, custando pontos importantes.
O 0 a 0 na Neo Química Arena, portanto, diz muito mais sobre o Palmeiras do que seu treinador gostaria de admitir: o time continua competitivo, mas falta aquele detalhe essencial, um ataque que esteja à altura das ambições do clube no Brasileirão.
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