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Palmeiras tem prejuízo intangível com a ausência de Abel Ferreira

A suspensão de Abel Ferreira se tornou um dos temas centrais do futebol brasileiro nas últimas semanas, não apenas pelo tamanho da punição, mas, principalmente, pelo impacto direto no desempenho do Palmeiras dentro de campo.

O caso evidencia como a ausência de um treinador com forte influência tática e emocional pode gerar um efeito cascata em um time que se mostra altamente dependente de sua liderança, algo que ficou claro na partida diante do Corinthians com dois jogadores a mais.

Inicialmente, Abel foi punido com oito jogos de suspensão pelo STJD, resultado da soma de dois processos distintos por expulsões no Campeonato Brasileiro. A pena mais pesada, seis jogos, veio da expulsão no clássico contra o São Paulo, quando o treinador proferiu ofensas ao árbitro. Já os outros dois jogos foram consequência de sua expulsão diante do Fluminense, em um episódio de reclamação ríspida contra a arbitragem.

O enquadramento no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de condutas contrárias à ética esportiva, foi determinante para a severidade da punição. Além disso, o histórico recorrente de expulsões pesou contra o treinador, reforçando a interpretação de reincidência por parte do tribunal.

Diante disso, o Palmeiras recorreu da decisão, classificando a pena como desproporcional. O recurso surtiu efeito parcial: o STJD reduziu a punição de oito para sete jogos, diminuindo de dois para um jogo a pena referente ao episódio contra o Fluminense, enquanto manteve os seis jogos ligados ao clássico contra o São Paulo.

Com isso, considerando que Abel já havia cumprido parte da suspensão automática, ainda restam quatro jogos fora do banco, num período que pode ser decisivo para a sequência do Brasileirão, a qual o Palmeiras lidera.

Mas o ponto central não está apenas na punição em si, e sim no impacto esportivo. O Palmeiras de Abel Ferreira é um time profundamente moldado por seu treinador. Desde 2020, o português construiu uma identidade baseada em organização tática, leitura de jogo e capacidade de adaptação durante as partidas.

Abel Ferreira não é apenas um gestor de elenco, ele é o líder positivo e cérebro estratégico da equipe. Sua ausência no banco representa uma perda significativa em três dimensões principais.

A primeira é a gestão de jogo em tempo real. Abel é conhecido por fazer ajustes táticos durante as partidas, mudanças de sistema, posicionamento e pressão, que frequentemente alteram o rumo dos jogos. Sem ele à beira do campo, essas decisões ficam a cargo do auxiliar João Martins, que, embora capacitado, não possui a mesma autoridade nem o mesmo timing de intervenção do treinador principal. A comunicação indireta, muitas vezes feita antes do jogo ou no intervalo, não substitui a leitura dinâmica exigida durante os 90 minutos.

A segunda dimensão é o impacto emocional e psicológico. Abel é um técnico extremamente ativo, que pressiona arbitragem, motiva jogadores e interfere no ritmo do jogo com sua energia. Sua ausência tende a esfriar esse componente competitivo. Em jogos equilibrados, esse detalhe pode ser decisivo, especialmente em clássicos ou partidas eliminatórias.

A terceira é a liderança simbólica. Abel construiu uma relação forte com o elenco e com o ambiente do clube. Ele representa uma figura de comando que organiza não só o time, mas também o comportamento coletivo. Quando não está presente, há uma quebra nessa hierarquia perceptiva, ainda que o modelo de jogo seja mantido.

É importante destacar que, internamente, a comissão técnica do Palmeiras funciona de forma integrada. O próprio Abel já declarou que seus auxiliares atuam como treinadores. No entanto, na prática, existe uma diferença clara entre preparar um jogo e comandá-lo à beira do campo. A figura central continua sendo Abel.

Abel Ferreira, do Palmeiras, é um dos treinadores que faz mais a diferença dentro de campo
Abel Ferreira é um dos treinadores que faz mais a diferença dentro de campo (Imagem: Cesar Greco / Palmeiras)

 

Os efeitos da ausência de Abel Ferreira para o Palmeiras

Do ponto de vista competitivo, o prejuízo pode ser mensurado em pontos e desempenho. Em um calendário apertado, quatro jogos podem representar uma oscilação significativa no Brasileirão. A perda de pontos nesse período pode fazer a diferença no fim da competição.

Além disso, há um efeito indireto: a suspensão reforça um padrão de comportamento que já vinha sendo debatido no futebol brasileiro. Abel, apesar de extremamente vencedor, tem histórico de confrontos com arbitragem e isso pode gerar novas punições no futuro, criando um ciclo prejudicial ao clube.

Portanto, a redução da pena de oito para sete jogos ameniza, mas não resolve o problema. O Palmeiras segue pagando um preço alto por ficar sem seu principal líder técnico em um momento crucial da temporada, assim como foi visto no clássico diante do Corinthians.

E, mesmo com João Martins assumindo o comando à beira do campo, a ausência de Abel Ferreira representa uma lacuna difícil de preencher. É uma perda tática, emocional e simbólica, que gera uma necessidade de resposta dos jogadores.

Mais do que uma simples suspensão, trata-se de um teste de autonomia do elenco e da comissão técnica. E, atualmente, poucos times no Brasil tem o desempenho tão ligado ao seu treinador quanto o Palmeiras com  Abel Ferreira.

(Imagem de capa: Cesar Greco/Palmeiras)