Ronda Rousey está com luta marcada para enfrentar Gina Carano em um eventaço da Netflix e, se tratando de duas pioneiras do MMA feminino, a norte-americana decidiu falar um pouco sobre isso. Na visão dela, existe um trabalho incrível sendo feito pelas mulheres, porém ainda está faltando algo a mais, algo capaz de colocá-las em outros degraus, mais próximos da realidade do masculino, que simplesmente domina os holofotes.
E, pensando dessa forma, é muito raro ver movimentação nas redes sociais por parte das mulheres alfinetando outras, ou, pelo menos, esses pontos não andam sendo recomendados pelo algoritmo. Agora, abre o X e vê se não tem alguma fala de Paulo Costa, mais conhecido como Borrachinha, ou do sucesso do momento, Josh Hokit, onde estão falando besteira, mas algo que desperta o interesse de quem acompanha, querendo saber os motivos, os porquês.
A responsável por convencer Dana White a implementar o MMA feminino foi Ronda, então existe uma certa relevância da norte-americana na história da parada. Assim como Gina Carano também teve sua parcela nesse processo, sendo outra pioneira do movimento.
Ronda Rousey acredita que o MMA vai além das vitórias
É fácil pegar alguns nomes do UFC que fazem seu papel, entram no octógono, destroem seus adversários, mas possuem zero carisma. Nem forçados eles são, só não entregam nada mesmo. Movsar Evloev é um exemplo perfeito: estamos falando do número 1 do peso-pena, mas que encontra uma dificuldade absurda para ser colocado frente a frente com Alexander Volkanovski pelo título, porque não sabe vender suas lutas, não tem esse estilo.
E, no caso, é sobre isso que Ronda Rousey tem falado: as lutadoras entram, fazem seu papel, cumprem seus deveres, mas não jogam gasolina antes de atear fogo. Apenas pegam o fósforo, acendem e depois veem ele apagar. Não inflam a situação, e é muito raro ver polêmicas nesse meio. É necessário se movimentar para fazer o público se interessar pela luta.
“Acho que elas têm feito um trabalho incrível, mas acredito que muitas precisam perceber que simplesmente entrar lá e lutar não é todo o trabalho. É preciso pensar muito na mídia e em coisas assim, saber passar sua mensagem, porque o seu trabalho não é ganhar lutas, é fazer as pessoas assistirem às suas lutas”, disse Rousey.
Essa frase diz tudo, canetada absurda de Ronda Rousey. Não é tão comum ver lutas femininas que terminam em nocaute; as decisões e as finalizações acabam sendo caminhos mais frequentes. Isso, por si só, já afasta parte do público, deixando apenas quem realmente gosta do esporte, que entende todos os caminhos e a arte das lutas marciais.
Ronda Rousey vê necessidade em montar um enredo, uma história
Se pegar o recorte recente de Renato Moicano, dá para explicar bem esse cenário. Em meio a uma fase negativa, com uma sequência de derrotas, o brasileiro conseguiu cavar uma luta com Brian Ortega, em um momento em que os nomes do ranking da categoria não viam valor em enfrentá-lo. E aí entra um detalhe importante: Moicano já havia sido derrotado por Ortega foi sua primeira derrota no UFC.
Com isso, já existia uma história. Moicano tentando se reerguer justamente contra um algoz. Brian Ortega nem chegou a lutar novamente com o brasileiro porque se machucou, mas, enquanto isso não acontecia, o próprio Moicano fez questão de falar aos quatro ventos que amassaria o rival na revanche. Trouxe até o fator recente envolvendo Alex Pereira e uma ex-namorada do mexicano, ou seja, jogou gasolina antes de atear fogo.
É mais ou menos isso que Ronda Rousey gostaria de ver no MMA feminino: mais trash talk, mais provocação, mesmo que seja teatro. Pelo simples fato de conquistar os olhares do público e gerar interesse. Porque, convenhamos, nem todo mundo assiste às lutas só porque elas estão no card, muita gente troca de canal ou vai fazer outra coisa quando as mulheres entram em ação, e isso não ajuda em nada o crescimento da modalidade.
“É ótimo quando as pessoas estão acompanhando a marca e acabam vendo sua luta, mas acho importante que todas aprendam com isso, com o que eu e a Gina estamos fazendo e fizemos no passado. A gente não simplesmente aparece e luta. É contar uma história. Eu sempre pensei muito em tudo que poderia me ser perguntado. Aquela ‘explosão’ que eu tive não foi algo improvisado. Em algum momento alguém ia me perguntar aquilo, e eu estava preparada. Acho que muitas lutadoras hoje vão para a mídia e simplesmente improvisam, e isso fica evidente. Você precisa colocar o mesmo esforço na promoção quanto coloca na luta, se quiser que alguém assista à sua grande luta”, declarou Rousey.
É, no fim das contas, uma preocupação a mais para as lutadoras. Mas não dá para dizer que o retorno não viria, ainda mais vindo de alguém como Ronda Rousey, que está faturando milhões com a Netflix em uma única luta.
Foto: Sarah Stier/Netflix