Cade Cunningham tem muito a provar como Franchise Player
Basquete NBA

Cade Cunningham expõe as limitações do Pistons: Ele realmente é um franchise player?

O Detroit Pistons chegou aos playoffs da NBA de 2026 como o primeiro colocado do Leste, com 60 vitórias na temporada regular e muita expectativa em torno de Cade Cunningham. 

No entanto, a série contra o Orlando Magic está expondo problemas graves. Após perder o Jogo 4 por 109 a 107, o Pistons agora está em desvantagem de 3 a 1, e o principal responsável por essa situação delicada é o próprio Cunningham. 

O armador, que foi candidato ao MVP durante boa parte da temporada, vem apresentando um desempenho preocupante nos playoffs e levanta uma pergunta incômoda: ele realmente tem o perfil de um franchise player capaz de levar o time a títulos?

Há dois Cade Cunningham nesta temporada. O primeiro foi dominante, com médias de 24 pontos e 10 assistências, liderando o Pistons a uma campanha de elite. O segundo, o que estamos vendo nos playoffs, é bem diferente. 

Ele está acertando apenas 29% dos arremessos de três pontos, cometeu mais turnovers do que cestas em alguns jogos e tem sido o rosto de uma equipe que, apesar do favoritismo, está sendo dominada pelo 8º colocado do Leste.

Os problemas vão além de Cade, mas ele está no centro

É verdade que o Pistons tem limitações claras no elenco. O time terminou entre os piores da liga em tentativas e aproveitamento de três pontos. Ausar Thompson, titular como ala, não representa ameaça de fora e é constantemente ignorado pela defesa do Magic. Jalen Duren, que foi forte candidato a Most Improved Player, desapareceu nos playoffs, sendo dominado por Wendell Carter Jr. e outros pivôs adversários. Tobias Harris e Javonte Green também não oferecem criação consistente.

No entanto, todos esses problemas parecem convergir para Cunningham. Ele é o principal criador da equipe e, quando não consegue penetrar ou criar jogadas eficientes, o ataque do Pistons simplesmente para. Nos playoffs, sua eficiência no garrafão caiu drasticamente (52% nos arremessos próximos à cesta), e ele não consegue punir as defesas que se fecham para impedir suas infiltrações. 

O Magic está lotando a área pintada e desafiando Cunningham a arremessar de fora, algo que ele ainda não faz com consistência. A falta de criadores secundários também pesa. O Pistons apostou em Tobias Harris, Caris LeVert e Daniss Jenkins como suporte, mas nenhum deles consegue aliviar a pressão sobre Cunningham. 

A troca de Jaden Ivey por Kevin Huerter não resolveu o problema de criação. Em uma série onde cada posse vale ouro, a dependência excessiva de um único jogador se torna um calcanhar de Aquiles.

O colapso de Duren e a pressão sobre Cunningham

Jalen Duren foi uma das grandes histórias positivas da temporada regular, mas nos playoffs virou um problema. Sua produção caiu de forma drástica, e ele tem sido dominado fisicamente pelos pivôs do Magic. 

Aqui novamente o problema volta para Cunningham: ele é o responsável por alimentar Duren com passes no garrafão, mas vem cometendo muitos turnovers (24 nos últimos três jogos, recorde histórico em playoffs). Alguns desses erros vêm de pressão defensiva, mas muitos são fruto de decisões ruins, passes imprecisos ou descuidos com a bola.

Isso mostra que o problema não é só coletivo. Cade Cunningham ainda tem muito a evoluir como líder e como tomador de decisões sob pressão. Ser o franchise player exige mais do que bons números na temporada regular. Nos playoffs, onde as defesas se ajustam e o ritmo diminui, ele precisa elevar seu nível, algo que, até agora, não aconteceu.

Não é o fim do mundo para os Pistons e para o Cade Cunningham

Os Pistons têm um núcleo jovem e talentoso, mas a série contra o Magic está expondo as limitações do projeto. Se Cade Cunningham não conseguir se transformar em um jogador mais completo, especialmente no arremesso de três e na capacidade de criar sem a bola, o time terá dificuldade para avançar nas próximas pós-temporadas.

A diretoria precisa refletir sobre o elenco. A falta de arremessadores confiáveis e de criadores secundários é evidente. Cade não pode ser o único responsável por gerar pontos e assistências. O time precisa de mais opções para aliviar a carga.

Para Cunningham, o momento é de crescimento. Ele tem talento, visão de jogo e carisma para ser o rosto da franquia. No entanto, os playoffs estão mostrando que ele ainda não está pronto para carregar um time contender sozinho. Sua performance inconsistente nesta série pode ser um ponto de virada em sua carreira, para melhor, se ele usar a crítica como combustível, ou para pior, se não conseguir ajustar seu jogo.

O Detroit Pistons ainda tem tempo para corrigir o rumo. Mas a série contra o Magic serve como alerta: ter um bom jogador não é suficiente. É preciso ter um Franchise Player completo. No momento, Cade Cunningham ainda não provou que é esse jogador.

Foto: Imago.