O Boston Celtics foi derrotado por 106 a 93, fora de casa, pelo Philadelphia 76ers, no jogo 6 da 1ª rodada dos playoffs da NBA. Confira três fatores que contribuíram para o revés da equipe, que agora precisará vencer a partida decisiva da série, marcada para sábado (2).
A péssima performance ofensiva dos Celtics foi um grande empecilho

O Boston Celtics apresentou números preocupantes ao fim do 3° quarto. A equipe teve 10 arremessos a menos que o Philadelphia 76ers, cedeu quatro rebotes ofensivos a mais ao adversário e cometeu 12 turnovers, média de quatro perdas de posse por período.
Os Sixers somavam 82 pontos ao fim de três quartos, mas tinham aproveitamento inferior a 44% nos arremessos. A equipe de Boston até teve chances de capitalizar os turnovers do adversário, porém não conseguiu converter essas oportunidades em pontos. O ataque teve uma atuação ruim, muito influenciada por um ritmo lento na maioria das jogadas.
Durante a temporada, o técnico Joe Mazzulla utilizou com frequência jogadas de dois contra um para gerar espaços e criar diferentes leituras em cada situação. No entanto, nos últimos dois jogos, principalmente, observam-se ações mais lentas, com Jayson Tatum e Jaylen Brown aparecendo diversas vezes em situações de isolation, sem a mesma coesão do plano tático da equipe.
Ao final da partida, o Boston Celtics registrou 41.9% de aproveitamento nos arremessos, 29.3% nas bolas de três pontos e, talvez o dado mais preocupante, 56.3% nos lances livres, com sete erros em 16 tentativas. A equipe ainda aproveitou apenas 14 pontos dos 12 turnovers cometidos pelo Philadelphia 76ers.
Jaylen Brown teve também uma de suas piores atuações pelos Celtics

Jaylen Brown acertou alguns arremessos sob pressão, mas isso foi, em grande parte, consequência do ataque estático do Boston Celtics, no qual apenas o portador da bola se movimentava, enquanto o restante da equipe permanecia parado à espera da definição da jogada.
Isso tornava as jogadas mais previsíveis, expondo a equipe a possíveis turnovers que poderiam ser forçados por uma defesa em zona padrão, na qual os defensores não precisavam se deslocar previamente para interromper a posse. Os Celtics poderiam ter recorrido ao mesmo artifício que lhes trouxe bons resultados na temporada para explorar a defesa dos 76ers, mas isso, de forma surpreendente, não aconteceu no jogo 6.
De qualquer maneira, é preciso ressaltar o quão abaixo foi o desempenho de Jaylen Brown nesta partida. Ele marcou 18 pontos, mas teve apenas 45.8% de true shooting, cometeu cinco turnovers e fez quatro faltas, além de registrar um plus-minus de -24, que só não foi pior que o de Derrick White (-25). É difícil recordar um jogo tão abaixo de Brown como este último.
Os Celtics precisam de melhores jogos de Queta, sobretudo no garrafão do adversário

Neemias Queta atuou por 20 minutos no jogo 6, terminando a partida com quatro pontos e 11 rebotes (apenas um ofensivo) e dois tocos, com dois arremessos convertidos em cinco tentativas. O pivô também cometeu três faltas e registrou -14 de plus-minus.
O pivô também teve seu desempenho prejudicado pelo ataque estático e previsível do Boston Celtics, que limita sua participação ofensiva e o torna mais vulnerável à defesa adversária, como se os jogadores estivessem isolados em quadra, o que ajuda a explicar os apenas dois rebotes ofensivos registrados pela equipe em três quartos.
Neemias Queta foi um dos principais beneficiados pelas jogadas de dois contra um ao longo da temporada, destacando-se como um dos melhores da NBA em screen assists, estatística que mede os bloqueios que geram pontos, especialmente em ações de pick and roll.
Com um ataque baseado em pouca movimentação e excesso de jogadas individuais (hero ball), uma das principais virtudes do pivô ao longo da temporada deixa de aparecer, fator que havia sido determinante para colocá-lo entre os cinco primeiros na votação do prêmio de Jogador que Mais Evoluiu (MIP).
FOTO: Bill Streicher/Imagn Images