O Bahia vive mais uma temporada de altos e baixos que gera frustração na torcida. Após um 2025 promissor, o time voltou a mostrar instabilidade em 2026, com eliminação precoce na Pré-Libertadores para o O’Higgins e desempenho irregular no geral. A pergunta que não quer calar é: até que ponto essa irregularidade é responsabilidade de Rogério Ceni?
O técnico chegou ao clube com bom histórico, mas os resultados recentes colocam seu trabalho em xeque. O Bahia sofre muitos gols, apresenta oscilações constantes e não consegue manter um padrão de jogo consistente. Mesmo tendo peças de qualidade no elenco, o time parece longe de brigar por posições mais altas na tabela.
Defesa frágil e gols sofridos em excesso
Um dos principais problemas do Bahia sob comando de Ceni é a fragilidade defensiva. O time vem sofrendo gols com facilidade, tanto em jogos contra times grandes quanto contra adversários mais acessíveis. Essa vulnerabilidade não é nova, mas se agravou na temporada atual.
A eliminação na Pré-Libertadores para o O’Higgins, sem nem garantir vaga na Sul-Americana, expôs as limitações do setor. Mesmo com nomes experientes, a zaga e o meio-campo não conseguem proteger a meta de forma consistente.
O Bahia concede chances demais e falha em marcações simples. Rogério Ceni, conhecido por seu estilo ofensivo em outros clubes, parece não ter conseguido equilibrar o time. A falta de compactação entre as linhas e a lentidão em transições defensivas são recorrentes, o que sugere falha na implementação tática ou na cobrança diária.
Elenco atual tem qualidade, mas rende abaixo do potencial
O Bahia não tem um elenco ruim. Jogadores como Jean Lucas, Luciano Juba e Erick Pulga mostram talento e podem ser protagonistas em um time bem organizado. Juba, especialmente, vive boa fase, com versatilidade no meio e no ataque. Pulga traz velocidade e imprevisibilidade pelas pontas, enquanto Jean Lucas oferece criação e chegada na área.
Everton Ribeiro, por sua vez, já foi muito mais decisivo. Hoje, o meia apresenta queda técnica e física visível, o que é natural pela idade, mas reforça a necessidade de melhor gestão do grupo. Comparado ao time de alguns anos atrás, o atual Bahia tem nomes interessantes, mas falta entrosamento e intensidade coletiva.
O problema não parece ser apenas de material humano, mas de extração do potencial desses atletas. Ceni tem recebido apoio da diretoria e tempo para trabalhar, mas os resultados não acompanham. Um técnico experiente como ele deveria entregar mais consistência, especialmente em um clube que sonha com voos mais altos na Série A e em competições sul-americanas.
Eliminações precoces e cobrança crescente
A eliminação na Pré-Libertadores foi um duro golpe. Perder para o O’Higgins, time chileno de menor expressão, em casa ou fora, mostra que o Bahia não conseguiu impor seu ritmo contra adversários que, teoricamente, eram superáveis. Essa falha precoce tirou a chance de disputar a Sul-Americana e diminuiu o calendário do time, o que deveria ter sido aproveitado para ajustar o Brasileirão.
No campeonato nacional, o time alterna bons momentos com atuações abaixo da crítica. A irregularidade impede qualquer sequência positiva mais longa. Rogério Ceni carrega parte significativa dessa responsabilidade. Como comandante, cabe a ele ajustar o sistema, motivar o elenco e corrigir falhas evidentes, principalmente na defesa.
É claro que nem tudo é culpa do treinador. Lesões, adaptações e pressão da torcida influenciam. Porém, Ceni foi contratado justamente para dar identidade e estabilidade ao projeto. Até o momento, o time não transmite segurança e o futebol apresentado fica aquém do esperado para um clube com ambições maiores.
Hora de cobrar resultados concretos
Rogério Ceni ainda tem crédito, mas o tempo urge. O Bahia precisa de mais equilíbrio, especialmente na defesa, e de um meio-campo que proteja melhor a zaga. Jean Lucas, Juba e Pulga merecem um time mais organizado para brilhar. Everton Ribeiro precisa ser melhor aproveitado ou gerido de forma mais inteligente.
A irregularidade atual não é apenas “fase ruim”. Ela reflete escolhas táticas, gestão de grupo e capacidade de reação. Ceni precisa mostrar que pode tirar mais desse elenco. Caso contrário, a torcida e a diretoria terão razões válidas para questionar sua permanência. O Bahia tem potencial para mais. Falta transformar esse potencial em resultados consistentes.
Foto: Catarina Brandão/ECB.



