Rafael Fiziev UFC Baku
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Rafael Fiziev em risco: luta em Baku pode ser ponto de virada (ou queda)

O UFC já bateu o martelo: Rafael Fiziev está de volta. E não é exagero dizer que essa luta pode definir muita coisa na trajetória recente do cazaque dentro da organização. No dia 27 de junho, em Baku, ele encara Manuel Torres na luta principal do Fight Night, um confronto que tem cheiro de trocação franca desde o anúncio.

Se tem alguém que chega com algo a provar, esse alguém é Fiziev. O striker, que já foi visto como um dos nomes mais perigosos da divisão dos leves, vive hoje uma fase bem distante daquele hype. A derrota para Maurício Ruffy, em janeiro, não foi só mais um tropeço, foi um verdadeiro choque de realidade. Dominado e nocauteado, o cazaque saiu da luta com mais dúvidas do que respostas.

E o número que assusta não é pequeno: quatro derrotas nas últimas cinco lutas. No meio desse caminho, nomes pesados como Justin Gaethje (duas vezes) e Mateusz Gamrot apareceram para frear o embalo de Fiziev. A única vitória nesse período? Um triunfo por decisão contra Ignacio Bahamondes. Pouco para quem já sonhou alto na categoria.

Agora, o cenário é simples e direto: vencer ou começar a ver a elite da divisão cada vez mais distante.

Estilo explosivo de Fiziev, mas previsível?

Fiziev construiu sua reputação sendo um striker técnico, agressivo e extremamente plástico, prezando bastante por machucar o seu adversário ao máximo possível, muay thai puro. Seus chutes giratórios e combinações rápidas sempre foram um espetáculo à parte. O problema é que, nos últimos combates, essa previsibilidade começou a custar caro.

Contra adversários mais estratégicos ou simplesmente mais resistentes, o cazaque encontrou dificuldades para impor seu ritmo. E quando a luta não se desenvolve na trocação pura, ele passa a sofrer. Foi assim contra Gamrot, que usou o grappling, e também nas guerras contra Gaethje, onde acabou sendo superado na base da resistência e volume.

Contra Ruffy, o cenário foi ainda mais preocupante: além de não conseguir impor sua trocação, acabou sendo dominado e nocauteado. Um sinal claro de que algo precisa mudar, seja no ajuste tático, na defesa ou até na leitura de luta.

Manuel Torres: perigo real para Rafael Fiziev

Do outro lado, Manuel Torres chega com menos pressão, mas não menos perigo. O mexicano vive um momento completamente oposto ao de Fiziev. São cinco vitórias em seis lutas no UFC, todas por interrupção e, na maioria das vezes, ainda no primeiro round. Em outras palavras: o cara não costuma ficar muito tempo no octógono.

Torres é aquele típico lutador que não negocia, entrou, viu espaço, partiu para cima, simplesmente o que o UFC hoje está procurando, e neste caso, é a oportunidade perfeita para ele entrar nos rankings, e ser um sangue novo na parada. E isso casa perfeitamente com o estilo de Fiziev. A tendência? Uma luta sem muita enrolação e com alto risco para os dois lados.

Existe ainda um detalhe curioso que deixa o confronto ainda mais interessante: a única derrota recente de Torres foi justamente para Ignacio Bahamondes, o mesmo lutador que Fiziev venceu. Ou seja, existe uma espécie de “triângulo técnico” que adiciona ainda mais tempero ao duelo.

Mas vale o alerta: MMA não é matemática. O fato de Fiziev ter vencido Bahamondes não garante absolutamente nada aqui. Até porque Torres parece ter evoluído desde aquela derrota.

Trocação franca ou caos total?

Se alguém espera grappling intenso ou uma disputa estratégica no chão, talvez seja melhor ajustar as expectativas. Fiziev e Torres são lutadores que preferem resolver as coisas na mão, em pé, então pode esperar bastante sangue  emoção. E quando dois atletas com esse perfil se encontram, normalmente o roteiro é um só: pancadaria.

A questão é entender quem vai levar vantagem nesse cenário. Fiziev, em teoria, é o striker mais técnico e experiente. Mas vive um momento ruim e vem de um nocaute pesado. Torres, por outro lado, tem menos nome, mas chega com confiança lá em cima e um histórico recente assustador de finalizações rápidas.

É aquele clássico confronto entre experiência e momento. Técnica refinada contra agressividade pura. E, nesse tipo de luta, qualquer erro pode ser o último.

O que está em jogo para Fiziev?

Mais do que uma simples vitória, Fiziev precisa de uma resposta convincente. Não basta ganhar, é preciso mostrar evolução, adaptação e, principalmente, segurança dentro do octógono. A situação é de ter a necessidade de entregar algo, porque caso não consiga, ficará meio claro essa movimentação de escada para novos nomes que estão chegando ao UFC.

Uma derrota aqui pode empurrá-lo de vez para fora do radar dos grandes nomes da divisão. Já uma vitória, especialmente se for dominante, pode recolocá-lo na conversa e dar um novo fôlego à sua carreira, na intenção de voltar a ver algo semelhante ao apresentado contra Renato Moicano, onde Fiziev simplesmente embrulhou o brasileiro para presente.

No fim das contas, esse é o tipo de luta que o fã gosta: dois caras que não costumam recuar, com estilos agressivos e histórico de nocautes. Pode durar três rounds… mas a chance de terminar bem antes disso é enorme. Se piscar, perde.

(Foto: Divulgação/UFC)