A temporada 2024/25 do Manchester City terminou de forma muito diferente do que o torcedor estava acostumado nos últimos anos. Pela primeira vez em oito temporadas sob comando de Pep Guardiola, o clube encerrou o ano sem conquistar títulos importantes. E boa parte das discussões em torno dessa queda de rendimento passa diretamente pelo nome de Rodri.
O volante espanhol sofreu uma grave lesão no joelho ainda no início da temporada e acabou ficando afastado durante grande parte da campanha. Mesmo quando voltou, novos problemas físicos impediram uma sequência maior de jogos, incluindo lesões musculares e dores na região da virilha.
Naturalmente, a ausência do atual vencedor da Bola de Ouro virou um dos assuntos mais debatidos da temporada do City. Afinal, Rodri se consolidou nos últimos anos como um dos pilares absolutos do sistema de Guardiola, sendo peça central tanto na construção ofensiva quanto na proteção defensiva da equipe.
Guardiola tenta diminuir dependência do volante
Apesar disso, Guardiola vem tentando evitar a ideia de que todos os problemas do Manchester City estejam ligados exclusivamente à ausência do espanhol. Após o empate caótico por 3 a 3 contra o Everton, por exemplo, o treinador fez questão de minimizar a relação entre o resultado e a falta de Rodri.
Naquele jogo, o City chegou a abrir vantagem, mas sofreu três gols em apenas 13 minutos no segundo tempo antes de buscar o empate nos minutos finais com um golaço de Jeremy Doku. A defesa ficou extremamente exposta em vários momentos, e muitos apontaram justamente a ausência do volante como fator decisivo para o descontrole da equipe.
Guardiola, porém, adotou outro discurso. Segundo o treinador, os gols sofridos aconteceram por erros coletivos e individuais que não dependiam necessariamente da presença de Rodri em campo. Ainda assim, é impossível ignorar o impacto que o camisa 16 possui dentro do funcionamento tático do time.
Desde sua chegada ao City em 2019, os números deixam claro que a equipe se torna mais forte quando ele joga. O aproveitamento aumenta, o time sofre menos gols, controla mais a posse de bola e também produz ofensivamente com maior consistência.
Estatísticas mostram importância, mas também trazem outro lado
Ao mesmo tempo, algumas análises indicam que talvez o impacto da ausência de Rodri tenha sido um pouco exagerado ao longo da temporada. Mesmo sem o espanhol, o Manchester City conseguiu sobreviver em vários momentos importantes do calendário.
Entre o fim de setembro e o início de janeiro, período em que Rodri ficou fora por causa da grave lesão no joelho, o City venceu nove das 11 partidas disputadas. Isso mostra que o elenco ainda possui qualidade suficiente para competir em alto nível sem depender exclusivamente do volante.
Além disso, Guardiola vem tentando ajustar o sistema coletivo para reduzir essa dependência. Em alguns jogos, o City conseguiu controlar partidas utilizando uma circulação de bola mais rápida e dividindo responsabilidades entre outros meio-campistas do elenco.
O problema é que, nos confrontos mais intensos emocionalmente ou diante de adversários mais agressivos, a falta da inteligência posicional de Rodri acaba ficando evidente. Poucos jogadores no futebol mundial conseguem controlar ritmo de jogo, pressionar, recuperar bolas e organizar a saída com a mesma naturalidade do espanhol.
City sofre principalmente nos momentos de pressão
A partida contra o Everton acabou sendo um retrato perfeito disso. Em um estádio extremamente pressionante e em um duelo cheio de tensão pela disputa do título inglês, faltou justamente alguém capaz de esfriar o jogo nos momentos mais caóticos.
Rodri costuma exercer exatamente essa função. O volante raramente acelera partidas sem necessidade e normalmente ajuda o Manchester City a recuperar controle emocional dentro dos jogos mais difíceis. Sem ele, o meio-campo perdeu proteção e a defesa ficou vulnerável em vários contra-ataques.
Mesmo assim, os dados mostram que o desempenho coletivo do City não despencou totalmente sem o jogador. O clube continuou competitivo durante boa parte da temporada e ainda conseguiu chegar vivo em diferentes disputas até os momentos decisivos.
Isso alimenta um debate interessante na Inglaterra: Rodri é realmente insubstituível ou sua ausência acabou sendo usada como explicação exagerada para problemas mais amplos do elenco?
Temporada expõe necessidade de renovação no elenco
Independentemente da resposta, a atual temporada deixou claro que o Manchester City precisará passar por ajustes importantes nos próximos meses. Alguns jogadores importantes do ciclo vitorioso dos últimos anos já demonstram desgaste físico e queda de rendimento em momentos decisivos.
A dependência emocional e tática de Rodri também virou um alerta interno. Guardiola sabe que não pode permitir que todo o equilíbrio do sistema desapareça quando um único atleta está fora.
Por outro lado, o treinador continua enxergando o espanhol como peça absolutamente essencial. Há alguns anos, Guardiola chegou a definir Rodri como “o melhor meio-campista do mundo disparado”, e o status do jogador dentro do elenco segue praticamente o mesmo.
Agora, a expectativa do City é recuperar totalmente o volante para a reta final da temporada, que ainda inclui decisões importantes como a final da FA Cup contra o Chelsea. Afinal, mesmo que sua ausência talvez tenha sido um pouco superdimensionada em alguns momentos, poucos jogadores no futebol mundial conseguem transformar tanto o funcionamento coletivo de um time quanto Rodri faz no Manchester City.