Voltar para casa com apenas um ponto na bagagem pode ser algo desanimador para um time como o Palmeiras. Os torcedores poderiam imaginar uma vitória sobre o Remo, time que é um dos piores mandantes do Brasileirão, mas pelo contrário: o Verdão empatou e a atuação foi passível de críticas pertinentes. A queda de rendimento é notória e pareceu até piorar quando a equipe esteve com um a mais boa parte da segunda etapa.
Sem Abel Ferreira, em função do cumprimento da suspensão, a equipe exibiu o nível técnico de jogo e de estratégia muito abaixo do esperado. A partida no Mangueirão já dava indícios que seria diferente, já que houve um atraso na realização da partida em virtude da forte chuva em Belém (PA). Com um gramado encharcado e jogadores que não tem o perfil ideal para jogar em gramados pesados, o Palmeiras sofreu e viu os anfitriões abrirem o placar logo cedo, com Alef Manga.
Os dois maiores problemas do Palmeiras: as falhas individuais e a improdutividade

No lance do gol do Remo, ficou claro que houve uma falta de concentração de Murilo e Jefté, que não conseguiram impedir nem o passe de Yago Pikachu, tampouco a conclusão de Alef Manga. Claramente, o time entrou em uma rotatividade baixa. O que poderia ser explicado por estarem “frios” — resultado do atraso no apito inicial e na realização de dois aquecimentos pré-jogo.
O gol sofrido tornou-se, inclusive, um sinal de alerta para uma defesa que, constantemente, em outras épocas era elogiada. Neste início de Brasileirão, em 15 rodadas jogadas, o Alviverde foi vazado em 10. Além disso, se Murilo e Jefté foram alvos das críticas, Gustavo Gómez não ficou muito distante. O capitão perdeu duelos individuais no alto e sofreu dribles que não costumava tomar.
O Palmeiras até conseguiu o empate com Ramón Sosa, porém até nesta jogada precisou contar com uma falha defensiva adversária para marcar. O espírito competitivo foi reacendido após o gol do atacante paraguaio, mas o time pecou nas conclusões e desperdiçou chances de virar o duelo — principalmente nas tentativas de Flaco López e Allan.
O certame tomou outros contornos após a expulsão de Zé Ricardo, atleta do Remo. Em vantagem numérica, os alviverdes adotaram uma estratégia ineficaz e que reduziu o repertório criativo. Ao invés do time rodar a bola e buscar um companheiro livre, optou por cruzar bolas na área e limitar-se a ligações diretas — mesmo tendo homens com qualidade no passe no meio campo.
A polêmica do gol validado de Bruno Fuchs podemos até dar o braço a torcer, em função da dubiedade dos critérios de arbitragem. No entanto, não invalida que o Palmeiras, a todo momento, pareceu sem ideias e o empate no placar foi justo — condizente com a sua performance.
Rendimento baixo que já vem sendo abordado

É bem verdade que o Palmeiras não sabe o que é perder desde o dia 12 de março — a serem completados dois meses exatos amanhã —, mas os jogos desde este período até a 15ª rodada do Brasileirão são inevitavelmente insatisfatórios pela qualidade das peças do elenco palmeirense.
Na Libertadores, a equipe deixou pontos pelo caminho no empate contra o Cerro Porteño, fora de casa, e conquistou a vitória contra o Sporting Cristal, no Peru, de forma extremamente burocrática e protocolar. Por sinal, o duelo na capital paulista contra os peruanos, foi também repleta de imprecisão nos arremates e só conquistaram o triunfo por meio do gol de Flaco López de pênalti.
No Brasileirão, no clássico contra o Santos, a equipe alviverde passou longe de ser brilhante. O time sofreu e esteve muito mais próximo de perder do que somar pontos — uma clara evidência é que Carlos Miguel executou mais defesas que Gabriel Brazão no jogo inteiro.
Palmeiras na temporada 2026
O Palmeiras, desde que Abel Ferreira assumiu o clube, é sempre um dos postulantes aos títulos mais importantes do calendário brasileiro. Só que, em 2026, toda essa competitividade coexiste com a falta de inspiração e é algo que o time não se pode dar ao luxo ter — ainda mais tendo um concorrente (Flamengo) em ascensão e que pratica um melhor futebol.
O próximo desafio do Verdão é contra a Jacuipense, pelo jogo de volta da 5ª fase da Copa do Brasil. A partida ocorrerá na quarta-feira (13), às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio do Café, em Londrina (PR).
Créditos da foto de capa: Fernando Torres/AGIF