O Flamengo virou assunto neste último fim de semana por uma teoria que começou a circular entre torcedores e comentaristas: os jogadores “selecionáveis” do elenco estariam se poupando fisicamente pensando na Copa do Mundo de 2026?
Quando se olha para os nomes envolvidos, até dá para entender o surgimento da discussão. Pedro, Lucas Paquetá, Léo Ortiz, Léo Pereira, Alex Sandro e Danilo vivem cenário real de disputa por vaga na Seleção Brasileira, com espaço para alguns que já estão com o nome na lista. Em ano de Mundial, qualquer entrada mais forte já faz torcedor começar a rezar para não aparecer notícia de lesão minutos depois.
A ausência de Danilo pelo Botafogo neste último domingo contra o Corinthians diz bastante sobre isso. Ao simplesmente fugir do perigo, ainda mais com a realidade que está vivendo, com basicamente a certeza de ser vendido depois da Copa do Mundo na tentativa de salvar o Glorioso financeiramente.
Só que existe um detalhe importante nessa narrativa toda do Flamengo: ela não parece fazer muito sentido quando você observa o que realmente aconteceu dentro de campo diante do Athletico Paranaense.
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Se a equipe rubro-negra tivesse jogadores claramente “tirando o pé” para evitar risco físico, a postura seria completamente diferente. E honestamente? O time passou longe disso.
Paquetá apanhou o jogo inteiro e Pedro continuou se jogando nas bolas
Lucas Paquetá talvez tenha sido o maior símbolo disso tudo. O meia tomou entradas fortíssimas durante a partida, algumas daquelas divididas que fazem qualquer torcedor da Seleção congelar na frente da televisão. Mesmo assim, não mudou postura em nenhum momento. Continuou chamando o jogo, segurando bola, girando sob pressão e tentando acelerar as jogadas.
O mesmo vale para Pedro. O atacante não demonstrou comportamento de alguém preocupado em evitar movimentos de risco. Brigou fisicamente com os zagueiros, tentou jogadas acrobáticas e se lançou em oportunidades dentro da área como sempre fez, é claro que encontrou dificuldades dentro das quatro linhas, mas foi coroado com o gol do empate.
Isso desmonta bastante a ideia de um elenco preocupado em “sobreviver” até a Copa. Porque jogador querendo realmente se preservar costuma evitar justamente esse tipo de situação: contato pesado, dividida forte e movimentos agressivos fisicamente. E não foi o que aconteceu.
O que parece muito mais evidente é outro cenário: o Flamengo está cansado.
O desgaste físico do Flamengo começa a aparecer
Existe uma diferença enorme entre um time sem vontade e um time fisicamente desgastado. E talvez muita gente esteja confundindo essas duas coisas.
O Flamengo vem atravessando uma sequência pesada de jogos, decisões e viagens, enquanto começa a sofrer com ausências extremamente importantes no elenco. E isso muda completamente o funcionamento da equipe.
As lesões de Giorgian de Arrascaeta e Erick Pulgar mexem diretamente na espinha dorsal do time. Arrascaeta é o principal cérebro criativo da equipe, sem esquecer do seu poder de decisão. Pulgar talvez seja o jogador que mais dá sustentação física e equilíbrio ao meio-campo, contou até com uma boa substituição de Evertton Araújo nesses últimos jogos, mas é difícil de comparar os dois, valendo lembrar que o brasileiro também era desfalque neste confronto..
Sem eles, o Flamengo perde controle de jogo. E o cenário ficou ainda mais complicado diante do Athletico, já que Gonzalo Plata, Luiz Araújo e Nicolás de la Cruz também ficaram fora. A profundidade do elenco diminui. O nível físico cai. E a equipe começa a perder intensidade principalmente na pressão e na circulação ofensiva.
Não é coincidência que o Flamengo tenha parecido mais pesado em campo.
O sintético do Athletico potencializa esse problema
E existe um outro fator importante que muita gente ignora: o contexto do jogo. Atuar no gramado sintético do Athletico muda completamente o ritmo da partida. A bola corre mais rápido, os duelos físicos ficam mais intensos e o jogo ganha um aspecto muito mais frenético.
Para equipes extremamente físicas e verticais, isso pode até ajudar. Mas o Flamengo colocado para atuar neste confronto possuia muitos jogadores técnicos que preferem trabalhar a bola no chão, controlando posse e acelerando no momento certo, Saúl não vai conseguir tirar muito proveito do sintético, assim como Léo Ortiz seguiu pelo mesmo caminho, enquanto jogava de primeiro volante.
Sem Arrascaeta e De La Cruz, justamente dois dos jogadores mais importantes nesse tipo de construção, o time perdeu ainda mais capacidade de controlar o jogo. E quando o físico já não está 100%, o sintético parece deixar tudo ainda mais pesado.
A sensação visual acaba enganando um pouco. O torcedor vê um time chegando atrasado em algumas jogadas, menos explosivo ou sem a mesma intensidade habitual e rapidamente associa isso à falta de vontade ou “medo” de lesão. Só que, na prática, muitas vezes o problema é simplesmente desgaste acumulado.
Copa mexe com o subconsciente, mas não explica a atuação
Claro que a proximidade da Copa do Mundo mexe com qualquer atleta. Isso é inevitável.
Danilo e Alex Sandro sabem que provavelmente vivem uma das últimas chances de disputar um Mundial em alto nível. Pedro quer consolidar espaço definitivo na Seleção, mesmo que a briga esteja completamente incessante. Paquetá tenta recuperar protagonismo completo dentro do ciclo.
É óbvio que ninguém quer sofrer uma lesão grave agora. Mas transformar isso na principal explicação para a queda de desempenho do Flamengo parece simplificar demais uma situação muito mais complexa.
Até porque o comportamento dentro de campo não foi de um time tentando evitar guerra física. Muito pelo contrário. O Flamengo suportou um confronto pesado contra o Athletico, encarou entradas duras e continuou brigando pelo jogo o tempo inteiro.
O que realmente parece estar acontecendo é um desgaste físico natural de uma equipe que joga muitas partidas importantes, perdeu peças fundamentais e precisou atuar em um contexto extremamente intenso no sintético.
O Flamengo parece cansado, não acomodado
Talvez essa seja a melhor forma de resumir o momento atual do Flamengo. O time parece cansado. E isso é completamente diferente de acomodado ou desconcentrado pensando em Copa do Mundo.
A temporada cobra caro fisicamente, principalmente de equipes que brigam em várias frentes ao mesmo tempo. Quando começam as ausências importantes, o impacto aparece rapidamente dentro de campo.
E no caso do Flamengo, qualquer oscilação ganha proporção enorme porque o clube vive permanentemente sob pressão e expectativa máxima.
Mas se existe uma conclusão razoável após o duelo diante do Athletico, talvez seja justamente essa: os jogadores podem até pensar na Copa do Mundo em algum momento, porque isso é humano. Só que dentro das quatro linhas, ninguém ali parecia disposto a fugir da pancadaria.
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