26 convocados: três goleiros, nove defensores, cinco meio-campistas e nove atacantes. Essa é a Seleção Brasileira convocada para a Copa do Mundo de 2026. A lista de Carlo Ancelotti pode até ter sido muito elogiada, mas é impossível ignorar a desproporcionalidade entre as opções para o ataque e o meio-campo.
Esse é um dilema que vai além das escolhas de Ancelotti — que certamente não é o culpado pela situação. A pergunta que fica é: o que aconteceu com a geração de meio-campistas que já foi representada por Zico, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Gérson e Rivellino?
O desaparecimento gradual dos “camisas 10”

O futebol moderno tem sua parcela de culpa nesse aspecto. Em muitos casos, os meio-campistas se transformaram em atacantes e passaram a atuar em uma faixa mais avançada do campo. Na atual Seleção, existe o que parece ser um abismo entre a quantidade de opções para um setor e para o outro.
O esquema de Carlo Ancelotti, um 4-2-4, já é uma evidência de que os meias têm cada vez menos espaço no time titular. São apenas duas peças no meio-campo para quatro jogadores ofensivos — uma proporção de um para dois.
A principal evidência disso está na figura de Neymar. O jogador do Santos iniciou a carreira como ponta e atacante em diversas ocasiões, mas acabou deslocado para a armação por conta da sua qualidade no passe. Tudo isso ajuda a evidenciar a carência de camisas 10 tradicionais e mostra como essa tendência se tornou global.
Em diferentes momentos da carreira, alguns dos nove atacantes convocados chegaram a atuar como meias: Matheus Cunha, Raphinha e o próprio Neymar são exemplos disso. A lista poderia até ganhar mais um integrante caso Rodrygo não tivesse se lesionado. Ainda assim, o cenário preocupa, principalmente porque toda campanha vitoriosa da Seleção em Copas contou com um meio-campista de destaque.
Inclusive, opções não faltaram ao longo do ciclo para cumprir essa função: Matheus Pereira, Andreas Pereira, Raphael Veiga, André e Gerson estiveram presentes em diferentes momentos, mas não conseguiram se firmar ou ter atuações realmente marcantes. Até jogadores que apareceram na pré-lista de Ancelotti passaram por situação semelhante, como Andrey Santos, João Gomes, Danilo Santos e Lucas Paquetá — sendo que os dois últimos garantiram vaga no limite.
Muito ataque, pouca construção

No time titular, Casemiro e Bruno Guimarães aparecem como os principais nomes do meio-campo. Porém, ambos ocupam basicamente o mesmo setor, ainda que exerçam funções diferentes: um atua mais na distribuição, enquanto o outro é responsável pela contenção.
Ao mesmo tempo, a equipe conta com quatro jogadores ofensivos — normalmente dois pontas e dois atacantes. Nesse contexto, ter um meia capaz de organizar o jogo e potencializar a velocidade dos homens de frente torna-se algo crucial. Essa configuração pode, inclusive, acabar sufocando funções importantes dentro da equipe.
Sustentar, organizar e criar sempre foram pilares fundamentais do futebol brasileiro. Quando há desequilíbrio nesse tripé, a tendência é que uma dessas funções acabe escanteada. Assim, o Brasil colhe não apenas o preço da escassez de novos meias, mas também da adaptação às tendências mais físicas e verticais do futebol europeu.
Brasil inicia preparação para a Copa do Mundo
A Seleção Brasileira estreia contra Marrocos no dia 13 de junho, às 19h (horário de Brasília). A partida será disputada no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos.
Antes disso, os jogadores convocados por Carlo Ancelotti se apresentarão à comissão técnica para a preparação visando os amistosos contra Panamá, no dia 31 de maio, e Egito, em 6 de junho. Ambos os adversários também estarão na Copa do Mundo de 2026.
Créditos da foto de capa: Getty/GOAL