O Botafogo confirmou sua superioridade e venceu o Independiente Petrolero por 3 a 0, em Assunção, resultado que garantiu a classificação alvinegra para a próxima fase da Copa Sul-Americana. O placar, porém, poderia ter sido muito mais elástico se não fosse a atuação gigantesca do goleiro Gutiérrez, protagonista absoluto do lado boliviano e responsável por evitar uma goleada histórica.
A equipe boliviana não pôde atuar na altitude de Sucre e acabou levando o duelo para o Paraguai, mas nem a mudança de cenário conseguiu equilibrar as forças em campo. O Botafogo dominou praticamente os 90 minutos, criou uma quantidade absurda de oportunidades e pressionou o adversário desde os primeiros movimentos da partida. Foram 41 finalizações, oito grandes chances, 16 defesas do goleiro e 6.51 de gols esperados.
Com a vitória, o Glorioso chegou aos 13 pontos e confirmou matematicamente a vaga na próxima fase da competição continental. Ainda assim, a liderança do grupo segue aberta, dependendo do resultado entre Caracas e Racing. O time carioca, porém, fez sua parte com autoridade.
O jogo
O início da partida foi um verdadeiro massacre territorial do Botafogo. O time de Franclim Carvalho ocupou o campo ofensivo desde o primeiro minuto, trocando passes com velocidade e empurrando o Independiente Petrolero para dentro da própria área. A única razão para o placar não ter sido aberto imediatamente se chamou Gutiérrez.
Logo nos primeiros ataques, o goleiro boliviano protagonizou uma defesa impressionante em finalização de Villalba praticamente na pequena área. Pouco depois, Alex Telles cobrou falta venenosa, Gutiérrez se atrapalhou na saída e o travessão acabou salvando os bolivianos.
A pressão era constante. O Botafogo acelerava pelos lados, empilhava cruzamentos e encontrava espaços com facilidade entre as linhas defensivas do adversário. O Petrolero praticamente não conseguia sair jogando e sobrevivia graças à atuação inspirada do seu camisa 1.
O gol finalmente saiu aos 23 minutos. Após uma jogada muito bem trabalhada pelo meio, Medina venceu a dividida na entrada da área, avançou sozinho diante do goleiro e mostrou frieza para driblar Gutiérrez antes de empurrar para o gol vazio. O lance premiou a insistência botafoguense e deu ainda mais tranquilidade para a equipe controlar o restante do confronto.
Mesmo diminuindo o ritmo em alguns momentos, o Botafogo continuou muito superior até o intervalo. Villalba voltou a desperdiçar uma grande oportunidade cara a cara com Gutiérrez, enquanto Kauan Toledo acertou a trave após cruzamento preciso de Alex Telles. O placar mínimo parecia pequeno diante do volume ofensivo carioca.
O segundo tempo seguiu exatamente o mesmo roteiro. O Botafogo voltou pressionando e o goleiro boliviano continuou acumulando defesas importantes. Logo nos primeiros minutos, Villalba apareceu novamente livre dentro da área e parou em mais uma intervenção decisiva de Gutiérrez. Na sequência, Kauan Toledo saiu sozinho na frente e também foi derrotado pelo arqueiro.
As substituições feitas por Franclim Carvalho mantiveram o ritmo da equipe. Quem entrava seguia encontrando espaços e levando perigo. Chris Ramos, por exemplo, teve boa oportunidade logo após entrar, mas novamente encontrou o goleiro inspirado do Petrolero.
A sensação era de que o segundo gol sairia inevitavelmente em algum momento. E ele finalmente apareceu aos 36 minutos. Após cruzamento vindo da direita, Barrera aproveitou a sobra dentro da área, tirou do goleiro e ampliou para o Glorioso. O lance praticamente encerrou qualquer esperança de reação boliviana.
Ainda houve tempo para o terceiro gol fechar a atuação dominante. Joaquín Correa recebeu passe de Barrera, finalizou para nova defesa de Gutiérrez, mas a bola rebateu em Eduardo antes de morrer no fundo das redes. O 3 a 0 traduziu apenas parcialmente o tamanho da superioridade botafoguense.
Botafogo tem atuação dominante, vence e encaminha liderança tranquila
A atuação coletiva foi extremamente sólida. Medina comandou bem o meio-campo, Alex Telles participou ativamente da construção ofensiva e Villalba foi um tormento constante para a defesa adversária, apesar das chances desperdiçadas. Barrera e Joaquín Correa também entraram muito bem na reta final.
Mas o grande destaque da noite, curiosamente, acabou sendo o goleiro derrotado. Gutiérrez fez uma sequência impressionante de defesas difíceis e evitou um placar muito mais pesado para o Independiente Petrolero. A diferença técnica entre as equipes ficou evidente durante todo o confronto.
Do ponto de vista tático, o Botafogo mostrou maturidade e controle absoluto. O time alternou intensidade alta com momentos de posse paciente, sem permitir praticamente nenhuma ameaça ao próprio gol. A pressão pós-perda funcionou muito bem, sufocando completamente a saída boliviana.
A classificação confirma a boa campanha alvinegra na Sul-Americana e reforça o crescimento da equipe sob o comando de Franclim Carvalho. Mais do que vencer, o Botafogo mostrou autoridade continental, algo fundamental para equipes que pretendem chegar longe em torneios sul-americanos.
O único ponto que pode gerar alguma reflexão é a eficiência ofensiva. Apesar dos três gols marcados, o volume criado indicava potencial para uma goleada ainda maior. Contra adversários mais qualificados, desperdiçar tantas oportunidades pode custar caro.
Ainda assim, o saldo da noite é extremamente positivo. O Botafogo dominou do início ao fim, confirmou a classificação e deixou claro que chega forte para o mata-mata da competição. O placar foi confortável. A atuação, dominante. E o resultado só não entrou para a história como uma goleada gigantesca porque Gutiérrez resolveu fazer uma das melhores partidas de sua carreira.
(Foto: Vitor Silva/Botafogo)

