A temporada do Liverpool ficou muito distante do cenário imaginado no início do ano. Após conquistar a Premier League em sua primeira temporada no comando da equipe, Arne Slot entrou em 2026 cercado por expectativas altas. A continuidade do trabalho parecia natural e muitos acreditavam que o clube estava pronto para iniciar uma nova era após a saída de Jurgen Klopp.
Mas o cenário mudou rapidamente.
Eliminações, queda de rendimento, perda de consistência e uma distância muito grande entre o desempenho apresentado no ano anterior e o desta temporada fizeram crescer questionamentos sobre o futuro do treinador holandês em Anfield. A situação ganhou ainda mais força após episódios recentes envolvendo Mohamed Salah, que publicou uma mensagem pedindo a volta do chamado “futebol heavy metal”, estilo que marcou a era Klopp e que muitos interpretaram como uma crítica indireta ao atual modelo de jogo.
Mesmo com todo esse contexto, os sinais vindos internamente apontam para uma direção completamente diferente: Arne Slot continua extremamente prestigiado pela diretoria do Liverpool.
E a possível contratação de Etiënne Reijnen especialista em bola parada, que trabalhou com Slot, pode ser a maior prova disso até aqui.
Liverpool tenta corrigir uma das maiores fraquezas da temporada

No futebol moderno, as bolas paradas ganharam importância cada vez maior.
Em alguns campeonatos europeus recentes, estudos mostram que entre 25% e 35% dos gols surgem justamente desse tipo de jogada. Escanteios, faltas laterais e movimentações ensaiadas passaram a ter praticamente departamentos exclusivos dentro dos clubes.
E foi justamente nesse aspecto que o Liverpool apresentou um de seus maiores problemas nesta temporada.
Os números mostram isso de forma clara.
A equipe sofreu 20 gols originados em jogadas de bola parada na Premier League, a pior marca da competição.
Esse dado chama ainda mais atenção quando comparado ao trabalho desenvolvido por Etiënne Reijnen no Feyenoord.
O profissional trabalhou ao lado de Arne Slot anteriormente, primeiro como companheiro de equipe no PEC Zwolle e depois integrando sua comissão técnica no clube holandês.
Durante três temporadas no Feyenoord, os números defensivos da equipe em bolas paradas foram extremamente sólidos.
O time sofreu apenas 17 gols nesse tipo de situação durante todo o período, melhor marca de toda a Eredivisie.
Ofensivamente os números também chamam atenção.
Somente o PSV marcou mais gols originados de jogadas de bola parada ao longo do mesmo período.
Na prática, isso mostra que Reijnen não trabalha apenas para evitar gols, mas também para transformar esse fundamento em uma arma ofensiva.
A diferença fica evidente quando comparada ao Liverpool atual.
Durante vários momentos da temporada, a equipe apresentou dificuldades para defender cruzamentos, organizar marcações em escanteios e controlar movimentações dentro da área.
Em jogos equilibrados, pequenos detalhes acabaram custando pontos importantes.
Mais do que reforço técnico, contratação pode representar apoio total a Slot
A chegada de Reijnen não teria apenas impacto dentro do campo.
Talvez o aspecto mais relevante esteja justamente na mensagem que essa movimentação envia.
Inicialmente, Slot já havia tentado levar o profissional para Liverpool quando assumiu o clube, mas questões relacionadas ao visto de trabalho impediram a mudança.
Agora, com a situação sendo retomada, a impressão é de que a diretoria continua entregando ao treinador exatamente as ferramentas que ele considera necessárias.
E isso acontece em um momento de forte pressão externa.
Nos últimos meses surgiram diversas discussões sobre o futuro de Slot. Parte da imprensa inglesa passou a debater se a queda de desempenho poderia gerar mudanças no comando técnico.
Mas praticamente todos os relatos mais consistentes apontaram para a mesma direção: o treinador nunca esteve realmente ameaçado.
Existe uma explicação importante para isso.
Internamente, o título da Premier League conquistado apenas uma temporada antes ainda possui enorme peso.
Além disso, vários fatores contribuíram para a queda recente do Liverpool.
Entre eles aparece um elemento impossível de mensurar apenas através de números: a perda de Diogo Jota.
Robertson revelou recentemente que a morte do companheiro afetou profundamente o elenco durante a preparação da temporada. O próprio jogador afirmou que ninguém estava realmente pensando em futebol naquele período.
Situações como essa criam impactos emocionais difíceis de calcular.
Ao mesmo tempo, o Liverpool também passou por mudanças naturais de elenco, ajustes de estilo de jogo e adaptações após o fim de uma das eras mais marcantes da história recente do clube.
Talvez seja justamente por isso que a diretoria não enxergue o momento atual como motivo para ruptura.
A possível chegada de Reijnen parece mostrar exatamente essa visão.
Mais do que corrigir uma deficiência técnica nas bolas paradas, o Liverpool parece estar deixando claro que continua acreditando no projeto iniciado por Arne Slot.
E em um ambiente onde rumores normalmente surgem rapidamente, talvez essa seja a demonstração mais forte de apoio ao treinador até agora.
(Foto de capa: IMAGO)

