Grêmio x Botafogo, Carlos Vinícius - Copa do Brasil
Futebol Copa do Brasil

Copa do Brasil e os 3 clubes grandes mais prováveis de cair nas oitavas

A Copa do Brasil sempre tem aquele charme especial. É o torneio onde os “mais fortes” tropeçam, onde o “mais fraco” organizado cresce e onde crise vira desespero em apenas dois jogos. E olhando para o cenário atual do futebol brasileiro, existem alguns clubes tradicionais que chegam nas oitavas de final cercados por muito mais dúvidas do que confiança.

Nem sempre camisa pesada resolve quando o futebol apresentado está devendo, e isso já foi mostrado em inúmeras oportunidades na América do Sul, na Europa… E sinceramente? Alguns gigantes parecem entrar nesta fase mais na base da reza, superstição e esperança de um gol achado do que propriamente por segurança dentro de campo.

Entre os clubes mais ameaçados, três nomes chamam muita atenção: Santos, Grêmio e Atlético Mineiro. Cada um por motivos diferentes, mas todos com problemas claros que podem transformar agosto num mês bastante doloroso.

Copa do Brasil e suas belas narrativas para os “mais fracos”

Santos vive cenário perigosíssimo e pode chegar desmontado nas oitavas

O Santos talvez seja hoje o exemplo mais claro de um clube tentando sobreviver em várias frentes sem possuir elenco suficiente para isso. Dá para dizer que o Remo comemorou ao ver o Peixe no sorteio, assim como o clube paulista ficou feliz em cair contra o time nortista, esse é o principal ponto a ser falado sobre esse embate.

O alvinegro praiano está disputando Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana, mas olhando friamente para o elenco, fica difícil acreditar que conseguirá sustentar competitividade real em todas essas competições ao mesmo tempo. E sejamos honestos: o Brasileirão virou prioridade absoluta.

Um novo rebaixamento seria devastador financeiramente, esportivamente e até institucionalmente para o clube. Então, mesmo que ninguém admita publicamente, existe uma sensação clara de que alguma competição provavelmente será sacrificada no meio do caminho.

O problema é que o cenário pode piorar muito até agosto.

Segundo informações recentes, Gabriel Brazão pode ser negociado na próxima janela de transferências. Gabriel Bontempo também começa a despertar atenção do mercado depois de finalmente ganhar espaço no elenco principal. E existe ainda a enorme incerteza envolvendo Neymar.

O camisa 10 retornou para recolocar o Santos nos holofotes, mas seu principal objetivo continua sendo a Copa do Mundo de 2026. Com o desgaste físico constante do calendário brasileiro e os problemas físicos recentes do clube, não seria surpreendente se Neymar optasse por encerrar sua passagem antes do esperado. E aí aparece o grande problema: quem garante que o Santos conseguirá repor essas peças minimamente à altura?

Hoje, o elenco já possui carências gritantes. Laterais inconsistentes, meio-campo pouco criativo, defesa instável e um ataque extremamente dependente de lampejos individuais. O time parece viver permanentemente no limite.

E mata-mata não costuma perdoar equipes frágeis emocionalmente.

Atlético Mineiro evoluiu, mas ainda está longe de transmitir segurança

O Atlético Mineiro melhorou desde a chegada de Eduardo Domínguez. Isso é fato.

A equipe começou a apresentar sinais mais organizados, defensivamente parece um pouco menos perdida e alguns jogadores cresceram de rendimento nas últimas semanas. Mas existe uma diferença importante entre “melhorar” e “virar um time sólido”.

O Atlético ainda oscila bastante.

Em muitos jogos, o time alterna bons momentos com apagões completos. Existem partidas em que a equipe controla ações durante 30 minutos e depois simplesmente desaparece em campo. Isso é extremamente perigoso em confrontos eliminatórios.

E o adversário das oitavas não permite relaxamento algum.

O Juventude talvez não tenha o peso histórico do Galo, mas vem construindo uma campanha muito respeitável. O time já eliminou o São Paulo anteriormente e claramente chega com confiança elevada para essa fase.

Além disso, o Juventude possui uma característica extremamente incômoda: organização.

Mesmo sem um elenco estrelado, a equipe compete intensamente, sabe sofrer sem bola e consegue transformar jogos físicos em verdadeiras armadilhas para adversários tecnicamente superiores. É aquele típico time que entra como zebra, mas que claramente ninguém quer enfrentar.

E sinceramente? O Atlético ainda não passa confiança suficiente para ser tratado como amplo favorito.

Principalmente porque o clube mineiro segue esbarrando em problemas que parecem antigos: dificuldade de manter intensidade, falhas defensivas em momentos decisivos e certa ansiedade quando os jogos ficam emocionalmente mais pesados.

Em Copa do Brasil, isso costuma custar caro.

Grêmio parece perdido enquanto o Mirassol vive seu melhor momento no ano

Talvez nenhum gigante brasileiro entre nas oitavas da Copa do Brasil tão cercado de pessimismo quanto o Grêmio.

O trabalho de Luís Castro ainda não conseguiu criar uma identidade clara para a equipe. O time tropeça constantemente, alterna formações sem conseguir estabilidade e parece cada vez mais distante daquela competitividade histórica que o torcedor gremista costuma exigir. E o pior é que os problemas aparecem em praticamente todos os setores.

O Grêmio sofre defensivamente, cria pouco ofensivamente e demonstra enorme dificuldade para controlar jogos. Muitas partidas parecem depender exclusivamente de momentos individuais ou bolas paradas salvadoras. Quando isso não acontece, o time simplesmente se perde em campo.

Só que o destino resolveu ser ainda mais cruel. Do outro lado estará o Mirassol, justamente num momento em que a equipe de Rafael Guanaes voltou a crescer na temporada.

O Mirassol retomou vitórias no Brasileirão, voltou a demonstrar confiança e ainda garantiu classificação para as oitavas da Copa Libertadores. Ou seja: enquanto o Grêmio tenta desesperadamente encontrar soluções, o adversário parece finalmente ter encontrado o caminho das pedras. E isso muda completamente o peso psicológico do confronto.

Claro, em mata-mata de Copa do Brasil tudo pode acontecer. São apenas dois jogos. Um gol cedo, uma expulsão, uma noite inspirada e qualquer cenário muda completamente. O problema é que hoje o Grêmio transmite muito mais sensação de instabilidade do que confiança.

E quando um gigante entra pressionado demais numa Copa do Brasil, a chance de virar manchete negativa aumenta rapidamente. Porque diferente dos pontos corridos, aqui não existe muito tempo para se recuperar. Um jogo ruim pode destruir meses inteiros de temporada.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA