Durante mais de duas décadas, o futebol mundial foi marcado pela disputa entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Os dois dominaram premiações individuais, quebraram recordes, conquistaram títulos por clubes e protagonizaram uma rivalidade que atravessou gerações. Agora, às vésperas da Copa do Mundo de 2026, os dois ídolos se preparam para escrever mais um capítulo de uma história que parece não ter fim.
O Mundial disputado nos Estados Unidos, México e Canadá tem potencial para ser histórico. Afinal, Ronaldo e Messi devem se tornar os primeiros jogadores da história a disputar seis edições diferentes da Copa do Mundo. Além disso, existe a possibilidade de um confronto direto entre Portugal e Argentina no mata-mata, cenário que poderia proporcionar o último encontro entre duas das maiores lendas que o esporte já viu.
Mas quando o assunto é Copa do Mundo, quem leva vantagem nos números?
Messi construiu vantagem estatística ao longo das últimas Copas

Durante muitos anos, Cristiano Ronaldo manteve números superiores aos de Messi em Copas do Mundo. Antes da edição de 2022, por exemplo, o português tinha sete gols no torneio, enquanto o argentino possuía seis.
O cenário mudou completamente no Catar.
Messi realizou a melhor Copa de sua carreira e terminou a competição com sete participações diretas em gols, sendo responsável por gols e assistências em praticamente todas as fases decisivas da campanha argentina.
Hoje, o camisa 10 possui 13 gols em Copas do Mundo, contra oito de Cristiano Ronaldo. Nas assistências, a diferença também é significativa: sete para Messi e apenas duas para o português.
Os números ganham ainda mais peso quando analisados dentro do contexto dos jogos decisivos.
Nas oitavas de final de 2022, Messi marcou contra a Austrália. Nas quartas, fez um gol e deu uma assistência diante da Holanda. Na semifinal, voltou a balançar as redes contra a Croácia. Já na final contra a França, marcou duas vezes e converteu sua cobrança na disputa por pênaltis.
Foi uma sequência de atuações que transformou definitivamente sua relação com a Copa do Mundo.
Até então, o argentino convivia com críticas por nunca ter conquistado o principal torneio do futebol. O título no Catar encerrou esse debate e fortaleceu ainda mais sua candidatura ao posto de maior jogador da história.
Cristiano ainda busca uma campanha histórica com Portugal

Se Messi alcançou o topo em 2022, Cristiano Ronaldo chega à Copa de 2026 com um objetivo diferente.
O português já construiu uma carreira repleta de feitos históricos. É o jogador com mais partidas por seleções nacionais, o maior artilheiro da história do futebol internacional e o primeiro atleta a marcar gols em cinco Copas do Mundo diferentes.
No entanto, o Mundial continua sendo a grande lacuna em sua trajetória.
A melhor campanha de Ronaldo aconteceu em 2006, quando Portugal terminou a competição na quarta colocação. Desde então, a seleção portuguesa alternou eliminações precoces e campanhas sem grande protagonismo.
Em 2010, caiu para a Espanha, futura campeã. Em 2014, sequer avançou da fase de grupos. Em 2018, foi eliminada pelo Uruguai nas oitavas de final. Já em 2022, acabou derrotada por Marrocos nas quartas de final.
A edição de 2026 pode representar sua última oportunidade de alcançar uma campanha realmente marcante em uma Copa do Mundo.
Mesmo aos 41 anos, Ronaldo continua sendo uma referência ofensiva para Portugal e chega ao torneio após mais uma temporada com números expressivos pelo Al Nassr.
A Copa de 2026 pode reservar o último capítulo da rivalidade
Além dos recordes individuais, existe outro elemento que torna a próxima Copa ainda mais especial.
Dependendo da posição final dos grupos, Portugal e Argentina podem se encontrar nas quartas de final da competição.
Caso ambas as seleções avancem em primeiro lugar em seus respectivos grupos e confirmem o favoritismo nas fases anteriores do mata-mata, o cruzamento pode colocar Ronaldo e Messi frente a frente pela primeira vez em uma Copa do Mundo.
Seria um dos jogos mais aguardados da história recente do futebol.
Durante anos, os dois se enfrentaram inúmeras vezes por Real Madrid e Barcelona, protagonizando clássicos que marcaram uma geração inteira. No entanto, nunca duelaram em um Mundial defendendo suas seleções.
Por isso, um eventual encontro em 2026 carregaria um simbolismo enorme.
Mais do que uma simples partida de quartas de final, seria o possível último confronto entre dois jogadores que redefiniram os padrões de excelência do futebol.
O título ainda separa as duas trajetórias em Copas

Quando a análise fica restrita às estatísticas, Messi possui vantagem na maioria dos indicadores.
São mais jogos disputados, mais minutos em campo, mais gols e mais assistências.
Mas o principal diferencial continua sendo o troféu conquistado em 2022.
A campanha argentina no Catar permitiu que Messi encerrasse praticamente todas as discussões sobre sua relação com a Copa do Mundo. O camisa 10 foi protagonista do título e participou diretamente dos momentos mais importantes da conquista.
Cristiano Ronaldo, por sua vez, chega ao torneio de 2026 tentando escrever um final diferente para sua história em Mundiais.
Independentemente do que acontecer, a próxima Copa já possui um valor histórico inegável. Pela primeira vez, dois jogadores que dominaram o futebol por mais de vinte anos estarão presentes em sua sexta edição do torneio.
E se o chaveamento colaborar, o futebol poderá oferecer um presente raro aos torcedores: um último capítulo da rivalidade entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, desta vez no maior palco possível.
(Foto de capa: IMAGO)