A Costa do Marfim chega à Copa do Mundo de 2026 com uma geração inferior à do início da década passada, quando contava com nomes lendários como Didier Drogba e Yaya Touré. Ainda assim, a equipe apresenta sinais claros de desenvolvimento e um projeto em construção sob o comando de Emerse Faé.
Após uma campanha surpreendente na Copa Africana das Nações de 2023, na qual mudou de técnico no meio da competição (Jean-Louis Gasset deu lugar a Faé) e sagrou-se campeã com Sébastien Haller como grande protagonista, a seleção marfinense vive um momento de transição.
Haller, que na época defendia o Borussia Dortmund, perdeu espaço no futebol europeu por conta de sucessivas lesões e não esteve presente na última edição da CAN (2025) nem estará na Copa deste ano.
Essa ausência deixou uma lacuna importante na posição de centroavante. Na última CAN, a Costa do Marfim chegou a utilizar quatro atacantes diferentes em quatro jogos, mostrando a instabilidade no setor ofensivo.
Como joga a Costa do Marfim

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Emerse Faé montou uma equipe organizada, vertical e com forte ênfase nos lados do campo. O esquema base é o 4-3-3, com variações para o 4-2-3-1 dependendo do posicionamento de alguns jogadores.
A principal característica do time é a quebra de linhas para acionar os pontas (Amad Diallo, Pepé, Diomandé e outros), que são os jogadores mais habilidosos e incisivos do elenco. Eles exploram velocidade e 1v1 com qualidade.
Defensivamente, a Costa do Marfim costuma atuar em um bloco médio, com a primeira linha de pressão agressiva (em alguns momentos em 4-1-4-1). Seleções com centroavantes móveis costumam explorar bem os espaços deixados por essa estrutura.
O time é disciplinado taticamente e competitivo, mas ainda sente falta de um criador mais consistente no meio-campo, dependendo muito da inspiração individual dos pontas.
Principais jogadores

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A Costa do Marfim chega à Copa do Mundo com uma geração talentosa e fisicamente dominante, liderada por nomes experientes e jovens em ascensão.
No meio-campo, Franck Kessié continua sendo uma das principais referências da equipe. O volante combina força física, capacidade de chegada à área e qualidade técnica, características que o transformaram em um dos melhores jogadores da posição durante seu auge no futebol europeu.
Ao seu lado, Ibrahim Sangaré oferece equilíbrio defensivo, impondo presença física, proteção à defesa e segurança na saída de bola.
Pelos lados do campo, Amad Diallo surge como uma das grandes armas ofensivas. O jogador do Manchester United evoluiu significativamente nos últimos anos, tornando-se mais decisivo, criativo e consistente. Sua velocidade, habilidade no um contra um e capacidade de quebrar linhas fazem dele uma ameaça constante para qualquer defesa.
No entanto, o jogador que mais desperta expectativa é Yan Diomandé. Considerado por muitos o maior talento da nova geração marfinense, o jovem atacante vive uma ascensão meteórica no futebol europeu após uma temporada de destaque pelo RB Leipzig.
Extremamente veloz, técnico e imprevisível, Diomandé se destaca especialmente pela capacidade de vencer duelos individuais e criar desequilíbrios em espaços reduzidos. Seu desempenho chamou a atenção de alguns dos maiores clubes do continente, e existe a sensação de que ele pode se transformar no grande rosto do futebol marfinense nos próximos anos.
No comando do ataque, Evann Guessand e Elye Wahi disputam a posição de centroavante. Ambos possuem qualidades interessantes, mas a vaga segue sendo um dos pontos de maior interrogação da equipe desde o declínio físico de Sébastien Haller. Ainda assim, com um meio-campo sólido e jogadores capazes de decidir pelos lados, a Costa do Marfim acredita que pode ser uma das seleções africanas mais competitivas do torneio.
Como foi o ciclo para a Copa do Mundo
A Costa do Marfim terminou em 1º lugar em seu grupo nas eliminatórias africanas, com 26 pontos em 10 jogos (8 vitórias e 2 empates), 25 gols marcados e 0 sofridos. Mesmo contra um grupo relativamente fraco (Burundi, Quênia e Gâmbia), a campanha quase perfeita empolgou o país, que não disputava uma Copa do Mundo desde 2014.
A classificação gerou grande expectativa, especialmente por ter sido construída com consistência defensiva e aproveitamento ofensivo alto.
Onde pode chegar?
A Costa do Marfim tem potencial para surpreender. O grupo é competitivo e equilibrado, o que pode favorecer equipes organizadas e físicas como a marfinense. Se conseguir manter a consistência defensiva e explorar bem os pontas talentosos, tem chances reais de avançar para as oitavas de final.
No entanto, contra seleções de elite como a Alemanha, a diferença técnica ainda deve aparecer. O grande objetivo é superar a fase de grupos, algo que não acontece desde 2014, e mostrar que a seleção está em reconstrução positiva.
O time de Emerse Faé não tem o brilho individual de outras gerações, mas possui organização, intensidade e pontas perigosos. Pode não encantar, mas certamente será uma equipe difícil de bater.
Grupo da Costa do Marfim na Copa 2026
Grupo E
14/06, 20h – Costa do Marfim x Equador
20/06, 17h – Alemanha x Costa do Marfim
25/06, 17h – Curaçao x Costa do Marfim
Foto: Richard Sellers/Getty Images.