Endrick Brasil x Egito
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Endrick marca e Brasil vence Egito em último amistoso antes da Copa do Mundo

O Brasil encerrou sua preparação para a Copa do Mundo com uma vitória por 2 a 1 sobre o Egito, em Cleveland, no último amistoso antes da estreia contra Marrocos. Em uma partida marcada por testes táticos de Carlo Ancelotti, pela lesão preocupante de Wesley e pelo brilho mais uma vez decisivo de Endrick, a seleção brasileira mostrou bons momentos, mas também deixou dúvidas para a semana final de preparação.

O resultado teve importância secundária diante das observações que Ancelotti buscava fazer antes do Mundial. O treinador aproveitou a partida para testar diferentes movimentações e sistemas, com o Brasil alternando comportamentos defensivos e ofensivos ao longo do confronto. A principal preocupação da tarde foi a saída de Wesley ainda no primeiro tempo. O lateral deixou o gramado lesionado, visivelmente emocionado, e virou motivo de apreensão para a comissão técnica a poucos dias da estreia na Copa.

O jogo

Dentro de campo, a seleção começou organizada em um 4-4-2 sem a bola, com Raphinha e Lucas Paquetá ajudando na recomposição pelos lados. Com a posse, o time ganhava outra estrutura, ocupando melhor os corredores e tentando acelerar as transições ofensivas. A atuação segura da dupla de zaga, especialmente de Ibañez, e a liberdade dada a Raphinha foram alguns dos pontos positivos da primeira etapa.

O placar foi inaugurado após uma pressão alta eficiente. Bruno Guimarães roubou a bola próximo à área adversária, avançou e finalizou com categoria para abrir o marcador. A vantagem, porém, durou pouco. Em uma falha na saída de bola, Marquinhos errou o recuo e permitiu que Ziko aproveitasse o presente para empatar para os egípcios.

Apesar do controle territorial e de criar boas oportunidades, o Brasil pecou na definição das jogadas. Igor Thiago teve atuação discreta no comando do ataque e encontrou dificuldades para transformar a superioridade da equipe em mais gols. O empate por 1 a 1 ao intervalo refletia mais os erros brasileiros do que qualquer equilíbrio real apresentado pelo adversário.

Na volta para o segundo tempo, Ancelotti promoveu mudanças que alteraram a dinâmica ofensiva da equipe. Luiz Henrique trouxe mais agressividade nos duelos individuais, Matheus Cunha passou a trocar posições constantemente com Raphinha e Endrick entrou para assumir o comando do ataque.

A resposta foi imediata. Em uma jogada construída pela direita, Cunha atraiu a marcação e abriu espaço para Raphinha invadir a área. O camisa 11 cruzou rasteiro e encontrou Endrick livre para completar para as redes. O atacante voltou a mostrar oportunismo e confirmou mais uma vez sua capacidade de decidir jogos mesmo com poucos minutos em campo.

O Egito ainda tentou reagir após a entrada de Mohamed Salah, que deu mais qualidade e velocidade ao setor ofensivo. No entanto, sem ritmo ideal e diante de uma seleção brasileira organizada defensivamente, os africanos criaram pouco perigo na reta final.

Com muitas substituições dos dois lados, o ritmo da partida caiu nos minutos finais. O Brasil administrou a vantagem sem maiores sustos e confirmou a vitória que encerra a fase de amistosos antes do início da Copa do Mundo.

Brasil tem notícias boas, mas dúvidas grandes para o começo da Copa do Mundo

A vitória brasileira trouxe mais respostas positivas do que negativas, mas também deixou algumas questões importantes para Carlo Ancelotti resolver antes da estreia.

O primeiro destaque foi a flexibilidade tática. O Brasil mostrou capacidade para alternar estruturas sem perder organização, algo que tem sido uma das marcas do trabalho do treinador italiano. Raphinha parece especialmente beneficiado por esse modelo, atuando em uma função mais próxima daquela que exerce em seu clube e participando mais da construção ofensiva.

Outro ponto positivo foi a pressão pós-perda. O primeiro gol nasceu justamente desse comportamento coletivo, com recuperação rápida da posse e agressividade para atacar o espaço. Em uma Copa do Mundo, esse tipo de mecanismo pode ser decisivo contra adversários mais fechados.

Individualmente, Endrick voltou a aproveitar a oportunidade. Entrou no segundo tempo e precisou de poucos minutos para marcar. Sua capacidade de impactar jogos vindo do banco aumenta a concorrência no setor ofensivo e coloca uma dúvida interessante para Ancelotti sobre a formação ideal do ataque.

Por outro lado, a lesão de Wesley é a principal preocupação. Além da questão física, o lateral vinha sendo uma das peças utilizadas para dar profundidade ao lado direito e sua ausência pode obrigar ajustes importantes na estrutura da equipe.

Defensivamente, o Brasil teve uma atuação sólida na maior parte do tempo, mas voltou a sofrer por um erro individual na saída de bola. Em competições de tiro curto, falhas desse tipo costumam ser severamente punidas e certamente serão tema de atenção nos próximos treinamentos.

No geral, a seleção chega à Copa transmitindo uma sensação positiva. Ainda há ajustes a serem feitos e dúvidas sobre a escalação ideal, mas o time demonstra evolução coletiva, variedade tática e um elenco capaz de mudar o rumo das partidas a partir do banco. A vitória sobre o Egito não foi perfeita, mas reforçou a impressão de que o Brasil inicia o Mundial como um dos candidatos ao título.

(Foto: Kirk Irwin/AFP)