It’s coming home? Quando se fala de Copa do Mundo, a Inglaterra é uma atração a parte. Seja com o “God save the queen” entoado a plenos pulmões, o país inventor do futebol ganhou seu maior título há 60 anos atrás. Com uma geração que está dando o que falar, e um forte candidato a melhor do mundo, os ingleses terão sua grande chance para encerrar seu jejum.
Quando se fala em jejum, não é apenas da Copa do Mundo. A Inglaterra não vence um campeonato de expressão desde 1966 com a sua única Copa do Mundo conquistada em casa. O grande trunfo para a atual seleção é que, diferente de outros grandes times que já pisaram em campo, esse English Team está chegando cada vez mais perto de conquistar um título.
Em Copas, após o fiasco de 2014 quando ficou na fase de grupos em último lugar, o time liderado por Harry Kane repetiu sua melhor campanha desde 1990 quando chegou nas semifinais na edição de 2018. Com outra seleção ainda mais talentosa em 2022, o mesmo Kane desperdiçou um pênalti contra a França nas quartas-de-final que poderia mudar o rumo dos Três Leões.
Em solo norte-americano, a Inglaterra de comando novo e mais experiente, pode correr por fora na busca pelo seu bicampeonato do mundo. Seja por convicções ou teimosia, é uma seleção que não será descartada no papel.
Como joga a Inglaterra?

A ponto de chamar um alemão para treinar a Inglaterra, é porque a insatisfação com Southgate foi gigante que “apelaram” para um rival histórico. A chegada de Thomas Tuchel mostrou dois pontos: que a Inglaterra não está para brincadeira e que se preciso for, vai por vias não convencionais para alcançar os seus objetivos.
O pacote Tuchel é parecido com outro comandante que, apesar de genial, é bem convicto no que quer e prefere jogar com aqueles que mais se adequam ao seu estilo de jogo ao invés de usar os melhores talentos e jogar de acordo com os jogadores que tem em mãos: Luis Enrique. Enquanto o comandante espanhol provou estar certo com sua filosofia no Paris Saint-Germain, a Inglaterra espera o mesmo do treinador alemão.
Seu esquema de jogo é o 4-2-3-1, usando dos meias para apoiar Harry Kane no comando de ataque com uma solidez defensiva num padrão de jogo mais equilibrado. Foi assim que o treinador conseguiu se firmar no futebol europeu obtendo grandes resultados como a Champions League vencida com o Chelsea em 2020/21.
Porém, suas convicções sempre despertam decisões que serão lembradas com o passar dos anos como a ausência de nomes para a Copa como do lateral-direito Trent Alexander-Arnold e do zagueiro Harry Maguire. Com Tuchel, pode esperar esse tipo de comportamento, o que não quer dizer que em campo seus times não correspondam e sejam campeões.
Principais jogadores

Depois de sair do Tottenham para o Bayern de Munique, o mundo enfim conheceu o artilheiro Harry Kane. Numa equipe de destaque do futebol mundial, o centroavante evoluiu ainda mais o seu jogo com seus gols e assistências. Após quebrar sua seca de nunca ter sido campeão na carreira, Kane marcou incríveis 61 gols em 51 jogos na temporada 2025/26. É candidato certo para a Bola de Ouro na sua melhor fase da vida.
Dentre os destaques também aparece o meia do Real Madrid, Jude Bellingham. O “Belligol” como ficou conhecido pelo seu primeiro ano meteórico no time merengue, tem passado por problemas físicos desde então. Com apenas 22 anos, ainda tem muito chão para trilhar e se tornar a referência do time nos próximos anos.
Outro meio-campo que se destaca é Declan Rice. Um dos pilares do Arsenal campeão da Premier League e vice-campeão da UEFA Champions League, levará sua experiência para a América do Norte. Junto dele está o capitão de 2022, Jordan Henderson, o mais velho e experiente do elenco inglês. Depois de uma passagem controversa pelo futebol árabe, encontrou seu espaço no Brentford.
Para a defesa, outra mescla de juventude e experiência com Recce James (Chelsea) e Morgan O’Reilly (Manchester City), o segundo que ganhou espaço na seleção graças a sua boa temporada no comando de Guardiola. A questão fica por conta do gol, com Jordan Pickford na titularidade. O goleiro do Everton é o clássico “8 ou 80”: vai muito bem e fecha o gol, ou vai muito mal e não transmite confiança.
Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?
Um conto de dois treinadores. Começando pelo comandante anterior, Gareth Southgate. Sempre questionado por adotar um futebol pragmático com os talentos que tinha em mãos, o técnico seguiu no cargo após a Copa de 2022 e os resultados eram em grande maioria positivos.
Com apenas duas derrotas para Brasil e Islândia antes da Euro, a sensação era de “título ou nada”. Com uma primeira fase sem convencer, a Inglaterra chegou aos trancos e barrancos na final do torneio continental, muito em conta da grande fase de Jude Bellingham. Na decisão, amargou outro vice-campeonato, agora para a Espanha.
Após um período com o interino Lee Carsley, os Três Leões mudaram radicalmente com a contratação de Thomas Tuchel. Conhecido do público inglês pela sua passagem no Chelsea, o técnico alemão correspondeu com resultados ainda mais expressivos ao se classificar para a Copa do Mundo sem dificuldades com uma defesa imbatível, pois não sofreu gols.
Já nos amistosos, derrotas para Senegal e Japão nesse mais de um ano no cargo não abalaram o trabalho de Tuchel.
Onde pode chegar?
Com apenas a Croácia, semifinalista das últimas duas Copas e que venceu o English Team em 2018, para ameaçar no grupo L, as dificuldades para se classificar são pequenas. Se confirmar o favoritismo e terminar em primeiro, terá pela frente um dos terceiros colocados, potencialmente sendo do grupo K segundo o chaveamento da FIFA. O caminho pode ficar mais difícil a partir das quartas-de-final, pois pode ter o Brasil pela frente.
Se ficar em segundo, manterá o duelo contra o grupo K, encarando também o segundo colocado onde potencialmente pode pintar a Colômbia, que seria a reedição das oitavas-de-final de 2018. O enrosco maior pode vir na próxima fase, quando pode ter uma velha conhecida no caminho: a atual campeã europeia, Espanha. Caso avance, deverá ser favorita para retornar até a semifinal, pelo menos.
O terceiro lugar é desastre, pois mostraria que alguma coisa deu errado com o time e/ou o treinador Tuchel. Como não há problemas aparentes quando o assunto é campo e bola, a tendência é pequena de bagunça interna. Ou seja, poucos cogitam a Inglaterra fora ainda na fase de grupos.
Com o talento que tem em mãos e um Harry Kane em fase surreal, os Três Leões podem sim brigar pelo título da Copa do Mundo. Se a sorte estiver ao lado deles, como parece não estar há 60 anos, O English Team pode sonhar alto na América do Norte.
Os jogos da Inglaterra na Copa do Mundo
17/6 – 17:00: Inglaterra x Croácia (AT&T Stadium – Arlington)
23/6 – 17:00: Inglaterra x Gana (Gilette Stadium – Foxborough)
27/6 – 18:00: Panamá x Inglaterra (MetLife Stadium – New Jersey)