Copa do Mundo Futebol

Canadá joga bem em empate contra a Bósnia; as principais impressões sobre a estreia das duas seleções na Copa

O Canadá recebe pela primeira vez na história uma Copa do Mundo após ver seus vizinhos sediaram o Mundial em três oportunidades nos últimos 56 anos. O país vestiu as cores da seleção para não fazer feio na disputa de sua terceira participação em Copas do Mundo, a segunda consecutiva.

Apoiados por mais de 46 mil pessoas que lotaram o BMO Field, na cidade de Toronto, os comandados de Jesse Marsch fizeram uma partida satisfatória. Durante boa parte do confronto, a equipe controlou as ações do jogo, pressionou bastante a seleção europeia e foi premiada com um gol de empate nos minutos finais, deixando o torcedor local esperançoso por uma classificação à próxima fase, ao menos como um dos melhores terceiros colocados.

Ineficiência de David e Oluwaseyi dão a tônica para o Canadá

A equipe do Canadá poderia ter saído com um resultado ainda melhor, mas pecou pela ineficiência de sua dupla de ataque. Jonathan David e Tani Oluwaseyi tiveram chances claras para marcar, mas esbarraram em boas defesas do goleiro Vasilj ou em finalizações equivocadas.

A Bósnia teve poucas ações ofensivas, muito porque suas tentativas de contra-ataque eram neutralizadas pela defesa canadense, que deu pouco espaço para Meric e Bajraktarevic. Com isso, a equipe dependeu bastante da velocidade de Lukic para criar suas melhores oportunidades, enquanto Demirovic ficou muito isolado no setor ofensivo.

Mesmo assim, em uma de suas únicas oportunidades da primeira etapa, a seleção bósnia chegou ao gol. Após escanteio cobrado por Kolasinac, Lukic subiu na marca do pênalti e cabeceou para abrir o placar, colocando a equipe europeia em vantagem.

Apesar da forte pressão sofrida, o time comandado por Sergej Barbarez apresentou uma postura sólida, especialmente no sistema defensivo. A equipe conseguiu bloquear diversas investidas do Canadá, forçando os donos da casa a explorarem mais os lados do campo durante a segunda etapa e ainda encontrando espaço para algumas chegadas ao ataque.

Marsch usa bem o banco com substituições precisas

Em desvantagem no placar, Jesse Marsch precisou recorrer ao banco de reservas para buscar o empate. Após os 20 minutos do segundo tempo, promoveu as entradas de Shaffelburg e Promise David. Logo na primeira jogada, David quase empatou a partida, mas viu sua finalização ser salva em cima da linha pelo zagueiro Katic.

Precisando de uma referência mais centralizada no ataque, Marsch colocou em campo o centroavante Cyle Larin, que vinha de uma sequência sem marcar tanto pela seleção quanto por seu clube. Em sua primeira participação efetiva, após jogada envolvendo Jonathan David e Shaffelburg, a bola sobrou para o camisa 9, que não desperdiçou a oportunidade e fez a festa do Canadá presente em Toronto.

Expectativas positivas para o resto do torneio

Tanto Bósnia quanto Canadá chegaram à Copa do Mundo sem jamais terem conquistado um ponto sequer em participações anteriores. O Canadá disputou as Copas de 1986 e 2022, enquanto a Bósnia participou da edição de 2014. Em todas essas campanhas, as seleções encerraram a fase de grupos com três derrotas em três jogos.

Em um grupo que ainda conta com Suíça e Catar, ambas as equipes mantêm expectativas de avançar à próxima fase, ao menos como um dos melhores terceiros colocados. A seleção do Canadá demonstrou que, com um pouco mais de eficiência ofensiva, pode alcançar resultados ainda melhores, especialmente atuando diante de sua torcida.

Já a Bósnia depende de uma evolução principalmente no setor ofensivo. Tirando Lukic, que além do gol participou bem das jogadas de ataque, os demais jogadores tiveram atuação discreta. A equipe precisa de um melhor desempenho, sobretudo de Demirovic, responsável por atuar mais avançado diante da ausência de Edin Džeko, que não reuniu condições físicas ideais para iniciar a partida. Mesmo as opções que vieram do banco pouco conseguiram contribuir ofensivamente.

A defesa precisa corrigir problemas nas bolas paradas

A Bósnia encontrou seu gol em uma situação relativamente simples: uma cobrança de escanteio na primeira trave. Lukic apareceu livre para desviar e marcar sem sofrer grande oposição da marcação canadense.

O lance expôs uma fragilidade que pode se tornar perigosa ao longo da competição. Em torneios internacionais, partidas equilibradas costumam ser decididas justamente em bolas paradas, seja por escanteios, faltas laterais ou jogadas ensaiadas.

Durante o restante da partida, a defesa canadense não sofreu grandes sustos em jogadas trabalhadas, o que torna o gol sofrido ainda mais frustrante. A estrutura defensiva funcionou razoavelmente bem no jogo corrido, mas falhou em um detalhe que acabou custando dois pontos.

Corrigir esse tipo de erro será fundamental para os próximos compromissos.

(Foto: Getty Images)