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Futebol Copa do Mundo

D1OS: Messi passou de rosto do fracasso à idolatria total na Argentina

A Argentina chega para a Copa do Mundo de 2026 como uma das principais favoritas ao título. Atual campeã do torneio, a seleção sul-americana tentará defender a conquista obtida no Catar e, mais uma vez, terá Lionel Messi como principal referência. Mesmo aos 39 anos, o camisa 10 segue sendo o grande símbolo do futebol argentino e o rosto de uma geração que conseguiu colocar fim a décadas de frustrações.

Naturalmente, a presença de Messi faz com que as atenções estejam voltadas para a Albiceleste. Afinal, o jogador passou boa parte da carreira convivendo com cobranças pesadas na seleção e viu sua trajetória mudar completamente após a conquista da Copa do Mundo de 2022. Hoje, a Argentina tenta utilizar toda a experiência acumulada ao longo dos últimos anos para buscar mais uma campanha histórica.

Argentina e Messi ganharam muitas cicatrizes deixadas pelas Copas do Mundo

A história da Argentina nas Copas do Mundo é marcada por grandes conquistas, mas também por momentos de enorme frustração. Depois dos títulos conquistados em 1978 e 1986, a seleção passou décadas tentando voltar ao topo sem sucesso. Durante esse período, não faltaram equipes talentosas, jogadores de alto nível e campanhas promissoras. O problema é que os resultados decisivos quase sempre terminavam em decepção.

A derrota para a Alemanha na final de 1990 foi um dos primeiros capítulos desse período. Depois vieram eliminações dolorosas em diferentes edições do torneio. Em 2002, por exemplo, a Argentina sequer conseguiu avançar da fase de grupos, algo que foi tratado como um enorme fracasso. Já em 2006 e 2010, a equipe voltou a parar antes das semifinais, aumentando a sensação de que existia algo faltando para recolocar o país entre os campeões do mundo.

Dentro desse contexto, Messi acabou se tornando o principal alvo das cobranças. Considerado um dos maiores jogadores da história do futebol, ele era constantemente comparado com Diego Maradona e carregava a responsabilidade de devolver a Argentina ao topo. 

Mesmo acumulando títulos, recordes e atuações históricas pelo Barcelona, Messi frequentemente era questionado quando vestia a camisa da seleção. Durante muitos anos, surgiu a ideia de que o craque não conseguia reproduzir na Argentina o mesmo nível apresentado na Espanha. A cobrança aumentava a cada eliminação e a cada oportunidade desperdiçada.

O momento mais difícil talvez tenha acontecido entre 2014 e 2016. Primeiro veio a derrota para a Alemanha na final da Copa do Mundo disputada no Brasil. Depois aconteceram as perdas consecutivas das finais da Copa América em 2015 e 2016. Em pouco tempo, uma geração extremamente talentosa passou a conviver com críticas constantes, enquanto Messi se transformava no principal rosto daquele fracasso coletivo.

A situação chegou a um ponto em que o próprio camisa 10 anunciou sua saída da seleção após a derrota na Copa América Centenário. A decisão acabou sendo revertida posteriormente, mas serviu para mostrar o tamanho da pressão que existia naquele momento. A relação entre Messi e parte da torcida argentina estava desgastada e muitos ainda questionavam seu legado vestindo a camisa albiceleste.

Argentina encontrou em Messi o símbolo da redenção

Tudo começou a mudar nos anos seguintes. A conquista da Copa América de 2021 encerrou um longo jejum de títulos e ajudou a aliviar a pressão que existia sobre a seleção. Porém, o grande objetivo continuava sendo a Copa do Mundo.

Quando o torneio começou no Catar, a Argentina sofreu um enorme susto com a derrota para a Arábia Saudita logo na estreia. Em outros momentos da história, um resultado como aquele poderia ter provocado um colapso emocional. No entanto, a equipe reagiu e mostrou uma força mental diferente. A partir dali, o grupo cresceu ao longo da competição. 

Messi assumiu novamente o protagonismo dentro de campo, mas desta vez cercado por um elenco que demonstrava total confiança em sua liderança. O camisa 10 deixou de ser apenas o melhor jogador da equipe e passou a representar algo maior para os companheiros.

Ficou evidente durante a campanha que o grupo estava disposto a lutar pelo seu principal jogador. A conexão entre Messi e o restante do elenco chamou atenção em diversos momentos do torneio. Havia uma sensação clara de união em torno de um objetivo comum.

Quando a Argentina venceu a França na decisão e conquistou o título mundial, toda a narrativa construída ao longo dos anos mudou de forma definitiva. O jogador que durante tanto tempo ouviu que não rendia na seleção como rendia no Barcelona passou a ser tratado como uma unanimidade absoluta dentro do país. A Copa do Mundo encerrou qualquer debate sobre sua importância para a seleção argentina.

Neste cenário, mais do que um craque, Messi passou a representar uma geração inteira. O craque tornou-se um símbolo de persistência e conquista para milhões de torcedores.

Agora, em 2026, a Argentina tenta escrever mais um capítulo dessa história. A missão não será simples, já que defender um título mundial sempre representa um desafio enorme. Ainda assim, a seleção chega novamente entre as favoritas e apoiada na experiência de um grupo que conhece o caminho das grandes conquistas.

E, mais uma vez, todas as atenções estarão voltadas para Messi. Talvez ele já não esteja no auge físico que apresentou durante grande parte da carreira, mas continua sendo o principal símbolo da seleção. O jogador que durante anos carregou o peso das críticas agora chega aos Estados Unidos cercado por respeito e idolatria.

Com Messi liderando dentro e fora de campo, a Argentina acredita que pode voltar a lutar pelo título mundial. E depois de tudo o que aconteceu ao longo das últimas décadas, poucos duvidam da capacidade dessa seleção de transformar mais uma vez pressão em motivação e sonho em realidade.

Créditos da foto de capa: Getty Images.