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Futebol Copa do Mundo

Lamine Yamal dá resposta em campo e reforça favoritismo da Espanha; confira

Antes mesmo da bola rolar, boa parte das conversas já girava em torno dele. Depois do apito final, continuou igual. Em uma Copa do Mundo cercada por estrelas consagradas, Lamine Yamal conseguiu algo raro: fazer uma partida de fase de grupos parecer um capítulo importante de uma história que está começando.

A expectativa existia desde a estreia frustrante da Espanha. Contra Cabo Verde, o jovem atacante teve apenas alguns minutos em campo e viu a seleção produzir pouco, empatar sem gols e sair pressionada. Luis de la Fuente explicou depois que aquilo fazia parte de um plano maior. Ainda existia cuidado com a recuperação muscular de Lamine após a lesão sofrida em abril e o objetivo era aumentar sua carga gradualmente.

Mas diante da Arábia Saudita, ficou claro que o cronograma tinha chegado ao momento certo.

Titular pela primeira vez em uma Copa do Mundo, Lamine entrou em campo e imediatamente mudou o ambiente do jogo. Ainda sem tocar na bola, já era possível perceber a diferença. Camisas com seu nome apareciam em todos os setores do estádio, cada imagem sua no telão era acompanhada por reação da torcida e existia uma sensação clara de que boa parte do público tinha ido ali para ver justamente o camisa espanhol.

Quando finalmente começou a participar, o jogo mudou de ritmo.

A Espanha voltou a ser agressiva e Lamine virou o centro disso

A atuação contra Cabo Verde tinha deixado um alerta para a Espanha.

Faltou velocidade, faltou profundidade e principalmente faltou alguém capaz de acelerar o jogo individualmente. A equipe controlou posse, mas quase nunca conseguiu transformar domínio em perigo.

Contra a Arábia Saudita foi diferente desde os primeiros minutos.

A Espanha jogou mais vertical, atacou espaços e mostrou uma agressividade que parecia ausente anteriormente. E quase tudo passava por Lamine.

Recebendo aberto, flutuando para dentro ou aparecendo em zonas mais centrais, o atacante começou a atrair marcação e criar superioridade. O que chama atenção no seu futebol não é apenas o drible. É a naturalidade com que parece entender o momento certo para acelerar ou pausar uma jogada.

Não demorou para o primeiro grande momento aparecer.

Em uma bola cruzada rasteira pela área, Lamine apareceu nas costas da marcação e completou para marcar seu primeiro gol em Copas do Mundo.

O estádio explodiu.

Mais do que o gol, existia a sensação de que o momento parecia inevitável desde o início do jogo.

Comparações com Messi aparecem, mas o cenário é diferente

Sempre que um jogador jovem explode em Barcelona, a comparação com Lionel Messi aparece quase automaticamente.

Com Lamine não seria diferente.

O atacante já quebrou marcas históricas do clube catalão e agora também entrou para listas importantes em Copa do Mundo ao marcar ainda com 18 anos.

Mas existe um detalhe que torna o momento atual diferente.

Quando Messi surgiu no Barcelona, encontrou um elenco cheio de referências e cresceu dividindo espaço com jogadores experientes.

Lamine chega em outro contexto.

Mesmo muito jovem, já existe uma sensação de que tanto no Barcelona quanto na Espanha ele não é apenas mais uma promessa. Em muitos momentos parece ser o principal ponto de apoio ofensivo da equipe.

Essa responsabilidade normalmente demora anos para chegar.

Com ele aconteceu quase imediatamente.

O maior desafio talvez comece agora

A Espanha atropelou a Arábia Saudita e resolveu boa parte do jogo cedo. Mikel Oyarzabal também brilhou, participou diretamente de três gols e ajudou a transformar a partida em uma das melhores atuações da seleção nos últimos tempos.

Mas o assunto continuou sendo Lamine.

Tanto que ele foi substituído ainda no intervalo por precaução física. A ideia da comissão técnica segue sendo administrar minutos para evitar qualquer risco desnecessário.

E talvez essa seja a decisão mais importante.

Porque ninguém parece ter dúvidas sobre o talento.

A grande questão agora é como administrar tudo que vem junto.

Expectativa, exposição, comparação histórica e o peso de virar referência antes dos 20 anos.

A Copa pode ser o palco da consolidação definitiva

Existe algo que grandes jogadores costumam ter em comum.

Eles não apenas jogam bem — mudam o comportamento do time quando entram em campo.

Contra a Arábia Saudita, Lamine fez exatamente isso.

A Espanha ficou mais rápida, mais corajosa e mais perigosa.

Ainda falta muito torneio e uma Copa costuma mudar rápido. Mas pela primeira vez desde o início da competição surgiu a sensação de que a Espanha encontrou algo que vai além de um esquema ou de uma escalação.

Encontrou um protagonista.

E considerando que a final acontece poucos dias antes de Lamine completar 19 anos, a pergunta que começa a ganhar força parece inevitável:

se a Espanha chegar até lá, será que não vai ser justamente porque ele a levou?

Photo: Reuters/Claudia Greco