Lucas Bergvall
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Lucas Bergvall quer deixar o Tottenham e expõe dilema que pode custar caro ao clube

Lucas Bergvall vive uma situação que poucos imaginavam quando desembarcou no Tottenham há apenas dois anos. Considerado uma das maiores promessas do futebol europeu, o meio-campista sueco quer deixar o clube neste verão europeu após perder espaço e enxergar um caminho cada vez mais complicado para se desenvolver no norte de Londres.

A notícia surpreende porque Bergvall não é apenas mais um jovem da base. Pelo contrário. Quando o Tottenham venceu a concorrência de gigantes como Barcelona e Eintracht Frankfurt para contratá-lo junto ao Djurgarden, o projeto apresentado era claro: transformá-lo em uma peça importante do presente e, principalmente, do futuro da equipe.

Por um tempo, tudo parecia caminhar exatamente nessa direção. Hoje, porém, o cenário é bem diferente.

A ascensão meteórica sob Postecoglou

Se existe alguém que acreditou em Bergvall desde o primeiro momento, esse alguém foi Ange Postecoglou. O treinador australiano enxergou rapidamente o potencial do jovem sueco e tratou de acelerar sua adaptação ao futebol inglês.

Os primeiros meses foram de aprendizado. O próprio entorno do jogador sabia que a transição do Campeonato Sueco para a Premier League exigiria paciência. O ritmo era diferente, a intensidade era muito maior e o nível de exigência física parecia estar em outro planeta. Mas o talento nunca esteve em dúvida.

Aos poucos, Bergvall começou a ganhar espaço. A Europa League serviu como um importante laboratório para seu desenvolvimento e, quando os problemas físicos começaram a atingir o elenco dos Spurs, ele estava pronto para aproveitar a oportunidade.

O resultado foi uma explosão.

O sueco virou presença constante na equipe, acumulou atuações elogiadas e passou a ser visto como uma das principais joias do clube. Tanto que terminou a temporada conquistando os prêmios internos de melhor jogador e recebeu uma renovação contratual até 2031.

Na época, Postecoglou não escondia a empolgação.

O treinador chegou a afirmar publicamente que Bergvall fazia parte do grupo de jovens sobre o qual o Tottenham poderia construir seu futuro. Era um discurso que combinava perfeitamente com a imagem que o clube queria transmitir: a de uma equipe capaz de desenvolver talentos e transformá-los em protagonistas.

O garoto que conquistou o vestiário

Dentro do Tottenham, Bergvall também acumulava admiradores.

James Maddison, uma das lideranças do elenco, chegou a descrever o sueco como um jogador extremamente disposto a aprender e absorver conhecimento. Segundo o meia inglês, o jovem aparecia em todos os lugares durante a pré-temporada, sempre animado e tentando evoluir.

A personalidade também chamava atenção.

Inicialmente tímido após sua chegada à Inglaterra, Bergvall costumava ficar próximo de Dejan Kulusevski nos bastidores. Com o passar dos meses, porém, a confiança aumentou e ele passou a se integrar completamente ao grupo.

Era comum vê-lo participando das brincadeiras do elenco, demonstrando competitividade até mesmo em partidas de tênis de mesa durante as viagens da equipe. Ao mesmo tempo, o jovem mostrava maturidade crescente dentro de campo, chegando a cobrar companheiros mais experientes quando considerava necessário.

Tudo indicava que o Tottenham tinha encontrado mais uma estrela para os próximos anos.

A saída de Postecoglou mudou tudo

O primeiro grande golpe na trajetória de Bergvall aconteceu com a saída de Postecoglou.

Além da confiança recebida dentro de campo, o treinador mantinha uma relação próxima com o sueco. Era alguém que constantemente oferecia suporte e orientação durante o processo de adaptação.

Quando o australiano deixou o clube, Bergvall perdeu uma das figuras mais importantes de sua curta trajetória em Londres.

A chegada de Thomas Frank parecia, inicialmente, uma boa notícia. Escandinavo como o jogador, o treinador parecia o nome ideal para ajudá-lo a continuar evoluindo. Mas a conexão nunca aconteceu.

Segundo relatos próximos ao clube, Frank mantinha menos contato individual com Bergvall do que seus antecessores. O sueco começou a sentir dificuldades para entender seu papel dentro da equipe e passou a questionar se realmente fazia parte dos planos do treinador.

Os sinais de alerta começaram a aparecer.

Sem posição definida e com cada vez menos espaço

A principal reclamação do entorno de Bergvall não estava necessariamente ligada aos minutos em campo, mas sim à maneira como eles aconteciam.

O sueco sempre foi visto como um camisa 8 moderno, capaz de conduzir o jogo entre defesa e ataque. No entanto, durante sua passagem sob o comando de Frank, frequentemente era utilizado em diferentes funções.

Às vezes aparecia aberto pelos lados.

Em outras ocasiões atuava como um meia mais avançado.

O problema é que raramente recebia oportunidades na posição em que especialistas e integrantes do clube acreditam que ele possa atingir seu máximo potencial.

Essa falta de definição começou a gerar incômodo. A situação piorou quando o Tottenham passou a buscar reforços para o meio-campo. A contratação de Conor Gallagher, por exemplo, foi interpretada como mais um obstáculo para a ascensão do sueco.

Enquanto isso, clubes importantes observavam atentamente o cenário. Liverpool, Chelsea e Aston Villa estiveram entre os interessados em monitorar sua situação durante os últimos meses.

De Zerbi e a gota d’água

A chegada de Roberto De Zerbi trouxe uma última esperança.

O treinador italiano conversou longamente com Bergvall logo após seus primeiros treinamentos e deu sinais de que poderia reintegrá-lo ao projeto esportivo da equipe. Mas a realidade rapidamente se impôs.

Com a necessidade de conquistar resultados imediatos e manter o Tottenham competitivo na Premier League, De Zerbi passou a confiar prioritariamente em jogadores mais experientes. Rodrigo Bentancur, João Palhinha e até mesmo Yves Bissouma acabaram recebendo mais oportunidades.

Bergvall viu seus minutos diminuírem drasticamente.

Depois de acumular mais de 2.300 minutos na temporada anterior, caiu para pouco mais de 1.400 no ano seguinte. Nos jogos decisivos da reta final, sequer saiu do banco de reservas. Para um jogador de apenas 20 anos, acostumado a sentir que fazia parte do projeto, a mensagem pareceu clara.

O dilema do Tottenham com Bergvall

Agora, o Tottenham se encontra diante de uma decisão delicada.

Por um lado, o clube entende que cumpriu sua parte do acordo. Afinal, Bergvall recebeu oportunidades, disputou 78 partidas pela equipe principal e assinou um contrato de longo prazo há pouco mais de um ano.

Por outro, a saída do sueco poderia representar algo muito maior do que perder apenas um jogador promissor.

Bergvall continua sendo visto por muitos observadores como um talento de nível internacional, capaz de explodir nos próximos anos. Vender um atleta com esse potencial poderia gerar críticas internas e também enviar uma mensagem perigosa para outras promessas que estejam considerando escolher o Tottenham como próximo destino.

O cenário ideal para os Spurs seria um empréstimo, permitindo que o jogador ganhasse minutos e retornasse mais preparado no futuro. No entanto, o desejo do estafe do atleta é outro: uma transferência definitiva.

É justamente aí que mora o problema.

No curto prazo, a venda de Bergvall talvez não cause grande impacto em um elenco que busca resultados imediatos. No longo prazo, porém, o Tottenham corre o risco de olhar para trás e perceber que deixou escapar uma das maiores joias produzidas pelo seu projeto esportivo recente. E, no futebol, poucas coisas costumam doer mais do que ver uma promessa brilhar longe de casa.

Foto: Getty Images