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Futebol Copa do Mundo

Lewis Ferguson se torna peça-chave da Escócia na Copa do Mundo e assume protagonismo inesperado

Lewis Ferguson pode não ser o nome mais midiático da Escócia nesta Copa do Mundo, mas dentro de campo ele virou praticamente indispensável. Em um grupo que conta com nomes mais conhecidos como Scott McTominay e John McGinn, o meio-campista do Bologna surgiu como peça central do time de Steve Clarke e já é apontado como um dos jogadores mais influentes da seleção no torneio.

O mais curioso é que nada disso parecia tão óbvio há alguns anos. Em 2017, Ferguson ainda deixava o Hamilton Academical, vivendo o começo de uma carreira que parecia promissora, mas ainda distante do nível de uma Copa do Mundo. Hoje, o cenário é completamente diferente: ele não só se consolidou no futebol europeu como também chegou ao status de capitão no Bologna e peça importante na Serie A.

Agora, no maior palco do futebol mundial, ele assumiu um papel que talvez nem ele mesmo esperasse tão cedo.

De promessa na Escócia ao protagonismo na Itália

A trajetória de Ferguson passa por um crescimento constante, sem atalhos. Depois de se destacar no Aberdeen, ele seguiu para a Itália, onde encontrou um ambiente mais competitivo e passou a evoluir de forma mais completa. Foram temporadas de amadurecimento tático, físico e mental até se firmar como capitão do Bologna e conquistar até mesmo uma Coppa Italia.

Esse percurso ajudou a moldar o jogador que hoje atua pela seleção escocesa. Não é um estreante ou uma aposta, mas também não era visto como protagonista imediato em uma equipe que já tinha hierarquias estabelecidas no meio-campo.

Só que a Copa do Mundo mudou essa leitura.

Lesões abriram espaço e Ferguson não desperdiçou

O ponto de virada veio com a lesão de Billy Gilmour em um amistoso contra Curaçao. A ausência do meio-campista abriu um buraco no setor central da Escócia e obrigou Steve Clarke a reorganizar o sistema.

Foi aí que Ferguson entrou. E não apenas preencheu uma vaga, ele transformou a função.

Contra o Marrocos, por exemplo, os números ajudam a explicar o impacto: Ferguson foi o jogador que mais conseguiu quebrar linhas adversárias em progressão, com 15 ações ofensivas nesse sentido. Além disso, ofereceu-se constantemente para receber passes, sendo acionado 76 vezes durante a partida, muito acima de outros companheiros de equipe.

O dado não é só estatística solta. Ele mostra volume, participação e, principalmente, confiança para ser o ponto de ligação entre defesa e ataque.

O “trabalho sujo” que virou essencial

Ferguson deixou claro que não se incomoda com o papel mais recuado. Pelo contrário, parece até confortável nele. Ele próprio descreveu a função como um trabalho de equilíbrio: proteger a defesa, cobrir espaços, disputar duelos e sustentar a estrutura do time.

Ao mesmo tempo, isso reduz um pouco sua liberdade ofensiva, algo que já vinha sendo percebido nas partidas da fase de grupos. Em alguns momentos, sua influência no ataque diminuiu justamente porque ele ficou preso a funções mais posicionais.

Mesmo assim, a entrega física e tática fez dele um jogador praticamente intocável no sistema.

A família Ferguson e o peso da história

Se dentro de campo ele vive um momento de afirmação, fora dele há uma história que ajuda a explicar a mentalidade do jogador. O futebol sempre esteve presente na família Ferguson.

Seu pai, Derek Ferguson, foi meio-campista de Rangers, Hearts e Sunderland, além de ter atuado pela seleção escocesa. Já o tio, Barry Ferguson, é uma das figuras mais emblemáticas do futebol escocês moderno, com carreira marcante como capitão do Rangers e da própria seleção.

Esse histórico cria um ambiente de pressão natural, mas também de referência constante. Lewis Ferguson sempre destacou a influência do pai como principal mentor da carreira, especialmente após ser dispensado ainda jovem pelas categorias de base do Rangers.

O recado familiar sempre foi o mesmo: insistir, trabalhar e seguir.

A possibilidade de mudança contra o Brasil

Com a Escócia ainda viva na competição, o próximo desafio pode trazer ajustes importantes. Existe a possibilidade de Ferguson ganhar mais liberdade no meio-campo caso Steve Clarke opte por uma estrutura mais equilibrada ao lado de Kenny McLean.

A ideia seria simples: liberar Ferguson das funções mais fixas de proteção e permitir que ele volte a atuar de forma mais box-to-box, explorando sua capacidade de chegada ao ataque.

O contexto do jogo contra o Brasil também influencia diretamente nessa discussão. A Escócia pode precisar de um ponto para encaminhar a classificação, o que naturalmente obriga uma abordagem mais cautelosa — mas ainda assim com necessidade de aproveitar transições.

Um nome que cresceu no momento certo

Independentemente da formação escolhida, o fato é que Lewis Ferguson já deixou sua marca nesta Copa do Mundo. Ele não entrou como estrela, não era o centro das atenções e não carregava expectativas de protagonismo absoluto.

Mas, jogo após jogo, foi ganhando espaço, responsabilidade e influência. E, em torneios desse nível, isso costuma valer tanto quanto o status inicial.

A Escócia ainda depende de muitas peças para seguir viva na competição, mas já sabe que encontrou no meio-campista do Bologna um dos seus motores mais confiáveis.

Foto: Getty Images