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Justin Gaethje cobra UFC e reacende debate sobre salários dos lutadores

Justin Gaethje entrou na longa lista de lutadores insatisfeitos com a remuneração oferecida pelo UFC. Após vencer Ilia Topuria na Casa Branca e protagonizar uma das melhores lutas de 2026, o norte-americano disse que a organização deveria encontrar maneiras para recompensá-lo pelo que já entregou ao longo da carreira.

A cobrança de Gaethje, porém, não está relacionada apenas a uma próxima luta ou a uma possível renovação de contrato. Veterano, o peso-leve ainda não pensa em aposentadoria e pretende defender o cinturão da categoria. Mesmo assim, ele entende que precisa ser melhor valorizado pelos serviços prestados ao UFC.

Em participação recente no podcast The Joe Rogan Experience, Gaethje explicou que sua reivindicação é baseada no passado, não no futuro. “Eu mereço ser compensado pelo que fiz, não pelo que vou fazer. Não deveria ter que lutar novamente para ser compensado”, afirmou o lutador.

O norte-americano citou momentos importantes da carreira recente e lembrou que foi escolhido pelo UFC para grandes eventos justamente pela capacidade de entregar combates memoráveis.

“UFC 300, UFC 324 e agora (UFC Freedom 250) – esses são os três eventos em que o UFC precisava de alguém para fazer algo fenomenal, e eles me escolheram todas as vezes. E eu correspondi”, disse.

Gaethje também destacou sua atuação no UFC 300, quando enfrentou Max Holloway. Mesmo derrotado, ele acredita que ajudou a transformar aquela noite em um evento histórico.

“Eu não era a luta principal do UFC 300 – fui co-principal, mas mesmo assim roubei a cena, apesar da derrota. Então, acho que preciso ser compensado pelo que fiz”, completou.

Gaethje é menos valorizado do que merece dentro do UFC

Gaethje não revelou valores ou exigiu publicamente um aumento específico, mas a discussão levantada pelo lutador faz sentido. Ele provavelmente merece receber mais do que ganha atualmente.

É verdade que Gaethje não é o atleta mais técnico ou refinado do elenco. Seu estilo sempre foi baseado em agressividade, resistência e poder de nocaute. Porém, justamente por isso, ele se tornou um dos maiores símbolos de entretenimento do UFC.

O peso-leve é um lutador subestimado dentro da organização. Poucos atletas conseguem transformar uma luta comum em um evento imperdível como Gaethje faz. Sua carreira é marcada por guerras contra grandes nomes e por combates que ficaram na memória dos fãs.

A vitória sobre Topuria foi mais um exemplo disso. A expectativa era alta pelo tamanho do evento, mas a programação vinha sendo marcada por confrontos previsíveis e pouca emoção. Gaethje entregou exatamente o roteiro que o UFC e o presidente Dana White esperavam.

Ele colocou intensidade, resistência e espetáculo em uma noite que precisava de um grande momento. Por isso, a cobrança por uma recompensa maior parece compreensível.

Além disso, Gaethje apresentou uma proposta diferente das tradicionais negociações por bolsa. Ele sugeriu que o UFC criasse uma empresa e oferecesse participação acionária para alguns atletas.

“Não estou falando da próxima luta. Estou falando que o UFC deveria criar uma empresa e me dar participação acionária nela, para que eu possa gerar renda passiva”, afirmou.

UFC precisa reavaliar modelo de remuneração dos atletas

O caso de Gaethje aumenta um debate antigo dentro do MMA: até que ponto os principais lutadores do UFC são recompensados de acordo com o impacto que geram?

Recentemente, o empresário do atual campeão dos pesos-pesados, Tom Aspinall, afirmou que o dono do cinturão poderia receber apenas 1% do valor arrecadado em uma futura luta contra Ciryl Gane. A declaração pode ser considerada exagerada, mas reforça uma insatisfação presente entre diversos atletas.

O UFC é a principal organização de MMA do planeta e movimenta bilhões de dólares em eventos, transmissões e contratos comerciais. Por isso, alguns lutadores entendem que a divisão financeira poderia ser mais favorável aos protagonistas.

A própria organização já perdeu grandes nomes em meio a discussões sobre remuneração. O camaronês Kamaru Usman é um dos exemplos de atletas que demonstraram insatisfação com questões financeiras ao longo da trajetória.

A fala de Gaethje não representa apenas uma reclamação individual. Ela simboliza uma discussão maior sobre reconhecimento e legado no UFC.

O lutador não está pedindo apenas dinheiro por uma próxima apresentação. Ele quer que a organização reconheça o valor de quem ajudou a construir grandes momentos da história do evento. E, considerando o impacto de Gaethje dentro do octógono, o debate promete continuar.

Foto: Anadolu via Getty Images