O Equador venceu a Alemanha por 2 a 1 nesta quinta-feira (25) e garantiu classificação para o mata-mata da Copa do Mundo. Enquanto isso, mesmo com a derrota, os alemães avançaram na primeira colocação do grupo.
A partida entregou cenários importantes para as duas seleções. Pelo lado do Equador, a equipe finalmente transformou em gols o volume ofensivo que já vinha apresentando desde o início da competição e mostrou que consegue variar sua forma de jogar durante os 90 minutos. Já a Alemanha confirmou o favoritismo no grupo, mas voltou a apresentar dificuldades que chamam atenção para a sequência da Copa do Mundo.
A seguir, quatro impressões que ficaram da vitória equatoriana sobre a Alemanha.
O Equador cresceu na hora certa e finalmente mostrou o futebol que se esperava
O Equador chegou à Copa do Mundo cercado de expectativas. A grande campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas, terminando atrás apenas da Argentina, fazia acreditar que a seleção poderia ser uma das equipes mais fortes do continente dentro do torneio. No entanto, as duas primeiras rodadas frustraram bastante. A derrota para a Costa do Marfim e o empate com Curaçao deixaram o Equador em uma situação muito delicada dentro do grupo.
Porém, o desempenho ofensivo não era exatamente inexistente. O time criou, chegou ao ataque e acumulou 36 finalizações nos dois primeiros jogos. O grande problema é que nada disso foi transformado em gols. Desta forma, a equipe quase caiu na fase de grupos por um problema muito claro de eficiência.
Faltava transformar volume em resultado. Contra a Alemanha, justamente diante do adversário mais forte da chave, isso finalmente apareceu. Mesmo sofrendo um gol logo aos dois minutos, após Sané receber de Wirtz e finalizar com precisão, o Equador não se perdeu emocionalmente.
A resposta veio ainda cedo. Aos nove minutos, a equipe pressionou, roubou a bola e encontrou o empate com Nilson Angulo, que aproveitou a chance e finalizou de fora da área. A partir daquele momento, o Equador mostrou que estava vivo no jogo e também na Copa do Mundo.
No segundo tempo, a equipe cresceu ainda mais. Precisando da vitória, a seleção sul-americana passou a incomodar a Alemanha e chegou ao gol da virada com Plata, após jogada de bola parada e desvio dentro da área. Foi o tipo de lance que faltou nos primeiros jogos: presença e capacidade de definir quando a chance apareceu.
No fim das contas, a sensação é que o Equador finalmente entregou aquilo que se esperava antes da competição. O time sofreu, teve sustos e precisou virar contra uma seleção mais forte. Ainda assim, cresceu no momento certo e superou justamente a barreira que vinha travando sua campanha: a falta de eficiência na definição das jogadas.
O Equador mostrou que pode apresentar abordagens diferentes
A vitória também foi importante por outro motivo. O Equador mostrou que consegue mudar sua postura dentro do mesmo jogo e competir de maneiras diferentes conforme o contexto da partida.
Durante boa parte do confronto, principalmente depois de sair atrás no placar, o Equador precisou ser mais agressivo. A equipe adiantou as linhas, passou a pressionar mais a saída de bola alemã e dificultou bastante a construção do adversário. Mesmo enfrentando uma seleção mais qualificada tecnicamente, a seleção equatoriana conseguiu incomodar.
Esse ponto chama atenção porque a Alemanha costuma ser uma equipe disciplinada e com boa capacidade para controlar jogos. Porém, quando o Equador subiu a marcação, os alemães tiveram problemas. A saída de bola ficou mais instável e o meio-campo articulou pouco.
Foi nesse cenário que o Equador construiu seu melhor momento no jogo. A equipe ficou mais presente no campo ofensivo e criou chances que resultaram na virada. Aos 27 minutos do segundo tempo, por exemplo, Neuer e Tah se atrapalharam em uma saída de bola, e o Equador quase aproveitou com uma chegada perigosa de Caicedo e Plata.
Depois da virada, o cenário mudou. O Equador passou a baixar suas linhas, se proteger melhor e explorar os contra-ataques. Em vez de manter a postura agressiva de maneira desnecessária, a equipe sul-americana entendeu o momento do jogo e passou a defender a vantagem.
Nos minutos finais, a Alemanha teve a bola e tentou pressionar, mas encontrou uma equipe mais organizada defensivamente. O Equador fechou os espaços e conseguiu segurar a vitória até o fim.
Essa variação é muito importante para o mata-mata. Em jogos eliminatórios, dificilmente uma seleção consegue controlar todos os momentos da partida com uma única estratégia. Contra a Alemanha, o Equador mostrou que pode pressionar quando precisa buscar o resultado e também pode se fechar quando precisa proteger uma vantagem. Isso torna a equipe muito mais perigosa para a sequência da Copa do Mundo.
Talvez a história de Enner Valencia com o Equador tenha chegado ao fim
A vitória teve um peso coletivo enorme, mas também deixou uma impressão individual bastante forte. Enner Valencia viveu mais uma atuação abaixo do esperado e pode estar chegando ao fim de sua história como grande referência da seleção equatoriana. Durante muitos anos, Valencia foi o principal nome ofensivo do Equador. Foi decisivo, marcou gols importantes e carregou boa parte da responsabilidade da equipe em grandes competições. Porém, nesta Copa do Mundo, o cenário foi muito diferente.
Contra a Alemanha, o atacante foi mal novamente. Valencia teve apenas dois chutes e terminou o jogo com números ofensivos muito baixos para quem deveria ser a grande referência da equipe. Seu melhor momento foi um chute forte de fora da área, defendido por Neuer no segundo tempo. Fora isso, o atleta experiente participou pouco do confronto e não conseguiu ser decisivo.
A atuação também não foi um ponto fora da curva dentro da campanha. Valencia já havia sido bastante criticado pelos gols perdidos contra Curaçao e encerrou a fase de grupos sem balançar as redes. Além disso, mais do que não marcar, ele também não conseguiu ter um bom rendimento para ajudar os companheiros. Isso pesa ainda mais quando a comparação com 2022 surge naturalmente. Naquela Copa, Valencia ainda era o grande símbolo ofensivo do Equador. Agora, a sensação é diferente. O jogador não parece mais capaz de entregar o mesmo nível, nem de ser a referência que o time precisa no ataque.
Sua saída aos 18 minutos do segundo tempo reforçou essa impressão. O Equador melhorou sem depender dele e encontrou a virada com outras peças assumindo o protagonismo. Desta forma, talvez o melhor para a seleção seja começar a entender que uma nova fase precisa surgir. Valencia tem uma história enorme com a camisa do Equador, e isso não será apagado por uma Copa ruim. Porém, ao que tudo indica, seu ciclo com a seleção equatoriana chegou ao fim.
A Alemanha avançou em primeiro, mas deixa sinais de alerta
A Alemanha terminou a fase de grupos na primeira colocação, mas a campanha não foi tão segura quanto a posição na tabela pode indicar. A equipe começou a Copa do Mundo com uma goleada sobre Curaçao e transmitiu uma sensação bastante positiva. Porém, os dois jogos seguintes deixaram dúvidas importantes.
Contra a Costa do Marfim, os alemães já haviam sofrido mais do que o esperado. A equipe saiu atrás no placar, buscou a virada e venceu por 2 a 1 apenas no fim, com um gol no último minuto da partida. Mesmo criando mais, a seleção alemã permitiu que o adversário tivesse boas oportunidades. Inclusive, a Costa do Marfim poderia ter matado o jogo antes da virada alemã.
Diante do Equador, o problema voltou a aparecer. A Alemanha começou muito bem, abriu o placar cedo com Sané e parecia ter o jogo sob controle. No primeiro tempo, a equipe teve um certo domínio, conseguindo mais posse e mais finalizações. Porém, quando o Equador aumentou a intensidade e passou a pressionar mais alto, a equipe perdeu segurança.
A saída de bola ficou mais problemática e os alemães tiveram dificuldade para encontrar soluções, principalmente na articulação do meio-campo. Mesmo depois de sofrer a virada, a equipe não conseguiu transformar sua posse em um grande volume de chances claras. Nos minutos finais, Undav ainda teve uma boa finalização, mas o time produziu menos do que se esperava para buscar o empate.
Isso não significa que a Alemanha deixe de ser uma seleção forte. O elenco continua tendo muita qualidade e a classificação em primeiro lugar confirma que o objetivo inicial foi cumprido. No entanto, a fase de grupos deixa um aviso importante.
Depois de cair duas vezes seguidas na primeira fase em Copas do Mundo, a Alemanha voltou ao mata-mata. Só que, se quiser realmente ir longe, precisará corrigir os problemas que apareceram contra Costa do Marfim e Equador. Contra adversários mais fortes, sofrer tanto e correr riscos pode custar muito caro.
Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.