Como se já não bastasse vencer, foi necessário convencer. A vitória da França, por 4 a 1, sobre a Noruega, consolidou Les Bleus como amplos favoritos à conquista da Copa do Mundo. Com direito a triplete, Ousmane Dembélé foi a estrela do jogo e mostrou o porquê de ser considerado um dos melhores jogadores da atualidade.
As duas seleções estavam classificadas. Por isso, ambas foram a campo com mudanças — principalmente a Noruega. No entanto, ainda havia a disputa para saber quem seria o líder do grupo I e, em tese, ter um adversário mais tranquilo na próxima fase. Só que o tempo definiu que foi somente a França quem teve a melhor estratégia — mas que não deixou de tomar susto.
A seguir, quatro impressões que ficaram de uma vitória maiúscula dos franceses e que pôs os noruegueses no caminho do Brasil, num possível confronto de oitavas de final:
O luto, as mudanças e uma estratégia de jogo fatal da França.
Em campo, as equipes posicionaram-se nos seus esquemas padrões: 4-3-3 para a Noruega, 4-2-3-1 para a França. No lado norueguês, dez mudanças; no francês, quatro — cinco, se contarmos que o comando de Les Bleus ficou a cargo de Guy Stéphan, auxiliar do técnico Didier Deschamps.
O treinador da atual vice-campeã mundial deixou a concentração da seleção em razão do falecimento da mãe. Em função disso, o ex-jogador viajou de última hora para a França, tendo o devido momento de luto.
Les Bleus, liderados por Kylian Mbappé, exibiram o porquê são considerados um dos melhores da atualidade, mas não somente isso: demonstraram o quão são bem treinados, não mudando a característica do time com outras peças.
Uma marcação forte dentro do próprio campo, um trabalho de movimentação ágil e gatilhos de pressão bem definidos. Esse foi o segredo da equipe bicampeã mundial. A partir desse tripé, a França roubava a bola e iniciava sua principal jogada: a transição veloz.
Foi com essa mesma trama que Dembélé foi fatal: três chutes e três gols. 100% de aproveitamento nos arremates.
A Noruega até se engraçou e encontrou um gol de Thelo Aasgaard, mas não foi suficiente. O time iniciou a partida com muitas alterações em relação ao seu último jogo (contra Senegal) e demorou para entrar na sua rotação ideal.
O selecionado escandinavo parecia despreocupado com a questão da liderança. Já classificados, os comandados de Stale Solbakken sequer foram com a força máxima, mas ainda assim causaram perigo ao gol defendido por Maignan.
Escolha boa ou ruim?
Ao olharmos onze iniciais de cada time, podemos dizer quem estava pensando no futuro. Em um jogo realizado em uma cidade (Foxborough) mais quente, foi perspicaz quem pensou que o próximo jogo seria em um local com clima mais parecido.
Quem passaria em segundo na chave certamente vai enfrentar um calor escaldante de Dallas. Nesse aspecto, quem está mais acostumado com a temperatura mais alta sairia mais bem preparado — neste caso, a França.
Os franceses foram líderes e evitaram o confronto mais ardiloso contra uma Costa do Marfim que já deu vida dura para a Alemanha nesta Copa do Mundo.
A Noruega, por outro lado, preveniu seus jogadores, mas deixou uma lacuna em aberto na preparação. Não é todo dia que Haaland e Odegaard enfrentam um calor de mais de 30°.
Dembélé foi realmente impecável.
Um primeiro tempo de manual do atual Bola de Ouro. É assim que pode-se definir a atuação de Ousmane Dembélé contra a Noruega.
A movimentação do jogador seguiu um padrão, mas que não foi marcado em nenhum momento pelo lateral esquerdo Bjorkan. A cobertura das jogadas estava comprometida, já que Patrick Berg jogou pendurado os 90 minutos e Aasgard — autor do gol do desconto — atuava mais avançado. Desse modo, em todas as situações, estava difícil anular o lado direito letal da França.
Sempre em direção ao gol. Foi assim que, objetivamente, Dembélé seguiu. Se Mbappé foi dono de duas assistências, as duas foram para o artilheiro da tarde no Gillette Stadium. Três gols iguais, mas que exemplificaram o quão bem azeitada e entrosada a França é.
Maignan também gostou das reverências
Nunca devemos subvalorizar uma defesa de pênalti. Em um momento em que a Noruega cresceu na partida, Maignan esteve lá para impedir uma reação maior dos escandinavos.
No primeiro tempo, quando a França já estava vencendo por 1 a 0, o camisa 16 fez boa defesa na tentativa de Kristian Thorstvedt de fora da área. Seria o cartão de visita do arqueiro do Milan, mas não a sua intervenção mais importante.
Na segunda etapa, a Noruega teve um pênalti a seu favor — cometido por Theo Hernández. Do jeito mais nostálgico possível, Maignan relembrou as últimas temporadas no clube rossonero e salvou a pele do lateral esquerdo — atualmente no Al-Hilal.
A cobrança de Strand Larsen careceu de precisão e força, enquanto a defesa de Maignan foi robusta de reflexos e velocidade. Se o cobrador da penalidade fosse o usuário da camisa 9 da Noruega, talvez tivesse sido diferente, mas nada que possa ser feito agora. Ponto para quem teve mais confiança e se redimiu de um desempenho tecnicamente abaixo na partida contra Senegal.
Para fechar com chave de ouro sua exibição, o camisa 16 impediu nova investida da Noruega. Na falha da zaga ao tentar sair jogando, a bola chegou em Oscar Bobb. Só que o ponta do Manchester City viu uma muralha surgir em sua frente. O resultado foi o mesmo: defesa de Maignan.
No fim, a vitória condecorou quem estava mais apto para lidar com diversas situações de jogo. Para além das duas performances de destaque, o time francês, de fato, mostrou que não era suficiente vencer, e sim convencer. Quatro gols — um para cada arremate da Noruega no jogo inteiro.
Próximos jogos de Noruega e França.
- França x 3.º melhor colocado de C, D, F, G ou H — 30/06, 18h, no MetLife Stadium, em East Rutherford (EUA)
- Costa do Marfim x Noruega — 30/06, 14h no AT&T Stadium, em Arlington (EUA)
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