Ferrán Torres, Espanha. Foto: Andrew J. Clark/ISI Photos/ISI Photos via Getty Images.
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O que aconteceu com Ferrán Torres? Atacante vive fase oposta à do Barcelona na Copa do Mundo

Uma das esperanças de gol da Espanha nessa Copa do Mundo, Ferrán Torres vive uma fase para esquecer no torneio. Sem marcar nenhum gol pela La Roja no Mundial, o atacante do Barcelona está em um período que contradiz sua fase no clube, do qual teve sua temporada mais artilheira.

A Espanha venceu dois de seus três compromissos na fase de grupos da Copa. Triunfos sobre a Arábia Saudita e Uruguai (vitória mais recente) e o tropeço histórico contra Cabo Verde. Porém, uma cena que chamou a atenção, curiosamente, foi na vitória sobre os sauditas.

Quando a partida já estava 4 a 0 para os espanhóis, Ferrán Torres marcou o quinto. Contudo, enquanto rolava a costumeira análise do VAR, o atacante demonstrou certo desespero e, na leitura labial, foi flagrado que ele disse palavras como “por favor, que seja validado”. A reação foi de frustração e resumiu bem a fase do camisa 7 da Espanha.

Mas, afinal de contas, o que aconteceu com Ferrán Torres?

A fase mais artilheira na última temporada

Barcelona, Ferrán Torres. Foto: Ion Alcoba Beitia/Getty Images
Barcelona, Ferrán Torres. Foto: Ion Alcoba Beitia/Getty Images

 

Desde que se transferiu para o Barcelona na temporada 2021/22, o atacante jamais tinha passado dos 20 gols. Na última jornada dos blaugranas, Ferrán Torres se superou e anotou 21 tentos — sendo 16 deles por La Liga.

Foram 33 aparições pelo Barça no campeonato, correspondendo a uma média aproximada de 1 gol a cada 2 jogos. É uma estatística notável, mas que não condiz com o desempenho na seleção espanhola.

Na campanha do último título espanhol do Barcelona, Ferrán Torres foi fundamental. Foi ele quem fez um hat-trick contra o Real Betis, em La Cartuja; foi dos pés dele que saíram três assistências no ‘El Clásico’, vencido pelos catalães por 4 a 3; e fora os dobletes contra Getafe, Athletic Club e Espanyol. Em suma, não dá para descartar sua importância na conquista blaugrana.

Os números podem ser frios, mas também é uma ciência exata que tem seu valor nessas horas. Para todos os efeitos, não faz tanto tempo que a torcida culé usava memes para definir Ferrán Torres como uma solução emergencial de Hansi Flick.

Na Espanha não é uma unanimidade

Ferrán Torres, Uruguai x Espanha, Copa do Mundo 2026. Foto: Luis Cano/Jam Media/Getty Images
Ferrán Torres, Uruguai x Espanha, Copa do Mundo 2026. Foto: Luis Cano/Jam Media/Getty Images

 

Antes de qualquer argumentação, é necessário pontuar: Ferrán Torres nunca foi um titular incontestável na Espanha. Revelado nas categorias de base do Valencia, o atleta fez sua estreia na seleção em setembro de 2020, quando ela estava sob o comando de Luis Enrique.

O técnico certamente sabia o que estava fazendo. Atual bicampeão consecutivo da Champions League, Luis Enrique tem um histórico de dar chances a jovens promessas e potencializá-las. Foi assim que um jovem de 20 anos, recém-transferido para o Manchester City, surgiu em La Roja.

Na seleção de Enrique, ele tinha projeção. Para além disso, ele teve a oportunidade de ser treinado por outro comandante espanhol, conhecido pelo estilo de jogo associativo: Pep Guardiola.

Não chegou a ser titular com o também ex-técnico do Barcelona, mas nunca deixou de receber os ensinamentos de um dos gênios do futebol.

Sob as orientações desses ícones, o resultado está à mostra: 60 jogos e 24 gols pela Espanha. No currículo, estão duas disputas de Copa do Mundo (2022 e 2026) e Eurocopa (2020/21 e 2024) — sendo que, em 2024, bradou junto dos companheiros o título de campeão europeu por La Roja.

Só que não adianta bagagem sem um desempenho convincente — até mesmo sequência de jogos. Não importa quem estivesse no comando de ataque, Álvaro Morata, Mikel Oyarzábal ou Joselu, o reserva quase sempre seria Ferrán Torres.

Não teve destaque. Mas seguiu sendo convocado. O desempenho por clube pode até encantar, mas nada que fosse se consolidar representando o país em uma competição de elite.

Os outros contribuíam e continuam. Oyarzábal fez gol do título europeu em Berlim; Morata tornou-se o quarto maior artilheiro da seleção. Fora Lamine Yamal e Nico Williams, expoentes de uma nova geração que empolga, já que a anterior — justamente a de Ferran — teve poucos que se estabeleceram como craques, de fato.

Seria tão triste alguém que foi considerado uma joia perder-se numa sequência de lances de gols perdidos — algo que não poderia resumir sua carreira toda. Contra o Uruguai, mais munição foi dada aos críticos. Frente a frente com Sergio Rochet, Ferran Torres mandou na trave, o que é, até então, um bom resumo do que está sendo pela Espanha.

Espanha na Copa do Mundo

A Espanha aguarda seu adversário na segunda fase da Copa do Mundo. A definição ocorre hoje, no confronto entre Argélia e Áustria, disputado às 23h (horário de Brasília). Quem vencer fica com a segunda colocação do grupo J e pegará a seleção espanhola na próxima etapa.

O confronto entre La Roja e o segundo lugar do grupo J ocorre no dia 2 de julho (quinta-feira), às 16h (horário de Brasília). A partida será realizada no SoFi Stadium, na cidade de Inglewood (EUA).

Créditos da foto de capa: Andrew J. Clark/ISI Photos/ISI Photos via Getty Images