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Futebol Copa do Mundo

Alemanha admite fracasso e busca respostas após nova decepção na Copa

A eliminação da Alemanha para o Paraguai nos 16 avos da Copa do Mundo foi uma das maiores surpresas do torneio até aqui. Após empate por 1 a 1 no tempo normal, a seleção alemã acabou derrotada por 4 a 3 nos pênaltis, desperdiçando três cobranças e dando adeus à competição muito antes do que imaginava. Mais do que o resultado de uma única partida, a queda representa mais um capítulo de um período complicado para uma das seleções mais tradicionais da história do futebol.

Depois de viver uma era extremamente consistente em Copas do Mundo, a Alemanha voltou a deixar a competição cercada por questionamentos. A equipe até conseguiu avançar da fase de grupos Neste cenário, fica difícil tratar a eliminação apenas como um acidente. Os últimos anos mostram que existe um problema maior.

Alemanha segue distante do protagonismo na Copa do Mundo

Durante muito tempo, a Alemanha foi sinônimo de regularidade em grandes torneios. Entre as Copas do Mundo de 2002 e 2014, a seleção disputou quatro edições consecutivas chegando, no mínimo, entre as quatro melhores equipes do torneio. Foi vice-campeã em 2002, terminou na terceira colocação em 2006 e 2010 e, por fim, conquistou o tetracampeonato mundial em 2014, encerrando um ciclo histórico. No entanto, desde aquele título, o cenário mudou completamente.

A Alemanha não disputa as oitavas de final da Copa do Mundo desde a campanha do tetra. Em 2018, caiu ainda na fase de grupos. Em 2022, repetiu a mesma decepção. Agora, em 2026, o país conseguiu avançar pela primeira vez desde então, mas parou logo nos 16 avos diante do Paraguai. Neste cenário, o desempenho ao longo da competição também ajuda a ilustrar o desfecho decepcionante.

A seleção alemã não conseguiu apresentar um futebol convincente na vitória contra a Costa do Marfim nem no empate contra o Equador. A única atuação realmente dominante aconteceu na goleada por 7 a 1 sobre Curaçao, uma seleção sem nenhuma tradição no cenário mundial e que possui um nível técnico bastante inferior ao da Alemanha.

Ou seja, o placar elástico acabou escondendo uma campanha que, no restante do torneio, levantou muito mais dúvidas do que certezas.

Contra o Paraguai, essas dificuldades voltaram a aparecer. A Alemanha encontrou problemas para criar oportunidades durante boa parte da partida, viu o adversário abrir o placar e precisou correr atrás do empate no segundo tempo. Depois disso, pressionou mais, teve um gol anulado após revisão do VAR, mas não conseguiu transformar o volume ofensivo em vantagem no placar.

Nos pênaltis, a situação ficou ainda mais complicada. Kai Havertz desperdiçou a primeira cobrança alemã. Nick Woltemade também parou no goleiro Orlando Gill. Já após as cinco cobranças iniciais, Jonathan Tah isolou sua batida e acabou permitindo que o Paraguai decretasse a eliminação do seu país. 

O resultado pesa ainda mais pelo contexto. A Alemanha entrou na Copa do Mundo cercada por expectativas de voltar a competir em alto nível após duas eliminações consecutivas na fase de grupos. Em vez disso, deixou o torneio novamente antes das oitavas de final, reforçando a sensação de que o país ainda está distante do protagonismo que marcou sua história.

Alemanha admite momento difícil e volta a pensar em mudanças

Após a eliminação, Julian Nagelsmann não tentou esconder a frustração. O treinador reconheceu que o momento da Alemanha está longe do esperado e afirmou que a sequência de resultados mostra que a seleção já não pode mais ser colocada entre as principais forças do futebol mundial. Ao analisar a derrota para o Paraguai, o técnico destacou que a equipe voltou a sofrer pela falta de eficiência ofensiva. 

Segundo ele, quando uma seleção não consegue transformar suas oportunidades em gols, acaba permitindo que adversários aproveitem as chances que aparecem ao longo da partida.

Nagelsmann também afirmou que não pretende deixar o cargo por iniciativa própria. O treinador disse que seguirá trabalhando caso a Federação Alemã deseje sua permanência, embora reconheça que muitas pessoas no país defenderão mudanças depois de mais uma campanha decepcionante.

Enquanto isso, entre os jogadores, o clima também era de abatimento. Neste cenário, Kai Havertz pediu desculpas aos torcedores e lembrou que esta foi sua segunda participação em uma Copa do Mundo, com eliminações nas duas oportunidades. O atacante afirmou que a Alemanha chegou ao torneio com grandes expectativas, mas nunca conseguiu encontrar seu melhor futebol durante a competição. Havertz afirmou que “faltou alguma coisa” para a equipe durante todo o Mundial.

Nadiem Amiri também lamentou a eliminação e destacou que o elenco possui qualidade para evoluir nos próximos anos. Ainda assim, afirmou que aquele não era o momento para pensar no futuro, já que o sentimento predominante no grupo era de tristeza pela forma como a campanha terminou.

Agora, a tendência é que a Federação Alemã passe a discutir os próximos passos do projeto da seleção. Afinal, esta já é a terceira Copa do Mundo consecutiva em que o país fica muito abaixo das expectativas.

Curiosamente, esta não seria a primeira vez que o futebol alemão precisaria passar por uma reconstrução. Depois das eliminações precoces na Copa do Mundo de 1998 e na Eurocopa de 2000, a Alemanha promoveu mudanças profundas na formação de jogadores e na estrutura da seleção. Poucos anos depois, voltou a disputar títulos e alcançou o tetracampeonato mundial.

Resta saber se chegou o momento de iniciar um novo processo semelhante. A história mostra que a Alemanha já encontrou soluções em momentos difíceis. Porém, para voltar a disputar a Copa do Mundo em condições de lutar pelo título, será necessário fazer muito mais do que lamentar a eliminação para o Paraguai.

Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.