Por alguns segundos, a Croácia acreditou que havia levado a decisão contra Portugal para a prorrogação. Já nos acréscimos do segundo tempo, Joško Gvardiol balançou as redes e incendiou a torcida croata. A comemoração, porém, durou pouco.
Após revisão do VAR, o gol foi anulado por impedimento, confirmando a vitória portuguesa por 2 a 1 e decretando a eliminação dos vice-campeões mundiais. O que chamou atenção não foi apenas a decisão, mas a tecnologia utilizada para validá-la: um microchip instalado dentro da bola oficial da Copa do Mundo.
O detalhe que mudou o jogo entre Croácia e Portugal

O lance começou com um lançamento de Ivan Perišić para a área. Mario Pašalić disputou a jogada, a bola desviou e sobrou para Gvardiol, que finalizou para o fundo das redes.
Nas imagens de televisão, era praticamente impossível identificar se Igor Matanović havia tocado na bola antes de ela chegar a Pašalić. Essa diferença era justamente o ponto central da análise. Foi então que entrou em ação a tecnologia da bola conectada.
O sensor confirmou que Matanović desviou na bola de cabeça antes de ela chegar a Pašalić. Como o atacante croata estava em posição irregular no momento desse toque, a jogada passou a configurar impedimento — ainda que Pašalić estivesse em condição legal no passe inicial de Perišić.
A confirmação eletrônica eliminou qualquer dúvida sobre a origem do toque e deu respaldo à decisão do VAR de invalidar o gol.
Como funciona o microchip da bola?

A tecnologia utilizada é chamada pela fornecedora oficial de Connected Ball Technology (Tecnologia da Bola Conectada), apresentada oficialmente antes da Copa do Mundo.
Diferentemente do que muitos imaginam, o sensor não fica suspenso no centro da bola. Ele é instalado em um dos quatro painéis internos, enquanto o restante da estrutura recebe contrapesos para manter o equilíbrio durante o jogo.
O dispositivo registra dados de movimento em tempo real e envia as informações diretamente para a cabine do VAR.
Além de indicar exatamente quando um jogador toca na bola, o sistema também é capaz de fornecer informações como:
- o instante exato do contato;
- a velocidade do chute;
- a intensidade do impacto;
- possíveis desvios que auxiliam na marcação de impedimentos e até de toques de mão.
Todo esse processo acontece em frações de segundo. Como o sensor funciona por bateria, cada bola precisa ser carregada antes das partidas. Segundo a Adidas, a autonomia é de aproximadamente seis horas após a carga completa.
Tecnologia decisiva
A Croácia tornou-se uma das primeiras seleções da Copa de 2026 a ser eliminada em um lance diretamente esclarecido pela tecnologia da bola conectada.
Embora o VAR já fosse capaz de revisar imagens sob diferentes ângulos, o microchip forneceu uma informação que dificilmente poderia ser confirmada apenas pelas câmeras: o toque de Matanović antes da conclusão da jogada.
Com a decisão confirmada, Portugal garantiu a classificação às quartas de final, onde enfrentará a Espanha. Já a Croácia se despediu da Copa do Mundo de maneira dolorosa, vendo a tecnologia ter papel decisivo em um dos lances mais dramáticos do torneio.
Créditos da foto de capa: Justin Setterfield/Getty Images