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Copa do Mundo Seleção Brasileira

Haaland derruba o Brasil, faz história com a Noruega e se torna a maior ameaça à Inglaterra

A Noruega está nas quartas de final de uma Copa do Mundo pela primeira vez na história. A seleção que não disputava o torneio desde 1998 eliminou o Brasil com uma vitória por 2 a 1 e transformou uma campanha que já era especial em um dos maiores acontecimentos esportivos da história do país.

No centro de tudo está Erling Haaland.

O atacante de 25 anos marcou os dois gols da vitória sobre a seleção pentacampeã e mostrou novamente por que não precisa participar constantemente do jogo para decidir uma partida. Haaland deu apenas 30 toques na bola, completou 13 passes e teve somente quatro ações dentro da área brasileira. Ainda assim, encontrou espaço para marcar duas vezes e garantir a classificação norueguesa.

Os números da atuação ajudam a explicar o tipo de jogador que a Inglaterra enfrentará nas quartas de final.

Haaland não precisa dominar a posse, receber dezenas de passes ou acumular finalizações. Sua maior força está na capacidade de transformar poucas oportunidades em gols.

Contra o Brasil, seu índice de gols esperados foi de apenas 0,39. Isso significa que, considerando a qualidade das chances que recebeu, o cenário mais provável seria que ele terminasse a partida sem marcar. Haaland fez dois gols.

A diferença entre o esperado e o realizado resume o impacto do atacante nesta Copa do Mundo.

Quatro toques na área e dois gols contra o Brasil

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 (Photo by Al Bello/Getty Images)

Durante boa parte do confronto, o Brasil parecia controlar Haaland.

Antes do intervalo, o norueguês havia dado apenas um toque na bola dentro da área. O duelo individual com Gabriel Magalhães, zagueiro que ele conhece da Premier League, era uma das principais histórias antes do início da partida.

Nos primeiros 45 minutos, o defensor brasileiro parecia levar vantagem.

O cenário mudou quando a partida ficou mais aberta. Com mais espaços disponíveis, Haaland precisou de pouco para decidir. Aos 79 minutos, superou Gabriel pelo alto e abriu o placar. Onze minutos depois, marcou novamente, desta vez com uma finalização rasteira de fora da área.

O segundo gol mostrou ainda mais claramente sua capacidade de criar uma oportunidade onde praticamente não existia uma chance evidente.

Ao longo dos 90 minutos, Haaland deu apenas 30 toques na bola. Para efeito de comparação, Antonio Nusa, substituído no intervalo, terminou o jogo com a mesma quantidade. O camisa 9 também completou somente 13 passes.

Esses dados poderiam indicar uma atuação discreta de qualquer outro jogador. Com Haaland, contam uma história diferente.

O atacante participa do jogo de uma forma que nem sempre aparece nas estatísticas tradicionais de posse de bola. Seus movimentos em profundidade obrigam os defensores a recuar. Sua presença física prende os zagueiros. O medo de deixar espaço nas costas muda o posicionamento de toda a defesa adversária.

Esse trabalho também permite que os jogadores do meio campo da Noruega encontrem mais liberdade para avançar.

A média de aproximadamente 14 toques para cada gol ajuda a entender sua eficiência. Haaland não precisa que o jogo passe constantemente por seus pés. Ele precisa que a bola chegue uma vez no lugar certo.

Contra o Brasil, chegou.

Sete gols em quatro jogos colocam Haaland na disputa pela Chuteira de Ouro

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 (Photo by Maddie Meyer – FIFA/FIFA via Getty Images)

A atuação nas oitavas de final não foi um caso isolado.

Haaland soma sete gols em quatro partidas nesta Copa do Mundo e divide a liderança da artilharia com Kylian Mbappé e Lionel Messi. Sua média é de 1,75 gol por jogo.

Na fase de grupos, marcou duas vezes contra o Iraque e outros dois gols diante do Senegal. Depois, foi poupado na derrota por 4 a 1 para a França, confronto em que a Noruega fez dez alterações na equipe.

O descanso parece ter sido importante.

Na fase de 32 avos de final, Haaland marcou o gol decisivo contra a Costa do Marfim. Diante do Brasil, acrescentou mais dois.

Isso significa que ele participou diretamente do momento decisivo das duas primeiras vitórias da Noruega em partidas de mata mata na história das Copas

A dimensão dos números fica ainda maior quando toda a trajetória internacional do atacante é analisada. Haaland possui 62 gols em 54 partidas pela seleção principal. A média é superior a um gol por jogo, com uma bola na rede a cada 71 minutos.

Apenas seis de seus 62 gols foram marcados de pênalti.

O atacante também balançou as redes em suas últimas 14 partidas oficiais pela Noruega. Durante essa sequência, marcou 27 vezes. É preciso voltar a outubro de 2024, contra a Áustria pela Liga das Nações, para encontrar a última partida competitiva em que não fez gol pela seleção.

Antes mesmo da Copa, seu currículo internacional já incluía uma partida com cinco gols contra a Moldávia e outros cinco hat tricks.

Durante anos, uma das poucas críticas possíveis ao atacante era a ausência de uma grande atuação em uma Copa do Mundo. A Noruega não participava do torneio desde 1998, dois anos antes de seu nascimento.

Esse argumento desapareceu.

Haaland chegou ao maior torneio do futebol e marcou sete vezes em quatro partidas. Contra o Brasil, mostrou seu poder de decisão em um confronto eliminatório diante da seleção mais vitoriosa da história da competição.

A Noruega transformou décadas de ausência em uma campanha histórica

A vitória por 2 a 1 representa muito mais do que a classificação para as quartas de final.

Esta é apenas a quarta participação da Noruega em uma Copa do Mundo. A seleção disputou as edições de 1938, 1994 e 1998 antes de retornar ao torneio em 2026.

Suas melhores campanhas anteriores terminaram nas oitavas de final. A primeira aconteceu em 1938. A segunda, exatamente 60 anos depois, em 1998.

Até esta Copa, a Noruega nunca havia vencido uma partida eliminatória no torneio.

Agora, venceu duas seguidas.

A primeira classificação abriu uma porta histórica. A segunda veio contra o Brasil, pentacampeão mundial e maior vencedor da competição.

A seleção comandada por Stale Solbakken está a três vitórias do título. A ideia de ver a Noruega campeã mundial ainda parece surpreendente diante da história do futebol, mas a presença de Haaland muda a maneira como qualquer adversário precisa analisar esse confronto.

O próprio treinador reconheceu antes do jogo que não considerava as chances contra o Brasil iguais. A Noruega não era favorita, mas tinha jogadores capazes de decidir.

Nenhum representa isso melhor do que Haaland.

A campanha também criou uma conexão especial entre a seleção e o país. Milhares de noruegueses chegaram ao estádio usando capacetes vikings, carregando enormes bandeiras vermelhas e cantando as músicas que se tornaram parte da trajetória da equipe no torneio.

Depois da classificação, Haaland liderou a festa. Tocou o tambor e participou com os companheiros da tradicional remada viking diante da torcida.

A comemoração se tornou um símbolo da campanha.

Para Solbakken, o país inteiro está “remando junto”. A festa não acontece apenas nos estádios. Ela se espalhou por Oslo e por cidades grandes e pequenas em toda a Noruega.

A Inglaterra sabe quem será o maior perigo nas quartas de final

O próximo desafio da Noruega será contra a Inglaterra, que venceu o México por 3 a 2 nas oitavas de final.

Os ingleses chegarão às quartas sabendo exatamente onde está a principal ameaça.

O problema é que saber nem sempre significa conseguir impedir.

Gabriel Magalhães conhece Haaland da Premier League. O zagueiro brasileiro conseguiu limitar o atacante durante boa parte da partida. O norueguês quase não tocou na bola dentro da área e terminou o jogo com um xG baixo.

Nada disso foi suficiente.

Essa é a dificuldade de enfrentar Haaland. Um defensor pode vencer vários duelos, impedir que ele participe do jogo e controlar seus movimentos durante longos períodos. Um erro, um espaço ou uma bola disputada pode mudar tudo.

A Inglaterra terá pela frente um atacante com 62 gols em 54 jogos pela seleção, 27 gols nas últimas 14 partidas oficiais e sete gols em quatro apresentações nesta Copa.

Haaland também chega às quartas depois de eliminar o Brasil praticamente sozinho no placar.

A Noruega esperou 28 anos para voltar a uma Copa do Mundo. Em poucas semanas, venceu suas primeiras partidas eliminatórias, alcançou as quartas de final pela primeira vez e derrubou a seleção mais vitoriosa da história.

Agora, o país acredita que pode ir ainda mais longe.

Essa confiança tem muitos motivos. O maior deles tem cabelos loiros, precisa de poucos toques na bola e está vivendo um dos momentos mais decisivos de sua carreira.

(Foto de capa: Al Bello/Getty Images)

 

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Kaique