O Newcastle parece ter aprendido com os erros recentes no mercado de transferências. Depois de uma temporada marcada por vendas de peso e negociações frustradas, o clube inglês mudou o perfil de suas contratações e começa a desenhar uma nova estratégia para reconstruir o elenco.
Nos últimos meses, os Magpies perderam três de seus principais jogadores. Alexander Isak, Anthony Gordon e Sandro Tonali deixaram St. James’ Park, em negociações que renderam cerca de 333 milhões de euros aos cofres do clube. Apesar do alto valor arrecadado, as saídas aumentaram a preocupação da torcida, principalmente pelo desempenho abaixo do esperado das contratações feitas na última janela.
Mais do que investir alto sem retorno imediato, o maior problema do Newcastle foi outro: perder disputas por jogadores que eram prioridades. Diversos alvos acabaram escolhendo outros destinos, mesmo após semanas de negociações com o clube.
O caso mais recente foi o de Victor Muñoz, que acertou sua transferência para o Liverpool depois de permanecer por um longo período na mira da equipe comandada por Eddie Howe. A situação fez lembrar uma série de negociações frustradas vividas pelo clube nas últimas temporadas. Desta vez, porém, a resposta veio rapidamente.
O Newcastle fechou a contratação do ponta Bazoumana Touré por 50 milhões de euros e também está muito próximo de anunciar Sean Steur, meia de apenas 18 anos revelado pelo Ajax. Os dois negócios representam uma mudança clara na política esportiva do clube.
Uma reconstrução voltada para o futuro

Até pouco tempo, o Newcastle priorizava jogadores já consolidados, muitos deles com experiência na Premier League e em seu auge físico. A estratégia, no entanto, não trouxe os resultados esperados.
Na temporada passada, os Magpies tinham um dos elencos mais envelhecidos da Premier League. Lewis Hall e Lewis Miley eram praticamente os únicos titulares com até 21 anos, enquanto as principais contratações recentes privilegiavam atletas mais experientes.
A fórmula acabou não funcionando. Jogadores contratados por cifras elevadas não conseguiram justificar o investimento, e o clube terminou a temporada apenas na 12ª colocação do Campeonato Inglês.
Sem vaga nas competições europeias, tornou-se ainda mais difícil convencer nomes já consolidados a escolherem o projeto do Newcastle em detrimento de gigantes do continente.
Jovens promessas ganham prioridade
A chegada do diretor esportivo Ross Wilson marcou uma mudança importante na forma como o clube atua no mercado.
Em vez de disputar jogadores prontos com equipes de maior tradição e poder de investimento, o Newcastle passou a mirar atletas mais jovens, ainda em desenvolvimento e com margem de evolução.
A primeira contratação dessa nova fase foi o goleiro Ewen Jaouen, de 20 anos, contratado junto ao Reims. Depois vieram as investidas por nomes como Johan Manzambi, além da negociação concluída por Bazoumana Touré.
O atacante marfinense, inclusive, representa bem essa nova filosofia. Segundo pessoas próximas ao jogador, Touré fez questão de priorizar o Newcastle assim que soube do interesse inglês, cenário bem diferente do vivido pelo clube em outras janelas, quando diversos alvos preferiram assinar com concorrentes. Agora, Sean Steur caminha para seguir o mesmo roteiro.
Um passo atrás para dar vários à frente

A nova política do Newcastle naturalmente exige paciência. Substituir jogadores consolidados por jovens promessas pode reduzir o nível competitivo da equipe no curto prazo, mas a diretoria entende que esse é o caminho mais sustentável para reconstruir o elenco.
Além de reduzir o risco de investir valores elevados em atletas já valorizados, o clube aposta no desenvolvimento esportivo e financeiro dessas promessas, que podem formar a base da equipe nos próximos anos.
O planejamento também está longe de terminar. A expectativa é de que o Newcastle ainda realize pelo menos mais cinco contratações até o encerramento da janela.
Se mantiver o perfil adotado neste início de mercado, os Magpies parecem finalmente ter encontrado uma identidade mais coerente para voltar a crescer: menos apostas caras em jogadores já estabelecidos e mais investimento em talentos que enxergam o clube como uma oportunidade de evolução, e não apenas como uma alternativa de mercado.
Créditos da foto de capa: Reprodução/Newcastle United



