A Espanha está novamente entre as quatro melhores seleções do mundo. A vitória por 2 a 1 sobre a Bélgica colocou a equipe nas semifinais da Copa do Mundo e reforçou uma característica que tem marcado a campanha espanhola: a força do coletivo. Se outras seleções dependem quase exclusivamente de seus grandes astros, a equipe comandada por Luis de la Fuente mostra que pode decidir partidas com diferentes protagonistas.
Desta vez, o herói foi Mikel Merino. O meio-campista do Arsenal saiu do banco de reservas pela segunda partida consecutiva para marcar o gol da vitória, repetindo o roteiro das oitavas de final, quando também decidiu a classificação diante de Portugal. Enquanto Merino vive um dos melhores momentos da carreira, outro nome segue cercado por expectativa: Lamine Yamal.
Considerado um dos principais talentos do futebol mundial, o atacante de apenas 18 anos ainda não conseguiu repetir na Copa do Mundo o desempenho que o transformou em um dos protagonistas da conquista da Eurocopa de 2024. Mesmo sem números expressivos, técnicos e ex-jogadores acreditam que sua influência dentro do sistema espanhol continua sendo enorme.
Agora, diante da França de Kylian Mbappé, a Espanha espera que seus dois personagens tenham novamente papel decisivo, cada um à sua maneira.
Merino transforma superação em protagonismo na campanha espanhola

Poucos meses antes da Copa do Mundo, a presença de Mikel Merino no torneio parecia praticamente impossível.
Em janeiro, o jogador sofreu uma lesão extremamente incomum no pé. A fratura por estresse aconteceu em uma região que, segundo especialistas, raramente apresenta esse tipo de problema. A recuperação foi longa e fez com que Merino perdesse boa parte da reta final da temporada pelo Arsenal.
O retorno aconteceu apenas um mês antes do início da Copa.
Mesmo assim, Luis de la Fuente manteve confiança no jogador e decidiu levá-lo para o torneio.
A aposta rapidamente mostrou resultado.
Nas oitavas de final, Merino saiu do banco para marcar o gol da classificação contra Portugal nos acréscimos. Nas quartas, repetiu exatamente o mesmo papel ao decidir a vitória sobre a Bélgica.
O desempenho transformou o meio-campista em uma das principais armas da seleção espanhola.
Luis de la Fuente não economizou elogios após a partida.
Para o treinador, Merino reúne características que permitiriam ao jogador atuar em qualquer equipe desta Copa do Mundo.
Além da qualidade técnica, o técnico destacou sua inteligência tática, comprometimento e capacidade de interpretar diferentes funções dentro da equipe.
Essa versatilidade também aparece no Arsenal.
Embora seja um meio-campista de origem, Merino passou a atuar diversas vezes como atacante sob o comando de Mikel Arteta.
A mudança aconteceu principalmente por causa de sua estatura, força física e excelente jogo aéreo.
A adaptação deu certo.
Em fevereiro do ano passado, saiu do banco para marcar dois gols na vitória sobre o Leicester, mostrando que também pode ser decisivo próximo da área.
Wayne Rooney resumiu bem essa característica.
Segundo o ex-atacante inglês, Merino é aquele tipo de jogador que sempre aparece no momento certo durante os grandes jogos.
Até aqui, os números confirmam essa impressão.
A Espanha chegou às semifinais muito graças aos gols marcados por um atleta que poucos apontavam como protagonista antes do início da competição.
Lamine Yamal ainda busca seu grande momento na Copa

Enquanto Merino cresce durante o torneio, Lamine Yamal vive uma situação diferente.
O jovem atacante chegou à Copa cercado por enorme expectativa depois da excelente atuação na conquista da Eurocopa de 2024.
Naquele torneio, foi um dos jogadores mais decisivos da Espanha e consolidou sua imagem como uma das maiores promessas do futebol mundial.
Na Copa, o desempenho ainda não atingiu o mesmo nível.
Em seis partidas disputadas, Lamine marcou apenas um gol.
Os números são modestos quando comparados aos principais candidatos à Chuteira de Ouro.
Lionel Messi, Kylian Mbappé, Erling Haaland e Harry Kane vêm decidindo jogos com frequência e aparecem entre os maiores artilheiros da competição.
Mesmo assim, reduzir a importância de Lamine apenas aos gols seria um erro.
Especialistas destacam que sua influência vai muito além das estatísticas.
Sua velocidade obriga os adversários a dobrarem a marcação. Sua capacidade no drible atrai defensores e cria espaços para jogadores como Merino aparecerem em melhores condições para finalizar.
Wayne Rooney lembrou que até Lionel Messi toma decisões erradas durante uma partida.
Segundo ele, também é importante considerar que Lamine chegou ao torneio ainda se recuperando de problemas físicos e precisou recuperar o ritmo ao longo da competição.
O ex-zagueiro espanhol César Azpilicueta compartilha uma visão semelhante.
Para ele, embora o jovem ainda não tenha acumulado gols e assistências, continua sendo extremamente influente no funcionamento ofensivo da seleção.
Sua movimentação constante dificulta a marcação adversária e abre possibilidades para os companheiros.
Azpilicueta acredita que Lamine ainda possui muito mais a oferecer.
E talvez o momento ideal para isso tenha finalmente chegado.
França será o maior desafio da Espanha na Copa

Até aqui, a campanha espanhola impressiona principalmente pela organização defensiva.
O gol sofrido contra a Bélgica foi o primeiro da equipe em toda a Copa do Mundo.
A consistência na marcação permitiu que a Espanha controlasse praticamente todas as partidas disputadas.
Agora, o cenário muda completamente.
Pela frente estará a França, dona do ataque mais eficiente da competição.
Com Mbappé vivendo grande fase e diversos jogadores capazes de decidir partidas, a seleção francesa representa o teste mais difícil enfrentado pelos espanhóis até agora.
Isso aumenta ainda mais a importância do setor ofensivo.
A Espanha não poderá depender apenas de sua defesa.
Será necessário manter a posse de bola, controlar o ritmo da partida e aproveitar as oportunidades criadas.
Nesse contexto, tanto Merino quanto Lamine Yamal ganham enorme importância.
Merino vive um momento de confiança e mostrou que consegue decidir jogos mesmo entrando durante o segundo tempo.
Já Lamine continua sendo o jogador capaz de desequilibrar confrontos individuais e criar espaços que poucos conseguem enxergar.
Outro aspecto que fortalece a confiança espanhola é justamente sua identidade coletiva.
Mesmo quando alguns jogadores não vivem seus melhores momentos individuais, a equipe continua apresentando organização, intensidade e controle das partidas.
Azpilicueta destacou exatamente esse ponto.
Segundo ele, a Espanha dificilmente perde o controle do jogo. A equipe recupera rapidamente a posse da bola e transmite segurança durante praticamente toda a partida.
Foi essa consistência que levou os espanhóis novamente às semifinais de uma Copa do Mundo, algo que não acontecia desde a campanha do título em 2010.
Agora, o desafio é ainda maior.
A França chega embalada, possui um ataque extremamente eficiente e também sonha com mais um título mundial.
Para a Espanha, o confronto pode representar o momento em que duas histórias diferentes finalmente se encontram.
De um lado, Mikel Merino, o herói improvável que transformou uma recuperação médica quase impossível em protagonismo dentro da Copa.
Do outro, Lamine Yamal, o jovem talento que ainda busca sua atuação mais marcante no torneio.
Se ambos conseguirem entregar o melhor futebol diante dos franceses, a seleção espanhola poderá voltar a disputar uma final de Copa do Mundo depois de 16 anos.
(Foto de capa: Alex Pantling – FIFA/FIFA via Getty Images)