A vitória da França por 2 a 0 sobre Marrocos nas quartas de final da Copa do Mundo, nessa quinta-feira (09), representou mais do que a segunda classificação seguida sobre a seleção africana, mas também a solidez e paciência da atuação francesa, considerada a melhor das seleções que disputaram esta fase da competição.
Entre as classificações de 2022 e 2026, a França passou por mudanças cruciais, como as aposentadorias de Antoine Griezmann, Olivier Giroud, Raphaël Varane e Hugo Lloris, jogadores que foram titulares na vitória pelo mesmo placar na edição realizada no Qatar. Já Kylian Mbappé se transferiu para o Real Madrid, enquanto Ousmane Dembélé atingiu o ápice de sua carreira, ao ganhar a Bola de Ouro de 2025.
Mesmo com transformações, havia uma certa familiaridade na classificação concretizada no Gillette Stadium. A forte França exalava uma confiança destemida antes mesmo do apito inicial, que se fez especialmente depois do pênalti perdido por Mbappé.
A França se classificou com facilidade para as quartas de final
A seleção treinada por Didier Deschamps chegou às quartas de final como favorita para o confronto, especialmente pela campanha construída na fase de grupos. A classificação suada obtida por 1 a 0 sobre o Paraguai mostrou um outro lado da França: uma equipe que joga com determinação e vontade.
“Eles pensaram que viríamos jogar de smoking, que só faríamos jogadas bonitas e tabelas. Nós também sabemos jogar futebol sujo. Se tivermos que sujar as mãos, vamos sujar. Não temos problema nenhum com isso”, desabafou Mbappé ao final do jogo.
As falas do craque francês foram um claro aviso aos futuros rivais que enfrentarem a seleção: a campeã de 2018 e vice de 2022 consegue encontrar diversas maneiras de vencer um jogo.
Em uma atuação memorável, França supera Marrocos
A partir do apito inicial do juiz Facundo Tello, ficou evidente a diferença entre as duas equipes. Enquanto os Blues criavam uma série de oportunidades, Marrocos se defendia, mas sem apresentar uma solidez defensiva. O desempenho dos Leões do Atlas mostrou que a série invicta de 34 jogos chegaria ao final.
Ao contrário da classificação sobre a Holanda na fase de 16 avos de final ou da categórica atuação contra o Canadá nas oitavas de final, Marrocos não se encontrava. O time de Mohamed Ouahbi era atacado e não conseguia achar uma solução para reverter o mau desempenho.
O principal nome que atordoava Marrocos era Mbappé, que com sua velocidade imparável pela lateral-esquerda passava à frente dos defensores marroquinos. Noussair Mazraoui tomou uma errônea decisão de desarmar tardiamente o jogador dentro da área e concedeu pênalti à França no final do primeiro tempo. Entretanto, a fraca cobrança que cedeu à defesa segura do goleiro Yassine Bounou parecia ter dado uma vida ao Marrocos.
Contudo, a volta do intervalo mostrou o contrário e Mbappé mudou o seu destino no confronto. Ao receber um passe de Doué na entrada da área, avançou alguns passos e finalizou com maestria, passando entre os marcadores e abrindo o placar.
Apenas seis minutos depois, foi a vez de Dembélé apresentar uma das jogadas que o credenciaram como melhor jogador do planeta. Em uma jogada de contra-ataque, ele avançou sem marcação e chutou com o pé direito de fora da área para ampliar a vantagem, contando com uma falha de Bounou.
O mérito da elogiada campanha não merece ser divulgado apenas para o ataque estrelado, mas também para o sistema defensivo. Com apenas dois gols sofridos na Copa do Mundo, o goleiro Mike Maignan ainda não foi vazado nas fases eliminatórias da competição.
O restante da partida foi administrado com tranquilidade e segurança pela França, que não correu nenhum risco de ter a vantagem ameaçada. Ao término do jogo, Marrocos acertou o gol em apenas uma ocasião, mas não criou nenhuma chance perigosa, apresentando uma média de gols esperados (xG) de apenas 0,14.
Analisando as estatísticas do jogo, fica um sentimento de que a França poderia ter terminado o confronto com goleada. No entanto, a decisão de Deschamps de tirar Mbappé e Doué foi encarada como essencial para esta constatação.
Ainda assim, a vitória foi mais do que necessária para garantir a vaga nas semifinais. Dos quatro jogos das quartas de final, a França foi a única equipe a não sofrer gols e uma das duas a vencer no tempo regulamentar da partida.
A Espanha é a outra seleção, mas precisou do gol salvador de Mikel Merino para derrotar a Bélgica por 2 a 1. La Roja será a adversária da França nas semifinais, em um jogo que pode manter a predominância francesa na Copa do Mundo nos últimos anos.
Créditos da foto da capa: Odd Andersen