Na temporada passada o grande assunto foi o “tanking”. A NBA lidou com o fato das equipes perderem de propósito com mudanças no sorteio do draft, para dificultar a situação dos piores times da liga. Ou seja, perder já não é mais uma opção para ter mais chances de ficar entre as três primeiras escolhas de draft. Se isso resolve ou não o problema do “tanking”, vamos descobrir nos próximos anos. Agora a NBA tem um novo “inimigo”.
Nos últimos dias, a Associação de Jogadores (NBPA) iniciou a discussão sobre o “second apron” da NBA. O “second apron” serve majoritariamente como um teto salarial rígido. O valor para 2026-27 será de US$221.686.000. Ultrapassar esse valor torna a formação de um time praticamente impossível, devido às severas restrições à capacidade da franquia de operar no draft, no mercado de agentes livres e em trocas — todas as formas pelas quais uma organização pode aprimorar seu elenco.
Somente nesta offseason vimos casos na NBA que podem ser usados como argumentos para o fim do “second apron”: a ida de Jaylen Brown para o Philadelphia 76ers e a renovação de contrato de Victor Wembanyama com o San Antonio Spurs.
O principal argumento usado pelo Boston Celtics para trocar Brown foi a questão financeira, já que a franquia não podia manter dois supercontratos (Brown e Jayson Tatum). Se Brown continuasse no elenco, os Celtics não teriam flexibilidade financeira para manter seu elenco competitivo, e isso poderia resultar em punições da NBA por ultrapassar o “second apron”. E no caso de Wemby, o francês aceitou receber menos no momento de renovar seu contrato para que os Spurs tenham capacidade para renovar os vínculos de Dylan Harper e Stephon Castle. Esses dois casos são usados pela NBPA na guerra para acabar com o “second apron” da NBA.

NBA x NBPA
Horas após o anúncio da renovação de Wemby, David Kelly, novo diretor executivo do sindicato de jogadores da NBA, usou o novo contrato de Wemby como argumento contra o “second apron”.
Wemby tinha uma proposta salarial muito maior à sua espera, mas optou por recusá-la. Vindo de um prêmio de Melhor Jogador Defensivo do Ano e de uma participação nas finais da NBA com o San Antonio Spurs, o jogador de 22 anos se qualificou para um contrato supermáximo de cinco anos e US$302,8 milhões. Em vez disso, ele assinou um contrato máximo padrão de cinco anos por US$252 milhões, que inclui uma opção do jogador para o último ano. Victor Wembanyama abriu mão de aproximadamente US$50 milhões para que os Spurs tivessem a flexibilidade financeira para construir um time competitivo a longo prazo.
Kelly deixou claro que o sindicato não está satisfeito com essa tendência crescente. Ele se referiu às rígidas regras do teto salarial de US$221,7 milhões da liga, o chamado “second apron”, que estão forçando jogadores estrelas a aceitarem cortes salariais apenas para evitar que seus times sejam desmantelados. Jalen Brunson fez um sacrifício financeiro semelhante em Nova York antes dos Knicks conquistarem o título em junho.
“O acordo coletivo de trabalho não deveria colocar um jogador na posição de ter que carregar o fardo para manter o time unido”, disse Kelly. “Um sistema que faz isso é um problema.”
Ele argumentou que a liga apresentou a regra como uma forma de equilibrar a competição, mas que, na verdade, era apenas uma maneira dissimulada dos donos controlarem os gastos.
Kelly apontou diretamente para a troca de Jaylen Brown entre os Celtics e os 76ers, provando que as equipes simplesmente não podem se dar ao luxo de manter duas estrelas com contratos supermáximos juntas sob essas regras.
Em resumo, a NBA pode ter deixado a sua luta contra o “taking” de lado, momentaneamente, porém terá que enfrentar outro problema nos próximos anos. Por enquanto o “second apron” deve ser mantido, mas veremos novos capítulos sobre essa disputa entre a NBA e a NBPA nas próximas temporadas.
(Foto principal: Soeren Stache / dpa / picture alliance via Getty Images file)