Em uma Copa do Mundo marcada por jovens estrelas como Lamine Yamal, Désiré Doué e Zaire-Emery, foi um zagueiro quem terminou a competição levando o prêmio de Melhor Jogador Jovem do torneio. Aos 19 anos, Pau Cubarsí foi uma das principais peças da campanha que levou a Espanha ao segundo título mundial de sua história e mostrou que sua importância vai muito além da segurança defensiva.
Embora os atacantes normalmente chamem mais atenção em grandes competições, o desempenho do defensor do Barcelona foi determinante para transformar a Espanha na seleção mais dominante da Copa. A equipe sofreu apenas um gol em oito partidas, terminou com a melhor defesa do torneio e apresentou um nível de controle raramente visto em uma competição desse tamanho. Dentro desse sistema, Cubarsí foi muito mais do que um zagueiro responsável por cortar bolas. Atuou como o primeiro construtor das jogadas, organizou a saída de bola e teve papel fundamental para que a Espanha controlasse praticamente todos os adversários que enfrentou.
Os números ajudam a explicar por que a FIFA escolheu o jovem espanhol como o principal talento da nova geração no Mundial.
A melhor defesa da Copa nasceu da organização liderada por Cubarsí

A campanha defensiva da Espanha foi um dos grandes diferenciais do torneio. Em oito jogos disputados, a equipe sofreu apenas um gol, marcado por Charles De Ketelaere nas quartas de final. Além disso, terminou a competição com sete partidas sem ser vazada, desempenho que reforça o equilíbrio entre organização coletiva e qualidade individual.
Mais impressionante do que a quantidade de gols sofridos foi a dificuldade que os adversários encontraram para criar oportunidades reais.
Durante toda a Copa, a Espanha permitiu apenas 1,69 de gols esperados (xG) em jogadas de bola rolando, o menor índice entre todas as seleções que avançaram ao mata-mata. Mesmo disputando oito partidas, número superior ao de grande parte dos participantes, manteve o melhor desempenho defensivo da competição.
A final contra a Argentina resumiu perfeitamente esse domínio.
Os atuais campeões mundiais simplesmente não conseguiram atacar. Nos 90 minutos regulamentares, a seleção argentina terminou sem nenhuma finalização e registrou apenas um toque dentro da área espanhola. Considerando também a prorrogação, a equipe de Lionel Scaloni produziu somente duas finalizações, somando apenas 0,2 de xG.
Esse controle não aconteceu apenas pelo trabalho dos volantes ou pela pressão exercida no meio-campo. Cubarsí foi decisivo ao antecipar jogadas, vencer disputas individuais e organizar toda a linha defensiva.
Na decisão, liderou a partida em cortes, com seis intervenções, além de terminar entre os espanhóis que mais venceram duelos. A tranquilidade demonstrada diante de jogadores como Lionel Messi e Mbappé chamou atenção justamente pela pouca idade do defensor.
Em nenhum momento o zagueiro demonstrou nervosismo ou precipitação, atuando com a personalidade de um jogador experiente.
Muito mais que um simples zagueiro: Cubarsí comandou a saída de bola da Espanha

Se defensivamente Cubarsí já apresentou números impressionantes, seu desempenho com a bola foi ainda mais marcante.
O estilo de jogo implementado por Luis de la Fuente exige que os zagueiros participem ativamente da construção ofensiva. A posse de bola da Espanha começa na defesa, e poucos jogadores executaram essa função tão bem quanto o camisa espanhol.
Na final, Cubarsí liderou todos os atletas em toques na bola, com 139, passes certos, com 121, precisão nos passes, alcançando 96%, além de completar 21 passes que romperam linhas de marcação.
Embora a prorrogação tenha aumentado naturalmente esse volume, o desempenho confirma o protagonismo do defensor dentro da proposta espanhola.
Durante toda a Copa, apenas Rodri completou mais passes que Cubarsí. Foram 756 do volante contra 671 do zagueiro, as duas maiores marcas já registradas em uma edição de Copa do Mundo desde o início desse levantamento estatístico.
Mas não se tratava apenas de trocar passes curtos.
Cubarsí terminou o Mundial como o jogador com maior número de passes para frente, com 221, mostrando constantemente a intenção de acelerar as jogadas e aproximar sua equipe do gol adversário.
Entre todos os defensores da competição, também liderou em passes progressivos, aqueles que fazem a bola avançar significativamente em direção ao ataque.
Sua qualidade na distribuição ainda apareceu em um fundamento pouco comum para zagueiros.
O espanhol criou oito oportunidades de gol durante a Copa, a maior marca entre jogadores da posição. Também dividiu a liderança em passes em profundidade que terminaram em finalizações, mostrando uma visão de jogo normalmente associada a meio-campistas.
Outra característica que chamou atenção foi sua condução de bola.
Cubarsí terminou entre os líderes do torneio tanto em número total de conduções quanto em conduções progressivas, mostrando confiança para ultrapassar linhas de marcação carregando a bola quando encontrava espaço.
Esse conjunto de características faz do jovem espanhol um defensor extremamente moderno, capaz de contribuir tanto sem a posse quanto na construção ofensiva.
Um prêmio construído pela regularidade e pelo impacto coletivo

Antes do início da Copa do Mundo, muitos imaginavam que o prêmio de Melhor Jogador Jovem terminaria nas mãos de Lamine Yamal.
O atacante chegou ao torneio cercado por enorme expectativa após conquistar a Eurocopa e ser apontado como um dos melhores jogadores do mundo ainda aos 19 anos.
No entanto, o Mundial mostrou que impacto coletivo nem sempre aparece apenas em gols e assistências.
Cubarsí esteve presente em praticamente todos os momentos importantes da campanha espanhola. Sua consistência permitiu que a equipe mantivesse uma estrutura sólida, dominasse territorialmente os adversários e jogasse grande parte das partidas instalada no campo ofensivo.
Sua influência também aparece quando os números são analisados em conjunto.
Além de participar diretamente da construção das jogadas, foi um dos líderes em passes quebrando linhas defensivas, conduções progressivas e ações defensivas bem-sucedidas. Em outras palavras, participou ativamente das duas fases do jogo.
Em um futebol cada vez mais exigente para os zagueiros, Cubarsí reúne características raras para alguém com apenas 19 anos. Defende com segurança, entende o posicionamento coletivo, constrói jogadas sob pressão e demonstra maturidade para tomar decisões mesmo diante dos maiores desafios do futebol mundial.
A conquista da Espanha foi construída por um grupo extremamente equilibrado, com nomes como Rodri, Fabián Ruiz, Pedri, Lamine Yamal e Ferran Torres. Ainda assim, poucos jogadores conseguiram manter um nível de rendimento tão constante quanto Pau Cubarsí ao longo das oito partidas disputadas.
O prêmio de Melhor Jogador Jovem da Copa do Mundo de 2026 não representa apenas uma recompensa por seu desempenho individual. Ele também confirma que a Espanha encontrou um zagueiro capaz de liderar sua defesa durante muitos anos e reforça que, aos 19 anos, Cubarsí já faz parte da elite do futebol mundial, sendo peça fundamental no presente e uma das maiores promessas para o futuro da seleção espanhola.