A Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim com a Espanha no topo do futebol mundial. Depois de um torneio marcado por surpresas, grandes atuações individuais e eliminações inesperadas, algumas seleções confirmaram o favoritismo, enquanto outras ficaram muito abaixo das expectativas. Entre elas, o Brasil foi um dos maiores destaques negativos da competição.
Com jogos disputados nos Estados Unidos, Canadá e México, o Mundial mostrou uma mudança na hierarquia do futebol internacional. A Espanha consolidou uma geração histórica, a Argentina voltou a disputar uma decisão, a Inglaterra deu mais um passo adiante e seleções como Marrocos provaram que já deixaram de ser apenas “zebras”. Em contrapartida, gigantes como Alemanha, Portugal e o próprio Brasil terminaram o torneio cercados por questionamentos.
Espanha encerra qualquer debate e confirma uma geração histórica
Poucas campanhas foram tão convincentes quanto a da Espanha. Mesmo começando a Copa do Mundo com um tropeço diante de Cabo Verde, a equipe comandada por Luis de la Fuente rapidamente encontrou seu melhor futebol e simplesmente atropelou a concorrência.
Os espanhóis sofreram apenas um gol durante toda a campanha e passaram por Portugal, França e Argentina nas fases decisivas praticamente sem perder o controle das partidas. O título coroou um time que privilegia a posse de bola, intensidade na marcação e movimentação constante, sem depender exclusivamente de uma estrela.
Depois da conquista da Eurocopa, a Espanha agora também levanta a taça mais importante do futebol mundial, consolidando um ciclo que já entra para a história.
Argentina mantém protagonismo, mas futuro preocupa
Se chegar a uma final de Copa do Mundo já é difícil, disputar duas decisões consecutivas é um feito reservado para pouquíssimas seleções. A Argentina voltou a mostrar competitividade e eliminou adversários complicados ao longo do mata-mata.
No entanto, a derrota para a Espanha evidenciou um problema que acompanha os atuais campeões mundiais há algum tempo: a enorme dependência de Lionel Messi.
Mesmo ainda decisivo, o craque segue sendo o principal responsável por organizar o jogo ofensivo argentino. A reta final da Copa deixou claro que a renovação da equipe precisará acontecer mais cedo ou mais tarde para manter a seleção entre as principais forças do planeta.
França e Inglaterra mostram evolução, mas ficam devendo na hora decisiva
A França parecia caminhar tranquilamente rumo à terceira final consecutiva de Copa do Mundo. O ataque francês foi um dos mais empolgantes do torneio e colecionou boas atuações durante a fase de grupos e nas primeiras eliminatórias.
Entretanto, diante da Espanha, os franceses sofreram justamente no setor que mais levantava dúvidas antes da competição: o meio-campo. A equipe perdeu o controle da partida e acabou eliminada nas semifinais.
A Inglaterra também deixou boas impressões. Sob o comando de Thomas Tuchel, os ingleses alcançaram sua melhor campanha em solo estrangeiro na história das Copas.
Apesar disso, a derrota para a Argentina na semifinal caiu como um verdadeiro balde de água fria. A goleada na disputa pelo terceiro lugar amenizou parte da pressão, mas a sensação continua sendo a mesma de outros torneios: falta dar o passo definitivo quando o desafio realmente vale uma vaga na decisão.
Brasil faz campanha decepcionante e aumenta pressão
O Brasil entrou na Copa do Mundo cercado por desconfiança depois de uma campanha irregular nas Eliminatórias, mas ainda assim havia expectativa de uma presença ao menos entre os oito melhores.
Nada disso aconteceu.
A eliminação nas oitavas de final para a Noruega escancarou problemas que já vinham aparecendo antes mesmo do torneio. A Seleção Brasileira teve dificuldades para controlar partidas, criou pouco ofensivamente e mostrou enorme vulnerabilidade defensiva diante de adversários mais organizados.
O desempenho aumenta a pressão sobre o projeto comandado por Carlo Ancelotti e reforça que o Brasil ainda está distante das principais potências do futebol internacional.
Para uma seleção pentacampeã do mundo, cair tão cedo nunca deixa de ser frustrante.
Marrocos segue fazendo história no futebol mundial
Se em 2022 o Marrocos surpreendeu ao chegar às semifinais, desta vez a campanha confirmou que não existe mais espaço para chamar os africanos de surpresa.
Depois de conquistar a Copa Africana de Nações, os Atlas Lions voltaram a fazer uma campanha consistente no Mundial e chegaram às quartas de final. A eliminação para a França não apaga o excelente torneio realizado pela equipe.
Outro ponto importante foi a incorporação do jovem Ayyoub Bouaddi, que optou por defender Marrocos mesmo tendo a possibilidade de atuar pela seleção francesa. Um movimento que pode render frutos por muitos anos.
Portugal, Bélgica e Holanda deixam sensação de oportunidade perdida
Portugal entrou como um dos candidatos ao título graças ao talento disponível no elenco, mas desperdiçou a chance de fazer uma campanha mais longa.
A derrota para a Colômbia ainda na fase de grupos obrigou os portugueses a enfrentarem um caminho mais complicado no mata-mata. Após eliminar a Croácia, acabaram sendo derrotados pela Espanha em uma partida equilibrada nas oitavas de final.
A Bélgica vive um momento diferente daquele da chamada “geração de ouro”. Ainda assim, conseguiu fazer uma campanha competitiva, eliminando Senegal e Estados Unidos antes de cair diante dos futuros campeões nas quartas.
Já a Holanda talvez tenha sido uma das seleções mais azaradas da competição. Depois de uma excelente fase de grupos, os holandeses encontraram Marrocos logo na primeira fase eliminatória e acabaram eliminados nos pênaltis após sofrerem o empate já nos acréscimos.
Alemanha amplia crise histórica
Poucas seleções saíram da Copa do Mundo com tantos problemas quanto a Alemanha.
Depois das eliminações ainda na fase de grupos em 2018 e 2022, os alemães deram sinais de recuperação ao liderarem uma chave complicada e ainda aplicarem uma goleada por 7 a 1 sobre Curaçao.
Só que toda a evolução desapareceu rapidamente.
Nas oitavas, um empate diante do Paraguai terminou em disputa por pênaltis. A Alemanha desperdiçou três cobranças e sofreu sua primeira derrota em penalidades desde 1976, aumentando ainda mais a pressão sobre o projeto de reconstrução da seleção.
Copa de 2026 mostra uma nova ordem no futebol
Mais do que definir um campeão, a Copa do Mundo de 2026 deixou claro que o futebol internacional vive uma transformação importante. A Espanha assumiu definitivamente o posto de principal referência técnica do planeta, enquanto seleções tradicionais seguem tentando reencontrar o caminho das grandes conquistas.
Argentina e França continuam extremamente competitivas, Inglaterra parece cada vez mais próxima de quebrar seu longo jejum, e Marrocos confirma que o crescimento do futebol africano está longe de ser passageiro.
Do outro lado, Brasil e Alemanha encerram o Mudial com muito mais perguntas do que respostas. Afinal, tradição pesa, mas dentro de campo ela nunca entra em campo sozinha. Em 2026, a bola fez questão de lembrar isso mais uma vez.
Foto: Alex Pantling/FIFA/Getty Images