A chegada de Alexander Barboza colocou Abel Ferreira diante de uma escolha importante no Palmeiras. O treinador poderia utilizar o reforço na disputa direta com Murilo ou buscar uma maneira de manter o brasileiro ao lado de Gustavo Gómez. Contra o Coritiba, a comissão técnica optou pela segunda possibilidade e encontrou uma formação capaz de acomodar os três defensores.
A experiência aconteceu em um cenário longe do ideal. Com sete desfalques, além da ausência de Abel na beira do campo por suspensão, o Palmeiras venceu por 3 a 1 e apresentou segurança durante boa parte do confronto. Mais importante para a sequência da temporada, o novo desenho manteve a equipe organizada sem diminuir sua capacidade de chegar ao ataque.
Palmeiras encontra funções que favorecem o trio defensivo
A possibilidade de atuar pelo lado esquerdo foi um dos fatores que facilitaram a entrada de Barboza. Canhoto, o argentino ficou nesta faixa do campo, enquanto Gómez assumiu a parte central e Murilo apareceu pela direita. Desta forma, o reforço entrou na equipe sem obrigar os outros dois zagueiros a deixarem o time. Antes mesmo da estreia, Barboza já havia revelado que gostava de atuar neste tipo de formação e se sentia seguro com dois companheiros no setor. No Palmeiras, o esquema também pode ajudá-lo durante o período de adaptação, principalmente por permitir que o defensor desempenhe uma função na qual se sente confortável.
No entanto, o equilíbrio encontrado diante do Coritiba também passou pelo posicionamento dos jogadores mais adiantados. Khellven e Piquerez ocuparam os lados, Marlon Freitas e Andreas Pereira apareceram por dentro, enquanto Mauricio e Jhon Arias atuaram próximos de Ramón Sosa.
Com os espaços bem divididos, o Palmeiras conseguiu movimentar a bola sem concentrar a construção em apenas um setor. Marlon participou bastante do começo das jogadas, enquanto Andreas teve a possibilidade de ocupar posições mais avançadas. Ao mesmo tempo, os zagueiros dos lados não ficaram limitados ao campo defensivo.
Murilo foi um exemplo disso. O defensor participou da origem do primeiro gol ao procurar Sosa dentro da área. Após o erro de Jacy no corte, o paraguaio encontrou Mauricio, que abriu o placar. O lance ajuda a explicar como a presença de Barboza também pode favorecer o futebol do camisa 26, que ganha cobertura para sair com a bola e tentar passes em direção ao ataque.
O bom funcionamento coletivo apareceu nos números da primeira etapa. O Palmeiras teve 63% de posse, finalizou oito vezes e chegou ao intervalo com dois gols de vantagem. A equipe encontrou soluções tanto com a bola no chão quanto em jogadas mais rápidas, aproveitando os espaços deixados pelo Coritiba.
Formação oferece segurança sem limitar o ataque do Palmeiras
Embora tenha começado a partida com três zagueiros, o Palmeiras não passou o jogo apenas esperando pelo adversário. Mauricio marcou duas vezes antes do intervalo, Sosa participou das principais jogadas ofensivas e Arias ainda acertou o travessão em uma cobrança de falta.
A vantagem permitiu que o time reduzisse o ritmo na segunda etapa. Mesmo com menos presença no campo ofensivo, a equipe ainda encontrou o terceiro gol com Sosa, que recebeu de Piquerez, superou a marcação e finalizou de fora da área. O Coritiba descontou logo depois, também em um chute de longa distância, mas não conseguiu iniciar uma reação.
Na defesa, a quantidade maior de zagueiros foi importante principalmente para controlar as jogadas aéreas. João Martins, responsável por comandar a equipe durante a suspensão de Abel, afirmou que a formação facilitou o trabalho diante dos cruzamentos do Coritiba. A preocupação também envolvia Josué e Breno Lopes, jogadores considerados perigosos pela comissão técnica.
Isso não significa que o Palmeiras tenha encerrado a partida sem dificuldades. Os donos da casa conseguiram encontrar espaços pelos lados e obrigaram Carlos Miguel a trabalhar, principalmente em duas oportunidades no primeiro tempo. Desta forma, o desempenho também indicou pontos que ainda precisam de ajustes caso o esquema seja utilizado com frequência.
A discussão sobre os três zagueiros não depende apenas de transformar a formação em uma escolha permanente. Para Abel, o principal ganho pode estar na possibilidade de modificar a equipe de acordo com o adversário e com os jogadores disponíveis. Barboza oferece uma peça de origem para o lado esquerdo, enquanto Gómez e Murilo conseguem permanecer juntos.
O treinador não poderá repetir a formação completa contra o Atlético-MG. Barboza, Khellven e Sosa receberam o terceiro cartão amarelo diante do Coritiba e cumprirão suspensão. Ainda assim, o primeiro teste deixou uma alternativa importante para o restante do ano. Com três zagueiros, o Palmeiras conseguiu proteger a defesa, organizar melhor os espaços e manter jogadores suficientes para fazer a diferença no ataque.
Créditos da foto de capa: Getty Images.



