LeBron James é oficialmente jogador do Philadelphia 76ers, e sua chegada movimentou muito mais do que apenas as expectativas da torcida. Para conseguir encaixar o maior pontuador da história da NBA no elenco sem desrespeitar as regras salariais da liga, a franquia precisou fazer uma série de ajustes nos bastidores. O resultado foi uma verdadeira engenharia financeira que também abriu espaço para a contratação de Kentavious Caldwell-Pope e consolidou um elenco que chega cercado de expectativas para a temporada 2026/27.
O novo presidente de operações de basquete dos Sixers, Mike Gansey, mostrou logo em seus primeiros movimentos que pretende recolocar a equipe na elite da Conferência Leste. Em menos de um mês, ele promoveu uma troca de impacto envolvendo Jaylen Brown, fechou reforços para a rotação e ainda convenceu LeBron James a assinar um contrato pelo salário mínimo. O problema é que montar um elenco estrelado exige muito mais do que vontade: é preciso respeitar os limites impostos pelo novo acordo coletivo da NBA.
LeBron James assinou por um valor bem abaixo do mercado
Mesmo sendo um dos maiores jogadores da história do basquete, LeBron James aceitou um contrato de dois anos avaliado em US$ 7,9 milhões, recebendo cerca de US$ 3,9 milhões na temporada 2026/27. O valor é considerado baixo para um atleta de sua importância, mas a duração do vínculo trouxe uma consequência importante para as contas da franquia.
Como o acordo possui duas temporadas, o salário não sofre redução proporcional no teto salarial, diferentemente dos contratos mínimos assinados por apenas um ano. Na prática, os Sixers precisaram contabilizar todo o valor de US$ 3,9 milhões imediatamente em sua folha, justamente quando já estavam muito próximos do chamado first apron, o primeiro limite rígido estabelecido pelo atual acordo coletivo para equipes que utilizam determinadas exceções salariais.
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Antes da assinatura de LeBron, Philadelphia possuía aproximadamente US$ 3,4 milhões de margem até esse limite. Com a chegada do astro, a franquia ultrapassaria o teto permitido, tornando impossível registrar oficialmente o contrato.
Primeira solução foi abrir espaço na folha
Para resolver esse problema, os Sixers optaram por dispensar Dalen Terry. O movimento fazia sentido porque o contrato do jogador, de aproximadamente US$ 2,6 milhões, não era garantido integralmente, permitindo que a equipe aliviasse rapidamente sua folha salarial.
A decisão abriu espaço suficiente para oficializar a contratação de LeBron James, mas a tranquilidade durou pouco. Poucas horas depois, surgiu uma nova oportunidade de mercado que Philadelphia não quis desperdiçar.
Kentavious Caldwell-Pope, campeão da NBA e reconhecido como um dos melhores especialistas defensivos da liga, foi dispensado pelo Memphis Grizzlies. Rapidamente, a diretoria dos Sixers iniciou conversas e chegou a um acordo para contratá-lo por um ano.
KCP também exigiu mudanças financeiras
Embora o contrato de Kentavious Caldwell-Pope tenha impacto menor na folha salarial, cerca de US$ 2,4 milhões por ser um vínculo de apenas uma temporada, os Sixers novamente esbarraram no limite financeiro.
Depois da chegada de LeBron James, restavam apenas cerca de US$ 2,1 milhões até o first apron. Ou seja, nem mesmo um contrato de valor reduzido cabia dentro da margem disponível.
Foi então que Mike Gansey realizou mais um movimento estratégico. A franquia negociou Johni Broome e uma escolha de segunda rodada do Draft de 2027 com o Los Angeles Clippers em troca de compensação financeira. A negociação serviu exclusivamente para aliviar a folha salarial e criar espaço suficiente para registrar Caldwell-Pope.
Durante anos, Philadelphia foi bastante criticada por sua administração financeira. Desta vez, porém, a diretoria conseguiu realizar um ajuste considerado eficiente, preservando praticamente toda a base do elenco enquanto criava espaço para reforços importantes.
Troca por Jaylen Brown mudou completamente o projeto
As movimentações envolvendo LeBron James aconteceram poucos dias depois de outra negociação gigantesca protagonizada pelos Sixers.
No início da offseason, Mike Gansey acertou o envio de Paul George, além de duas escolhas de primeira rodada e duas de segunda rodada do Draft, para o Boston Celtics. Em troca, Philadelphia recebeu Jaylen Brown, um dos principais alas da NBA e peça importante para elevar o nível competitivo da equipe.
Além dessa troca, os Sixers utilizaram a exceção de nível médio para contratar Dean Wade e Anfernee Simons. Ariel Hukporti também chegou utilizando parte da exceção bianual disponível para a franquia.
O resultado é um elenco bastante equilibrado, reunindo estrelas consolidadas e jogadores capazes de fortalecer significativamente a rotação.
Veja como ficou a folha salarial dos Sixers
Após todas as movimentações, Philadelphia alcançou uma folha salarial de aproximadamente US$ 207,2 milhões para a temporada 2026/27.
Os maiores salários do elenco pertencem a Joel Embiid, que receberá cerca de US$ 58 milhões, seguido por Jaylen Brown, com pouco mais de US$ 57,7 milhões. Tyrese Maxey completa o trio principal com vencimentos superiores a US$ 40 milhões.
Na sequência aparecem Dean Wade, Anfernee Simons e LeBron James, cujo salário de aproximadamente US$ 3,9 milhões chama atenção justamente pelo contraste com sua importância dentro da liga. Kentavious Caldwell-Pope receberá cerca de US$ 2,4 milhões, enquanto o restante da folha é composto pelos jovens jogadores que completam a rotação.
Mesmo pagando relativamente pouco a LeBron, os Sixers ultrapassaram a linha do imposto de luxo em aproximadamente US$ 6,8 milhões. Ainda assim, permanecem cerca de US$ 1,8 milhão abaixo do primeiro apron e pouco mais de US$ 14 milhões abaixo do segundo apron.
Mercado dos Sixers praticamente terminou
Com 14 jogadores sob contrato, Philadelphia praticamente encerrou suas movimentações para este período da offseason. A margem restante até o primeiro apron é pequena demais para permitir a contratação de outro atleta em um contrato convencional.
Por isso, a tendência é que a franquia mantenha a última vaga do elenco aberta durante o início da temporada. Conforme os dias passam, os contratos mínimos passam a ocupar um espaço menor na folha salarial, permitindo que equipes muito próximas do limite financeiro adicionem reforços sem ultrapassar o teto permitido.
Essa estratégia também oferece outra vantagem importante. Ao esperar até a metade da temporada, os Sixers poderão analisar quais veteranos ficarão disponíveis após dispensas ou negociações envolvendo equipes que não estarão mais brigando pelos playoffs.
LeBron James aumenta a pressão por resultados
Se dentro das quatro linhas financeiras Mike Gansey conseguiu montar um verdadeiro quebra-cabeça, agora o desafio será transformar esse investimento em vitórias.
O elenco conta com Joel Embiid, Tyrese Maxey, Jaylen Brown, LeBron James, Kentavious Caldwell-Pope e diversas peças capazes de oferecer profundidade durante a temporada. No papel, poucas equipes da Conferência Leste conseguem reunir tanto talento.
Naturalmente, isso também aumenta a cobrança. Os Sixers ultrapassaram o imposto de luxo, fizeram movimentos agressivos no mercado e assumiram riscos importantes para montar esse grupo. Quando uma franquia investe tanto para reunir jogadores desse calibre, disputar os playoffs deixa de ser suficiente.
A expectativa passa a ser uma só: transformar toda essa engenharia financeira em uma campanha capaz de recolocar Philadelphia na briga pelo título da NBA, objetivo que a torcida espera há anos e que agora ganha ainda mais força com a chegada de LeBron James.
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