Roberto Mancini - Seleção Italiana
Futebol Eurocopa Serie A

Por que a volta de Roberto Mancini à seleção da Itália gera tanta polêmica?

A confirmação do retorno de Roberto Mancini ao comando da Itália encerrou semanas de extrema turbulência nos bastidores da Federação Italiana de Futebol. O técnico responsável por guiar a Azzurra ao título da Eurocopa de 2020 está oficialmente de volta ao cargo, mas o anúncio de sua recontratação longe de ser uma unanimidade, com sua nomeação gerando forte resistência.

A crise institucional começou a se desenhar após a nomeação do ídolo Paolo Maldini como diretor técnico em julho. Maldini tentou viabilizar nomes de peso como Carlo Ancelotti e Pep Guardiola para assumir o comando da seleção italiana de futebol. Diante da inviabilidade dessas opções, voltou suas atenções para Andrea Pirlo, cuja contratação acabou vetada de última hora devido aos seus vínculos comerciais com uma empresa de apostas russa. Sem respaldo e sem consenso sobre o novo comandante, Maldini e seu conselheiro, Leonardo, pediram demissão com apenas 17 dias no cargo. A Federação Italiana de Futebol agiu rapidamente ao recorrer à Claudio Ranieri, que assumiu o posto de diretor técnico e acertou o retorno de Roberto Mancini, acompanhado de rumores sobre a entrada de Gianfranco Zola como chefe de delegação.

Apesar da urgência em resolver a crise política na federação, a escolha por Mancini trouxe questionamentos. A seguir, analisamos as principais razões pelas quais o retorno do treinador não foi bem recebido por todos no futebol italiano.

O questionamento político ao retorno de Roberto Mancini

O primeiro ponto de está na centralização das decisões nas mãos do presidente da Federação Italiana de Futebol, Giovanni Malagò. A escolha de Roberto Mancini foi vista por diversos setores como uma imposição direta de Malagò, passando por cima de processos de avaliação técnica mais amplos que deveriam ocorrer.

O fato de Malagò e Roberto Mancini manterem uma amizade pessoal e de longa data alimentou críticas sobre um suposto favorecimento.

A preferência por Antonio Conte

O segundo motivo para a rejeição envolve a oposição direta dos clubes da primeira divisão. A Lega Serie A, entidade que representa as equipes da elite italiana, defendia abertamente um perfil diferente para liderar a Azzurra neste novo ciclo. O nome de maior consenso entre os dirigentes dos clubes era o de Antonio Conte.

Na avaliação da Serie A, Conte possuía o perfil ideal de extrair rendimento máximo de elencos em reconstrução. A opção final por Roberto Mancini foi recebida pelos clubes como uma demonstração de desrespeito.

As marcas da saída para a seleção da Arábia Saudita

A razão mais sensível e que desperta maior rejeição popular está à forma como Roberto Mancini deixou o comando da seleção italiana em sua primeira passagem. Em agosto de 2023, o treinador apresentou sua renúncia de maneira abrupta, enviando uma comunicação remota enquanto estava de férias na ilha grega de Mykonos. O movimento ocorreu a poucas semanas de partidas decisivas pelas Eliminatórias da Eurocopa de 2024, pegando a federação e os torcedores de surpresa.

A decisão de Roberto Mancini foi motivada por uma proposta astronômica da seleção da Arábia Saudita. Para agravar o descontentamento nos bastidores da Federação Italiana, o treinador levou consigo dez membros de sua comissão técnica, desmontando a estrutura de apoio das categorias de base da seleção italiana. Embora defensores do técnico argumentem que sua saída também foi influenciada pela demissão não combinada de auxiliares de sua confiança, como Alberico Evani e Attilio Lombardo, a percepção de abandono do projeto em troca de ganhos financeiros não foi bem vista.

Após uma passagem de pouco mais de um ano pelo Oriente Médio, que rendeu ao técnico cerca de 25 milhões de euros em multas rescisórias (cerca de R$ 146 milhões), seu retorno à Itália é questionado. A rápida volta ao antigo cargo deixa no ar a sensação de que o futebol italiano aceitou passivamente o retorno de quem o deixou em situação delicada.

Créditos da foto de capa: REUTERS/Max Rossi