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NFL: Cinco disputas por vagas em posições que não sejam de quarterback para ficar de olho nos training camps

Os treinos de pré-temporada da NFL estão começando, o que significa que o futebol americano está oficialmente de volta. É nesse momento que as 32 comissões técnicas tem o primeiro contato com seus elencos renovados. Jogadores que retornam, reforços contratados como agentes livres e novatos. E é quando as escalas de profundidade (depth charts) começam a tomar forma.

Você provavelmente já ouviu falar das disputas pela posição de quarterback nesta offseason: Deshaun Watson e Shedeur Sanders brigam pela titularidade em Cleveland; Kyler Murray tenta se firmar diante da concorrência de J.J. McCarthy em Minnesota; e Tua Tagovailoa e Michael Penix Jr. buscam convencer o técnico de que merecem ser o titular canhoto dos Falcons. Mas e as outras disputas de posição pela liga?

Praticamente todos os times da NFL enfrentam algum tipo de disputa interna. Alguns ainda não definiram quem será o recebedor principal, enquanto outros ainda estão organizando a hierarquia da defesa contra o passe. Confira a seguir cinco das disputas mais interessantes dos training camps que valem a pena acompanhar.

RB1 do Seattle Seahawks

Os atuais campeões do Super Bowl, o Seattle Seahawks, estão passando por uma reformulação na posição de running back. Kenneth Walker III assinou com o Kansas City Chiefs na free agency, e Zach Charbonnet rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) há apenas seis meses. Então, quem assume a vaga?

Jadarian Price: escolhido na primeira rodada do draft, Price pode ser o favorito a conquistar essa posição de destaque, depois de atuar como reserva de Jeremiyah Love em Notre Dame. Em 2025, ele correu para 674 jardas e 11 touchdowns, com média de 6.0 jardas por corrida, e liderou a FBS em média de retorno de kickoff (37.5) entre jogadores com pelo menos 10 retornos na temporada. Existem comparações a Sony Michel como prospecto, e ele terá a chance de assumir um papel importante no esquema ofensivo de Sam Darnold.

George Holani: segundo a ESPN, os Seahawks estão “otimistas” em relação a Holani, que correu para apenas 73 jardas e um touchdown como terceiro running back do time na temporada passada. Ele foi reserva de Ashton Jeanty em Boise State e já mostrou bom nível em jogos de pré-temporada. No ano passado, na primeira semana da pré-temporada contra Jeanty e o Las Vegas Raiders, Holani correu sete vezes para 61 jardas e um touchdown, pegou um passe para mais 20 jardas e ainda fez um tackle, enquanto o novato Jeanty correu três vezes e teve saldo negativo de uma jarda.

Emanuel Wilson: Wilson assinou um contrato de um ano com o Seattle depois de passar três temporadas no Green Bay Packers. Ele teve duas atuações de destaque na temporada passada, quando Josh Jacobs se lesionou. Em sua única partida como titular, na semana 12 contra o Minnesota Vikings, Wilson correu 28 vezes para 107 jardas e dois touchdowns. Mais tarde, na semana 16, ele correu 14 vezes para 82 jardas contra o Chicago Bears.

Secundária no San Francisco 49ers

Aqui estamos “trapaceando” um pouco, já que o San Francisco 49ers vive disputas de posição tanto no cornerback quanto no safety. No cornerback, Deommodore Lenoir já é titular garantido, enquanto Renardo Green tenta segurar a concorrência do reforço via free agency Jack Jones pela outra vaga de titular. No safety, Ji’Ayir Brown, segundo informações, vem recebendo todas as repetições com o time titular, enquanto Malik Mustapha e Marques Sigle disputam a outra posição. Vale lembrar que os 49ers têm um novo coordenador defensivo: o ex-head coach do Atlanta Falcons, Raheem Morris.

(Cornerback) Renardo Green: Green entra em sua terceira temporada com os 49ers, depois de ter sido escolhido na segunda rodada do draft, saindo de Florida State. Ele foi titular em todos os 14 jogos que disputou na temporada passada, somando 60 tackles e 10 passes defendidos. Já teve dois dígitos em passes defendidos em cada uma de suas duas primeiras temporadas na liga. Morris afirmou aos jornalistas que ficou impressionado com a envergadura e a habilidade de Green para jogar a bola. Apesar da inconsistência, ele é um cornerback capaz de pressionar os recebedores logo na linha de scrimmage.

(Cornerback) Jack Jones: o veterano Jones já vai defender seu terceiro time diferente nos últimos três anos. Na temporada passada, foi titular em todos os 17 jogos pelo Miami Dolphins, registrando 77 tackles, seis passes defendidos e dois fumbles forçados. Escolhido na quarta rodada do draft de 2022, saindo de Arizona State, Jones interceptou pelo menos um passe em cada temporada da carreira, incluindo a marca pessoal de três interceptações em 2024, jogando pelo Raiders.

(Safety) Malik Mustapha: Mustapha foi titular em 22 jogos ao longo de suas duas temporadas com os 49ers. Ficou de fora das cinco primeiras semanas da temporada de 2025 por causa de uma lesão no joelho, mas ainda assim teve seu melhor ano na carreira, com 76 tackles, três passes defendidos e uma interceptação em 12 jogos disputados. 

(Safety) Marques Sigle: escolhido na quinta rodada do draft do ano passado, saindo de Kansas State, Sigle teve 52 tackles e dois passes defendidos em 15 jogos como novato, sendo titular em sete deles. A PFF o avaliou como um dos piores safeties da liga, apontando que ele permitiu um passer rating de 155.7 quando os quarterbacks adversários o desafiavam diretamente. Um rating perfeito é 158.3 só para vocês terem ideia.

Pass rushers no Cincinnati Bengals

Com a saída de Trey Hendrickson, o Cincinnati Bengals precisa preencher uma lacuna significativa na posição de defensive end. Nos últimos anos, o time investiu três escolhas altas no draft em pass rushers, mas nenhuma delas deu o retorno esperado. Chegou a hora desses jogadores mostrarem serviço.

Boye Mafe: Os Bengals fecharam um contrato de três anos com Mafe depois que ele conquistou o Super Bowl pelo Seahawks. Apesar de ter registrado apenas 31 tackles e dois sacks em um papel de rotação em uma das melhores defesas da liga, o jogador de 27 anos está pronto para assumir a titularidade de fato. Vale destacar que Pete Prisco, jornalista de NFL do CBS Sports, colocou Mafe como o 12o melhor free agent desta offseason, à frente de nomes como Kenneth Walker III e Daniel Jones.

Myles Murphy: A 28ª escolha geral do draft de 2023, saindo de Clemson, só conseguiu seu primeiro jogo como titular na temporada passada. Ao todo, teve seu melhor ano na carreira, com 52 tackles e 5.5 sacks. Ainda assim, Murphy não correspondeu às expectativas geradas pela sua posição no draft, o que explica por que os Bengals decidiram não exercer a opção de quinto ano do seu contrato de novato, o que o tornará agente livre na próxima offseason.

Shemar Stewart: A 17a escolha geral do draft do ano passado ficou conhecido por boicotar o início do training camp como novato, em meio a uma disputa contratual. Ele jogou oito partidas, sendo titular em cinco, e somou 11 tackles e um sack. Existem fortes chances que Stewart conquista uma vaga de titular neste ano, mas ainda é uma incógnita se ele vai corresponder às expectativas. Ele sempre foi um prospecto polêmico, avaliado mais pelo potencial do que pela produção.

Cashius Howell: o Cincinnati escolheu Howell com a 41a pick geral do draft de 2026, e é fácil entender o motivo do entusiasmo em torno dele. Eleito Unanimous All-American e Jogador Defensivo do Ano da SEC em 2025, ele acumulou 11.5 sacks na última temporada e tem um motor incansável em campo. Seu ponto fraco são os braços com menos de 30 polegadas, o que não é ideal, mas, mesmo assim, Howell tem potencial para ser um reserva animador, capaz de dar um gás extra nas terceiras descidas.

Recebedores no Cleveland Browns

O Cleveland Browns tem jovens talentos na posição de wide receiver, incluindo duas escolhas do top 40 do draft e um veloz jogador de segundo ano que ninguém está falando, mas que pode surpreender. O gerente geral Andrew Berry provavelmente tem sido o melhor “draftador” da NFL nos últimos anos. Será que ele encontrou mais uma estrela nesta offseason?

Jerry Jeudy: O tight end novato Harold Fannin Jr. liderou o Browns em recepções na temporada passada, com 731 jardas e seis touchdowns, mas Jeudy ficou logo atrás, com 602 jardas e dois touchdowns. No ano anterior, em 2024, Jeudy teve o melhor ano da carreira, com 90 recepções, 1.229 jardas e quatro touchdowns. Ele é o veterano do grupo, mas tem sofrido com falhas nas recepções e corre o risco de ser ofuscado por talentos mais jovens.

Cedric Tillman: Escolhido na terceira rodada do draft, saindo de Tennessee, é um jogador sólido, mas nunca entregou a produção esperada. Em três temporadas na NFL, Tillman nunca ultrapassou 340 jardas recebidas em uma temporada.

KC Concepcion: A 24a escolha geral do draft deste ano atuando como wide receiver, jogador multifuncional e especialista em retornos. Seus nove touchdowns recebidos empataram como o maior número da SEC, e ele se tornou o primeiro jogador da FBS a somar 900 jardas recebidas e 450 jardas em retornos de punt na mesma temporada desde que Ryan Broyles fez isso em 2009. Este é um verdadeiro “canivete suíço” para o técnico Todd Monken.

Denzel Boston: O Browns se tornou o primeiro time desde o New York Jets de 1996 a selecionar dois wide receivers dentro do top 40 do draft. Concepcion foi escolhido na 24a posição geral, e Boston veio logo depois, na 39a, saindo de Washington. Trata-se de um alvo enorme, com 1,93m e 96kg, difícil de derrubar. Ele não é o jogador mais veloz, mas tem mãos firmes e também se destaca como bloqueador nas jogadas de corrida. Em sua última temporada universitária, Boston fez 62 recepções para 881 jardas e 11 touchdowns.

Isaiah Bond: Bond não foi escolhido no draft do ano passado, saindo de Texas, por conta de problemas fora de campo, mas conseguiu uma vaga no Browns e somou 18 recepções para 338 jardas. Ele tem velocidade de verdade e é perigoso depois da recepção. Um talento subestimado que vale a pena observar de perto.

Recebedores no Miami Dolphins

Não há mais Tyreek Hill nem Jaylen Waddle em Miami. E o Dolphins também não fez muito para substituí-los, o que torna essa disputa entre os recebedores uma das mais abertas de toda a NFL.

Malik Washington: Escolhido na sexta rodada do draft, saindo de Virginia, ele liderou a NCAA em recepções em 2023, com 110. Apesar de medir apenas 1,73m, Washington já provou que é um jogador escorregadio e aguerrido com a bola nas mãos. A dúvida é: qual o teto de produção dele?

Jalen Tolbert: Chega ao Dolphins depois de quatro temporadas no Dallas Cowboys. Registrou apenas 203 jardas recebidas e um touchdown em 2025, mas em 2024 teve 49 recepções, 610 jardas e sete touchdowns. Olhando para esse grupo, será que o veterano Tolbert pode se firmar como o “X receiver” do Miami nesta temporada?

Tutu Atwell: Teve bons momentos ao longo de suas cinco temporadas no Los Angeles Rams. Ele teve uma partida com mais de 100 jardas recebidas em 2023 e sete jogos na carreira em que fez pelo menos cinco recepções, uma marca que Washington e Tolbert só alcançaram duas vezes cada.

Caleb Douglas: A 75a escolha geral do draft de 2026, saindo de Texas Tech, pode ser perigoso jogando pelas pontas. Ele teve alguns problemas com falhas nas recepções em 2025, mas ainda assim liderou seu time universitário com 846 jardas recebidas e sete touchdowns na última temporada, além de ter corrido os 40 jardas em 4.39 segundos no combine. Mike Renner, especialista em draft, chamou a escolha de Douglas na terceira rodada de um dos maiores “reaches” (escolhas antecipadas demais) do draft, mas ele terá a chance de brigar por espaço e oportunidades em campo.

Kevin Coleman Jr.: escolhido na quinta rodada, saindo de Missouri, foi um recebedor de slot explosivo no nível universitário. Coleman rodou bastante entre universidades: começou em Jackson State, onde foi eleito Calouro do Ano da SWAC, depois passou por Louisville, Mississippi State e, por fim, Missouri. Essa disputa parece aberta o suficiente para lhe dar uma chance real.

Chris Bell: É um recebedor grande e físico, com 1,88m e 90kg, mas infelizmente rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) em novembro. Ele não estará 100% recuperado para essa disputa na pré-temporada, mas pode se tornar um fator importante para os Dolphins assim que estiver totalmente saudável.

(Foto principal: FR155816 AP)