Kaio César STJD
Futebol Brasileirão

Julgamento de Kaio César evidencia a “miopia” do STJD com simulações; Confira

Nesta sexta-feira (31), Kaio César, jogador do Corinthians, foi absolvido em julgamento por confusão em Bahia x Corinthians. O atleta havia sido acusado de “ato desleal ou hostil” por supostamente atingir Alejo Véliz, do Bahia. Por conta disso, corria o risco de ser suspenso por até três jogos.

Contudo, o caso chama a atenção por não ter ocorrido qualquer agressão. Durante o confronto, o atacante alvinegro se desvencilha do argentino, que se jogou ao chão, afirmando ter sido atingido pelo adversário. Entretanto, nas imagens do ocorrido, é possível notar que não houve um toque agressivo ou forte o suficiente para resultar em tal cena.

Mas esse foi o início da confusão que, após o duelo, gerou a denúncia contra Kaio César.

Momento em que Alejo Véliz alega ter sido atingido por braço de Kaio César em Bahia x Corinthians — Foto: Reprodução
Alejo alegou ter sido atingido no rosto por Kaio César. Foto: Reprodução/sportv

Kaio César foi absolvido

Apesar da acusação ter partido da Procuradoria da Justiça Desportiva, a própria pediu pela absolvição do atacante. No julgamento, o procurador Danilo Carvalho alterou o entendimento do procurador Marcos Souto Maior: “Observando os vídeos demonstrados nesta sessão, é possível perceber que não houve por parte do denunciado um ato desleal ou hostil.”

“Foi um pequeno empurrão, inclusive provocado pelo atleta do Bahia, e o atleta do Corinthians reagiu com pequeno empurrão, que não caracterizou nenhum tipo de agressão ou ato desleal. Me parece lance comum em uma partida de futebol, que posteriormente gerou um tumulto.”

Os auditores da 5ª Comissão Disciplinar confirmaram a decisão por unanimidade. O auditor relator do caso, Ramon Rocha Santos, ainda reconhece a simulação de Alejo: “Imagens mostram de forma clara e inequívoca que o atleta Kaio César não desfere qualquer golpe contra o oponente.”

“O atleta do Corinthians tão somente se desvencilha da aproximação física do adversário, este que, sim, tenta provocá-lo, promovendo um gesto tão somente de afastamento, sem contundência ou emprego de força desproporcional. O atleta do Bahia que simula ter sido atingido no rosto, induzindo o ambiente de reclamação no campo.”

Dessa forma, foi impedido que Kaio César recebesse uma punição injusta. Contudo, ainda mostra o problema do STJD com simulações.

Corinthians amplia protagonismo de Kaio César enquanto aguarda Memphis
Kaio César foi absolvido no STJD nesta sexta-feira. Foto: Getty Images

Simulações precisam ser punidas no STJD

O auditor do julgamento de Kaio César reconheceu e afirmou de forma incisiva a simulação de Alejo Véliz. Entretanto, o jogador do Bahia não foi denunciado por seu ato durante o jogo contra o Corinthians. E cenas como essas estão se tornando cada vez mais comuns no futebol brasileiro e até mundial.

Foi um dos motivos para a criação de algumas regras antes da Copa do Mundo. A International Football Association Board (IFAB) alterou normas para o Mundial e algumas serão implementadas pelas organizações mundo afora. O motivo principal é diminuir a cera dentro de campo e uma das alterações foi sobre os atendimentos aos jogadores.

Essa também se encaixa nas simulações, apesar de não ser a mesma situação. Na Copa do Mundo, quando um jogador recebia atendimento médico, precisava esperar um minuto fora de campo, deixando seu time com um a menos nesse período. Por conta disso, também houve uma significativa diminuição de simulações nos jogos.

As novas regras ainda serão discutidas entre a CBF e os times brasileiros, mas essa é uma mudança que ajudaria. Outro fator que faria diminuir esses casos seria as denúncias no STJD. O relator no julgamento de Kaio César afirmou que houve simulação de Alejo. Entretanto, não há um caso para ser julgado sobre isso.

Mas por que não? Por que não passar a agir de forma mais contundente sobre o assunto? São diversos casos por rodada e o lance em Bahia x Corinthians sequer foi o único na última semana. Para piorar ainda mais, além de ter tido uma denúncia pela simulação, o jogador que não agrediu ainda correu o risco de ser punido.

É preciso começar a usar as diversas câmaras disponíveis e punir essas atitudes.

Foto: Divulgação/STJD