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Simeone e o desafio de repetir no Atlético de Madrid o legado de Ferguson no Manchester United; Confira

A trajetória de Diego Simeone no comando do Atlético de Madrid já ultrapassou há muito tempo a fronteira de um simples ciclo esportivo. Desde sua chegada ao clube, em dezembro de 2011, o treinador transformou a identidade competitiva dos colchoneros, conquistou títulos e estabeleceu uma estabilidade que poucos técnicos conseguem alcançar no futebol moderno. A comparação com Sir Alex Ferguson, símbolo de longevidade no Manchester United durante 27 anos, portanto, surge naturalmente, mas o próprio argentino trata a possibilidade de repetir esse legado com cautela.

A grande diferença está justamente na forma como Simeone encara o futuro. Em vez de projetar uma permanência de décadas no Atlético de Madrid, o treinador argentino prefere avaliar seu trabalho em ciclos mais curtos, analisando se ainda possui energia, motivação e convicção para liderar a evolução da equipe. A declaração reforça uma característica marcante de sua trajetória: a compreensão de que a longevidade no futebol depende de renovação constante, tanto do elenco quanto da capacidade do próprio treinador de se reinventar diante dos desafios.

Nesse aspecto, o desafio de Simeone é ainda mais complexo do que simplesmente permanecer no cargo. Ferguson construiu no Manchester United uma dinastia sustentada por diferentes gerações de jogadores, adaptando seu modelo às mudanças do futebol inglês e europeu. Simeone, por sua vez, também precisou fazer algo semelhante em Madri. O Atlético que conquistou a UEFA Europa League em 2012 e a Copa do Rei em 2013 já não é o mesmo que venceu La Liga em 2014 e 2021. Ao longo dos anos, nomes históricos deixaram o clube, enquanto novas referências passaram a ocupar seus lugares.

O próprio Simeone reconheceu que esse processo de renovação representa um dos maiores desgastes de sua função. A necessidade de repetir diariamente os padrões de competitividade, reformular o núcleo do elenco e integrar jovens talentos exige energia, dedicação e capacidade de adaptação constantes. Além disso, a responsabilidade cresce porque o treinador argentino elevou o nível de exigência no Atlético de Madrid. Depois de tantos anos disputando títulos e consolidando o clube entre os protagonistas da Europa, apenas competir já não basta para satisfazer expectativas internas e externas.

É por isso que a comparação com Ferguson precisa ser feita com cautela. Simeone já construiu um legado próprio e, em março de 2023, tornou-se o treinador com mais partidas no comando do Atlético de Madrid, superando a marca histórica de Luis Aragonés. Sua trajetória está diretamente ligada à conquista de títulos nacionais e internacionais, além de uma transformação profunda na mentalidade competitiva do clube. Sob sua liderança, o Atlético consolidou-se entre as principais forças do futebol europeu, desenvolvendo uma identidade sólida, resiliente e amplamente reconhecida.

O futuro, contudo, dependerá da capacidade de Simeone continuar encontrando motivação em novas gerações. Jogadores jovens e referências que ainda permanecem no elenco representam, para ele, a possibilidade de iniciar outro ciclo. Assim, repetir Ferguson em números talvez não seja o objetivo. Mais importante é manter a capacidade de reconstruir, competir e preservar uma identidade que se tornou inseparável do Atlético de Madrid. Se conseguir fazer isso por muitos anos, o argentino não precisará ser o novo Ferguson: poderá consolidar um legado tão particular quanto o do próprio escocês.

Foto: Getty Images

Como Simeone busca se tornar o treinador mais longevo do Atlético de Madrid e do futebol mundial

O declínio vivido pelo Manchester United após a saída de Ferguson contrasta com a ascensão do Atlético de Madrid sob o comando de Simeone desde dezembro de 2011. Enquanto o clube inglês enfrentou trocas constantes de treinadores e perdeu competitividade, o argentino consolidou um projeto vencedor e duradouro no Metropolitano. Após 14 anos e meio à frente da equipe, ele segue ampliando um legado histórico, tornando-se o técnico mais longevo do clube colchonero e um dos profissionais com maior permanência no futebol de elite mundial.

A comparação com Sir Alex Ferguson é inevitável. O escocês permaneceu 27 anos no Manchester United e estabeleceu um padrão de domínio que dificilmente será repetido. A Premier League registra seus 13 títulos ingleses, além de uma sequência de conquistas que transformou o United em uma potência global. Depois de sua saída, entretanto, a estabilidade desapareceu. David Moyes, Ryan Giggs, Louis van Gaal, José Mourinho, Ole Gunnar Solskjaer, Ralf Rangnick, Erik ten Hag, Ruud van Nistelrooy, Rúben Amorim e outros interinos passaram por Old Trafford sem conseguir reconstruir a hegemonia perdida.

Em contrapartida, Simeone percorreu caminho oposto. Quando assumiu o Atlético de Madrid, encontrou um clube de tradição, mas distante da força financeira e esportiva de gigantes como Real Madrid e Barcelona. Rapidamente, implantou uma mentalidade competitiva que transformou a equipe em protagonista na Espanha e na Europa. As conquistas da UEFA Europa League e da Supercopa da UEFA, ambas em 2012, representaram apenas o começo de um ciclo histórico, marcado por títulos expressivos, regularidade em alto nível e consolidação do Atlético entre as principais potências do futebol europeu.

Vieram depois a conquista da Copa do Rei em 2013, os títulos de La Liga e da Supercopa da Espanha em 2014, outra UEFA Europa League e outra Supercopa da UEFA em 2018, além de mais um Campeonato Espanhol em 2021. Ao todo, Simeone soma oito grandes títulos à frente do Atlético de Madrid. O currículo ainda inclui duas campanhas memoráveis até as finais da UEFA Champions League, em 2014 e 2016, consolidando seu trabalho entre os mais relevantes da história do clube e do futebol europeu.

Mais impressionante do que a quantidade de taças, porém, é a regularidade. O Atlético disputou todas as edições da Champions League desde 2013/14, alcançando 13 participações consecutivas até a temporada 2025/26. Na campanha mais recente, o time chegou novamente às semifinais, eliminando o Barcelona nas quartas de final antes de cair diante do Arsenal por 2 a 1 no agregado. O feito simboliza exatamente aquilo que Simeone construiu: o Atlético deixou de ser apenas um desafiante ocasional de Real Madrid e Barcelona para se tornar presença permanente entre os grandes clubes do continente.

A longevidade, portanto, não é apenas uma questão de tempo. Simeone já ultrapassou o recorde histórico do Atlético e, em abril de 2026, era apontado como o treinador mais longevo dos 122 anos do clube e o segundo mais longevo entre os técnicos ainda ativos nas principais ligas europeias. Para alcançar o patamar de Ferguson, contudo, precisaria prolongar seu ciclo por muitos anos além do contrato atual, que vai até junho de 2027. A diferença é que o argentino não precisa copiar o escocês para se tornar histórico.

O verdadeiro desafio de Simeone é manter viva a transformação que começou em 2011. Ferguson deixou no Manchester United uma cultura vencedora que sobreviveu ao treinador, mas perdeu força depois de sua saída. Simeone procura fazer algo ainda mais profundo: transformar o próprio Atlético em uma instituição permanentemente competitiva. Se conseguir permanecer no Metropolitano por mais uma década, ampliando sua coleção de títulos e mantendo o clube entre os protagonistas da Champions, poderá não apenas ser lembrado como o Ferguson do Atlético, mas como o treinador que redefiniu para sempre o tamanho do clube no futebol mundial.

Foto: Getty Images

Será que Simeone terá a mesma identidade que Ferguson no Atlético de Madrid?

A comparação com Ferguson tornou-se inevitável, mas Diego Simeone não precisa reproduzir exatamente a trajetória do escocês para estabelecer uma identidade semelhante no Atlético de Madrid. O que aproxima os dois é a capacidade de transformar longevidade em uma cultura esportiva, fazendo do treinador uma referência institucional e não apenas o responsável pela equipe. No início da temporada 2026/27, Simeone parte para sua 15ª temporada no comando rojiblanco, ainda respaldado por um contrato até 30 de junho de 2027.

A permanência ganha significado maior quando observada pelos números. Simeone já dirigiu 642 partidas oficiais pelo Atlético, superando as 612 de Luis Aragonés, e tornou-se o treinador mais vitorioso da história do clube, com oito títulos. São duas La Ligas, uma Copa do Rei, duas UEFA Europa League, duas Supercopas da UEFA e uma Supercopa da Espanha, além de duas finais de Champions League.

Desde sua primeira temporada completa no comando do Atlético de Madrid, Simeone garantiu a classificação da equipe para a UEFA Champions League em todas as temporadas disputadas. Esse desempenho consolidou o clube entre os participantes mais constantes da principal competição europeia, algo que parecia improvável antes de sua chegada. A regularidade alcançada elevou o patamar esportivo e financeiro da instituição, fortaleceu sua reputação internacional e transformou os colchoneros em presença permanente entre as principais potências do futebol europeu.

É justamente aí que surge o paralelo com Ferguson. O treinador escocês não foi apenas um vencedor do Manchester United; tornou-se o rosto de uma era. Simeone construiu algo semelhante em Madri ao transformar o Atlético em um adversário permanente dos maiores clubes do continente. Sua identidade baseada em competitividade, intensidade e compromisso com a camisa deixou de ser somente uma característica tática e passou a representar uma parte da própria personalidade rojiblanca.

A paixão, entretanto, continua sendo o elemento decisivo na relação entre Diego Simeone e o Atlético de Madrid. O treinador assumiu o comando da equipe em dezembro de 2011, após já ter conquistado títulos pelo clube como jogador, e desde então liderou uma profunda reconstrução esportiva e institucional. Sua renovação de contrato até 2027 reforça a confiança da diretoria em seu trabalho e evidencia que o projeto comandado pelo argentino segue sendo visto como a melhor forma de preservar a identidade competitiva, a cultura vencedora e a estabilidade construída ao longo dos últimos anos.

Por isso, o amistoso contra o Manchester United em 1º de agosto de 2026 ganha um simbolismo especial. De um lado estará o clube que viveu a maior era de sua história sob Ferguson; do outro, o Atlético que encontrou em Simeone seu próprio arquiteto de estabilidade. Se Ferguson permanece como referência máxima de longevidade no futebol inglês, Simeone já construiu no Metropolitano uma versão própria desse legado. O futuro dirá até onde ela poderá chegar, mas a comparação deixou de ser apenas uma hipótese: tornou-se uma realidade sustentada por resultados, tempo e identidade.

(Foto: Getty Images)