O Chelsea conheceu sua primeira derrota sob o comando de Xabi Alonso. Neste sábado, os Blues foram superados pelo Tottenham por 2 a 1, em Sydney, na Austrália, em um amistoso que teve muito mais cara de clássico valendo pontos do que de simples preparação para a temporada 2026/27.
O resultado foi definido apenas nos acréscimos, quando Richarlison apareceu livre dentro da pequena área para aproveitar o rebote de uma bola na trave e garantir a vitória dos Spurs. Antes disso, Sandro Tonali havia aberto o placar para o Tottenham em um chute desviado, enquanto Estêvão empatou de cabeça para o Chelsea ainda no primeiro tempo.
Apesar do tropeço, o amistoso serviu para mostrar pontos importantes da equipe de Xabi Alonso. Houve boas atuações individuais, sinais de evolução em alguns setores, mas também ficaram evidentes problemas que já perseguiam o clube na temporada passada e que continuam exigindo atenção antes da estreia oficial.
Chelsea e Tottenham nunca deixará de ser o que é
Quem esperava um amistoso morno certamente se surpreendeu.
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Desde o apito inicial, Chelsea e Tottenham entraram em campo como se estivessem disputando uma partida de Premier League. A intensidade apareceu em praticamente todas as divididas, lembrando imediatamente os tempos da famosa “Battle of the Bridge”, confronto que marcou uma das rivalidades mais quentes do futebol inglês na última década.
Os Spurs começaram impondo um jogo físico. Jan Paul van Hecke protagonizou um duelo particular com João Pedro, seu antigo companheiro de Brighton, enquanto Conor Gallagher recebeu cartão amarelo logo nos primeiros minutos após uma entrada bastante dura.
O Chelsea não ficou atrás. A equipe respondeu na mesma moeda e aceitou o jogo físico imposto pelo rival durante praticamente toda a partida.
Para Xabi Alonso, o amistoso acabou funcionando como uma excelente oportunidade para entender o tamanho dessa rivalidade. Mesmo sendo apenas pré-temporada, nenhum dos dois lados parecia disposto a aliviar nas divididas.
Esse tipo de confronto também ajuda o treinador espanhol a conhecer o comportamento emocional do elenco diante de jogos grandes, algo que certamente será importante ao longo da temporada.
Jamie Gittens aproveita a oportunidade e segue em alta
Nem tudo foi negativo para o Chelsea.
Se João Pedro brilhou na goleada sobre o Western Sydney Wanderers dias atrás, desta vez quem voltou a chamar atenção foi Jamie Gittens.
O ponta vive uma das melhores sequências desde que chegou ao clube. Depois de marcar nos amistosos contra Bromley, Crawley Town e também diante do Western Sydney, Gittens voltou a ser decisivo ao dar uma assistência precisa para Estêvão empatar a partida ainda no primeiro tempo.
O cruzamento foi praticamente perfeito, permitindo que o brasileiro cabeceasse sem chances para o goleiro adversário.
Mais do que os números, Gittens vem demonstrando confiança. Ele participa bastante das jogadas ofensivas, busca o drible, acelera as transições e parece muito mais confortável dentro do sistema implantado por Xabi Alonso.
Essa evolução chega em um momento importante.
Com Morgan Rogers ainda em recuperação após disputar a Copa do Mundo, abre-se uma janela para que Gittens conquiste espaço definitivo entre os titulares. Depois de uma temporada de estreia abaixo das expectativas, o atacante parece entender que esta pré-temporada representa uma oportunidade quase obrigatória para mudar sua história no clube.
Se continuar nesse ritmo, a disputa por uma vaga no setor ofensivo ficará bastante interessante quando o elenco estiver completo.
Velhos problemas continuam assombrando o Chelsea
Talvez a principal conclusão da derrota não esteja ligada ao placar, mas sim à maneira como ela aconteceu.
Logo no início do segundo tempo, Kevin Danso derrubou João Pedro quando o atacante caminhava em direção ao gol e acabou expulso por impedir uma chance clara de marcar.
Naturalmente, o cenário parecia perfeito para o Chelsea assumir o controle da partida.
Com um jogador a mais durante praticamente toda a etapa final, a expectativa era de uma pressão intensa até encontrar o gol da vitória. Mas foi justamente aí que surgiu um problema bastante conhecido pelos torcedores.
Assim como aconteceu em diversos momentos da temporada passada, o Chelsea teve enorme dificuldade para desmontar uma defesa bem organizada. A equipe circulava a bola, ocupava o campo ofensivo e mantinha a posse, mas criava poucas oportunidades realmente perigosas.
O Tottenham, mesmo com inferioridade numérica, conseguiu proteger sua área com eficiência e passou a explorar os contra-ataques.
Inclusive, quase marcou antes do gol decisivo. Rio Kyerematen acertou o travessão em uma escapada rápida que já servia como aviso para os Blues.
Nos minutos finais, quando o empate parecia inevitável e a disputa por pênaltis se aproximava, Jamie Donley acertou a trave. A bola voltou exatamente nos pés de Richarlison, que apareceu completamente livre para apenas empurrar para as redes e decretar a vitória do Tottenham.
O lance simbolizou bem uma equipe que, mesmo controlando boa parte do jogo, acabou castigada por um momento de desatenção defensiva.
As inúmeras substituições também contribuíram para diminuir o ritmo ofensivo do Chelsea. Como costuma acontecer na pré-temporada, Xabi Alonso aproveitou para testar diferentes jogadores, mas isso acabou afetando a fluidez da equipe justamente quando era necessário acelerar em busca da vitória.
Derrota pode servir como aprendizado para Xabi Alonso
Embora ninguém goste de perder para um rival, principalmente para o Tottenham, o amistoso deixa ensinamentos importantes para o novo treinador.
Xabi Alonso viu seu time competir bem durante vários momentos, mostrou capacidade para reagir depois de sair atrás no placar e teve novamente boas respostas de jovens como Estêvão, além da evolução clara de Jamie Gittens.
Por outro lado, também ficou evidente que o Chelsea ainda precisa encontrar soluções contra adversários fechados. Ter posse de bola já não basta no futebol moderno, e transformar domínio territorial em chances claras continua sendo um desafio para os Blues.
A temporada ainda nem começou oficialmente, e justamente por isso uma derrota como essa pode até ser mais útil do que uma vitória sem dificuldades. O treinador espanhol agora tem material suficiente para corrigir problemas antes que eles apareçam em jogos que realmente valem três pontos.
Se a rivalidade com o Tottenham já pegou fogo em pleno amistoso disputado do outro lado do mundo, o torcedor pode esperar confrontos ainda mais intensos quando a Premier League começar. Até lá, Xabi Alonso terá trabalho pela frente para garantir que o Chelsea transforme boas atuações em resultados positivos.
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