Gianni Infantino - presidente da FIFA
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Crise na FIFA: entenda o que pode tirar Gianni Infantino do cargo

O nome de Gianni Infantino está passando por uma crise à frente da FIFA. Até então, Infantino era visto como praticamente inabalável dentro da federação, porém tudo mudou. O que causou tamanho desgaste na FIFA, foi a revelação de que o suíço tentava vender parte dos direitos comerciais das principais competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo, a investidores privados, sem consultar boa parte das federações que deveriam aprovar o plano.

Mesmo depois de recuar e anunciar, na madrugada de sábado, que o projeto chamado de FIFA Forward Enterprise não seguiria adiante, a reação não foi suficiente para conter a agitação. Ao invés de dar um passo atrás, a UEFA endureceu ainda mais o discurso horas depois, afirmando ter perdido a confiança na gestão de Infantino e exigindo sua renúncia imediata.

Queda de popularidade na FIFA em poucos dias

A crise foi muito rápida e surpreendente. Em poucos dias, a UEFA ameaçou boicotar todas as competições organizadas pela FIFA, incluindo a própria Copa do Mundo, caso o plano de venda de participação avançasse. A CONCACAF, confederação que trabalhou lado a lado com Infantino na organização da Copa do Mundo deste ano nos Estados Unidos, México e Canadá, também ficou contra as ações de Infantino, enquanto países ligados à Confederação Asiática também se posicionaram contrária a iniciativa.

O cenário piorou ainda mais quando dois nomes próximos ao presidente decidiram deixar seus cargos: O conselheiro sênior Carlos Cordeiro e o diretor de operações Kevin Lamour. Diante desse contexto, Infantino recuou do plano, mas o gesto já não foi suficiente para conter a insatisfação da UEFA, que elevou o tom logo em seguida.

Os caminhos para a saída de Infantino do cargo

A forma mais rápida de resolver a crise seria uma renúncia voluntária de Infantino, repetindo o que fez seu antecessor Sepp Blatter em 2015. Mas o suíço ainda conta com apoio relevante dentro da entidade e pode preferir resistir até março, quando pretende concorrer a um quarto e último mandato à frente da FIFA.

Caso ele não ceda, o Conselho da FIFA poderia convocar uma reunião de emergência caso 19 dos 37 membros solicitem, o que abriria a possibilidade de um pedido formal de renúncia dentro de duas semanas, embora Infantino pudesse simplesmente recusar o pedido. A etapa seguinte seria um congresso extraordinário das 211 federações filiadas, que pode ser convocado caso 1/5 delas, ou seja, 43 associações, façam a solicitação por escrito, processo que levaria entre dois e três meses para se concretizar.

A matemática para tirar Infantino do cargo

Chegar a esse congresso extraordinário não garante a saída de Infantino. Seriam necessários 106 votos para aprovar uma moção de censura contra ele, e a distribuição de forças entre as confederações torna essa conta bastante incerta. A UEFA sozinha soma 55 federações, mas precisaria de apoio significativo de outras, já que África tem 54 associações, Ásia 46, CONCACAF 35, CONMEBOL 10 e Oceania 11, e nem todas essas confederações se posicionaram contra o plano de Gianni Infantino.

O cenário fica ainda mais complexo ao considerar que, entre os 136 países que rejeitaram oficialmente a proposta de privatização, já há sinais de rachadura. O Catar manifestou apoio público a Infantino, enquanto o México se distanciou da posição assumida pela CONCACAF.

Nomes que poderiam disputar a presidência da FIFA

Caso o impasse acabe mesmo chegando em uma eleição antecipada ou nas disputas de março, encontrar um candidato capaz de unificar os descontentes parece essencial. Um nome europeu poderia enfrentar resistência fora do continente, dado o protagonismo da UEFA nas críticas a Infantino, reforçando a busca por uma figura de fora do bloco europeu, mas com poder político suficiente para atrair votos que hoje ainda pertencem ao presidente.

O canadense Victor Montagliani, atual presidente da CONCACAF e peça central na organização da Copa do Mundo deste ano, aparece como opção mais cotada, tendo um histórico de promessas de reforma na governança, semelhante ao próprio discurso usado por Infantino em 2016. O Salman bin Ebrahim Al Khalifa, presidente da Confederação Asiática e reeleito sem oposição até 2027, também surge como alternativa, tendo criticado publicamente a atual gestão. Um terceiro nome especulado, o catari Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain e da Associação Europeia de Clubes, parece menos provável, tanto pela falta de interesse demonstrada quanto pelo apoio que o próprio Catar já deu a Infantino.

O que pode decidir o desfecho

Enquanto a batalha institucional se desenrola, Infantino aposta em ganhar tempo e reconquistar apoios aos poucos. Nomes como Marrocos, que será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, e Egito já sinalizaram apoio ao presidente depois do recuo no plano original, movimento que pode diminuir aos poucos a força de uma eventual moção de censura, já que ela só ocorreria daqui a alguns meses.

O fator que mais preocupa a gestão de Infantino é o comportamento dos patrocinadores da entidade. Durante o escândalo de corrupção de 2015, empresas chegaram a romper contratos com a FIFA. Por enquanto, não há sinais de movimento parecido, mas a crise atual ainda está longe de um desfecho definitivo, e o próximo capítulo dependerá tanto da capacidade da UEFA de manter a pressão quanto da habilidade de Infantino em reconstruir sua confiança com as confederações que hoje não definiram entre manter ou retirar seu apoio.

Créditos da foto de capa: Martín Fonseca / Eurasia Sport Images /Getty Images