Copa do Mundo - Mauricio Pochettino - técnico dos Estados Unidos
Futebol

O que a permanência de Pochettino representa para os Estados Unidos até 2030

A seleção masculina dos Estados Unidos encerrou uma das principais dúvidas que ficaram após a Copa do Mundo de 2026. Mauricio Pochettino aceitou a proposta de renovação apresentada pela federação e assinou um novo contrato válido até 31 de julho de 2030. Os valores do acordo ainda não foram divulgados.

A resposta do argentino saiu cerca de quatro semanas após a eliminação para a Bélgica nas oitavas de final. Com a permanência, os Estados Unidos evitam uma mudança de comando logo após o Mundial disputado em casa, enquanto Pochettino assume um compromisso que pode se tornar o trabalho mais longo de sua carreira como treinador.

Renovação com Pochettino mantém o projeto mesmo após a queda na Copa

A campanha norte-americana na Copa do Mundo terminou de maneira frustrante, com uma derrota por 4 a 1 para a Bélgica. No entanto, antes da eliminação, os Estados Unidos alcançaram resultados importantes sob o comando de Pochettino. A equipe conseguiu duas vitórias consecutivas na fase de grupos pela primeira vez desde 1930 e também voltou a vencer uma partida eliminatória após 24 anos.

O desempenho até as oitavas aumentou o envolvimento do público com a seleção e levou os jogos dos Estados Unidos a números recordes de audiência. Porém, a goleada sofrida diante dos belgas também gerou questionamentos importantes. Pochettino foi criticado pela dificuldade em responder ao ataque adversário e pelas poucas mudanças apresentadas enquanto sua equipe era dominada.

Ainda assim, a continuidade do argentino já era um desejo da federação antes mesmo do início da Copa do Mundo. 

Uma proposta de renovação havia sido apresentada antes dos primeiros jogos do torneio, o que indica que a avaliação sobre o trabalho não estava ligada somente ao resultado alcançado durante a competição.

A maior incerteza partia do próprio treinador. Pochettino adiou diversas vezes uma decisão definitiva e alimentou as especulações sobre um possível retorno ao futebol de clubes. Em dezembro do ano passado, o argentino afirmou sentir falta da Premier League, considerada por ele a melhor e mais competitiva liga do mundo, além de admitir o desejo de trabalhar novamente na Inglaterra em algum momento.

Neste cenário, a renovação representa uma escolha importante dos dois lados. A federação mantém um treinador contratado justamente para elevar o nível competitivo dos Estados Unidos, enquanto Pochettino abre mão de buscar um retorno imediato aos clubes europeus. Agora, o argentino terá um ciclo completo para desenvolver a equipe sem a urgência que marcou sua chegada em 2024, quando assumiu o cargo já pensando na preparação para o Mundial de 2026.

Estados Unidos podem se tornar o trabalho mais longo de Pochettino

A duração do novo vínculo chama a atenção devido ao histórico do treinador. Em quase duas décadas comandando clubes, Pochettino nunca permaneceu seis anos no mesmo cargo. Sua passagem mais longa aconteceu no Tottenham, onde trabalhou durante cinco anos e 141 dias, entre julho de 2014 e novembro de 2019.

As outras experiências foram mais curtas. O argentino ficou pouco menos de quatro anos no Espanyol, aproximadamente um ano e meio no Southampton, período semelhante no Paris Saint-Germain e somente uma temporada no Chelsea. 

Sendo assim, caso cumpra o novo contrato até o final, Pochettino chegará a cinco anos e 323 dias à frente dos Estados Unidos, superando o tempo vivido no Tottenham.

Para que essa continuidade funcione, o treinador contará com as relações construídas dentro do elenco. Max Arfsten, convocado pela primeira vez por Pochettino em 2025, afirmou que o argentino teve uma importância enorme em sua carreira internacional. O jogador do Columbus Crew também destacou a humildade, a proximidade com os atletas e a maneira apaixonada como o técnico trabalha.

Tim Ream também revelou que, durante a Copa do Mundo, Pochettino incentivou o elenco a pensar no crescimento do futebol dentro do país. As conversas não estavam restritas aos resultados em campo. O grupo discutia como poderia aproximar mais pessoas da modalidade, fortalecer o apoio à seleção e aproveitar o torneio para deixar um impacto maior nos Estados Unidos. Essa ideia deve ganhar ainda mais espaço durante o próximo ciclo. 

Além de preparar a equipe para a Copa do Mundo de 2030, que será disputada em Marrocos, Portugal e Espanha, Pochettino terá uma influência maior no desenvolvimento dos jogadores e no caminho percorrido pelos atletas até a seleção principal.

A renovação também aumenta a responsabilidade do argentino. Os avanços alcançados em 2026 seguirão como uma referência positiva, mas as dificuldades apresentadas contra a Bélgica deixaram problemas que precisam ser corrigidos. Com quatro anos de trabalho pela frente, Pochettino terá tempo para renovar o grupo, consolidar suas ideias e preparar os Estados Unidos para competir novamente em uma Copa.

Para a federação, a decisão garante continuidade em um momento no qual o futebol ganha mais espaço no país. Para Pochettino, o novo contrato oferece a oportunidade de construir um projeto mais duradouro do que qualquer outro de sua carreira. O desempenho da seleção até 2030 determinará se essa relação será lembrada apenas pela longa duração ou também pela evolução alcançada dentro de campo.

Créditos da foto de capa: Steve Roberts/Imagn Images.